Mato Grosso
Entrevistas ao vivo marcam início de projeto do MPMT em Cuiabá
Mato Grosso
A edição 2026 do projeto Diálogos com a Sociedade começou nesta segunda-feira (13), em Cuiabá, com a realização de entrevistas ao vivo promovidas pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). As conversas acontecem no Espaço MP por Elas, no Piso 1 do Pantanal Shopping, e têm como foco aproximar o MPMT da população, ampliando o diálogo e o debate sobre temas relevantes para a sociedade.No programa de estreia, o convidado foi o procurador-geral de Justiça, Rodrigo Fonseca Costa, que destacou a importância de levar o Ministério Público para espaços públicos e acessíveis. “Muitas vezes a pessoa tem certa dificuldade de se deslocar a um órgão público. O MPMT vindo para o shopping significa que estarmos mais próximos da sociedade e rompe um pouco as resistências”, afirmou.Durante a entrevista, o procurador-Geral abordou as ações do Ministério Público no enfrentamento à violência doméstica e ao feminicídio, ressaltando que a violência é um processo escalonado. “A violência doméstica em geral é uma escalada. Se começou, tem que tirar a vítima daquele ambiente violento”, enfatizou.Segundo o procurador, o MPMT tem buscado se reinventar para mudar os índices negativos do estado e mostrar às vítimas que a instituição é uma aliada. “Estamos tentando trabalhar com esses números não positivos de Mato Grosso. O Ministério Público tem trabalhado para localizar as vítimas. Temos que nos reinventar todos os dias para mudar os números.”O procurador-geral também destacou a necessidade de informalizar o acesso à Justiça. “A Justiça sempre trabalhou com formalismo, e a gente precisa informalizar um pouco esse contato. Nosso site, por exemplo, a gente tenta evoluir para que a população consiga fazer agendamento sem ter que ir presencialmente”, explicou.No âmbito da prevenção, Rodrigo Fonseca Costa reforçou a importância dos investimentos em ações educativas. “Estamos levando nas escolas espetáculos de teatro sobre respeito. Se um filho ou filha vê um pai maltratando a mãe, isso passa a ser normal. Precisamos mostrar que esse comportamento não é normal, que a violência, inclusive a psicológica, não é aceitável”, pontuou.O procurador-geral também falou sobre a atuação do Núcleo de Autocomposição, que presta auxílio em todo o estado, buscando solucionar conflitos de forma mais célere e consensual. “A ideia do sistema de Justiça é primeiro tentar conciliar. A autocomposição é o futuro da Justiça, inclusive no âmbito criminal, em situações em que é possível reparar rapidamente o dano causado à vítima”, avaliou.Além disso, o procurador-geral destacou a parceria entre o MPMT e o Ministério Público Federal (MPF) para a atuação conjunta nas eleições municipais de 2026, reforçando o compromisso das instituições com a lisura do processo eleitoral.O Diálogos com a Sociedade segue até a sexta-feira (17), com entrevistas diárias às 14h e às 18h, transmitidas simultaneamente pela Rádio CBN (às 14h) e pelo SBT Cuiabá (às 18h) eno canal do Youtube do MPMT.A proposta é fortalecer o diálogo entre o MPMT e a sociedade, promovendo transparência, escuta ativa e a construção conjunta de soluções para os desafios sociais.Espaço MP Por Elas – instalado no piso 1 do Pantanal Shopping, o espaço marca o início da temporada 2026 do projeto Diálogos com a Sociedade. Aberto ao público até 17 de abril, de segunda a sexta-feira, das 13h às 19h, o espaço foi planejado para oferecer orientação, formação e incentivo à autonomia feminina, com foco na informação, prevenção e enfrentamento da violência doméstica.Um dos destaques é a exposição do Memorial Observatório Caliandra, que reúne fotografias de mulheres vítimas de feminicídio em Mato Grosso. O local conta ainda com uma sala de acolhimento, destinada a orientações e encaminhamentos, mantida pelo Observatório.O projeto Diálogos com a Sociedade é realizado pelo MPMT em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt), o Serviço Social da Indústria (Sesi-MT), Águas Cuiabá, Energisa Mato Grosso, Amaggi, Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Pantanal Shopping, Monza Tintas, Sofisticato, Janaína Figueiredo – Arquitetura e Interiores, e Roberta Granzotto Decor.
Fonte: Ministério Público MT – MT
Mato Grosso
Olhar atento pode evitar tragédias, destaca procuradora
A importância de ampliar o olhar dos profissionais da segurança pública para identificar situações de risco e prevenir casos de violência contra mulheres e meninas foi o foco do primeiro eixo temático do Dia C de Capacitação – Atendimento, Proteção e Perspectiva de Gênero na Segurança Pública, realizado nesta quarta-feira (2), pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), em Cuiabá.A palestra foi ministrada pela coordenadora do Centro de Apoio Operacional (CAO) sobre Estudos de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e Gênero Feminino, procuradora de Justiça Elisamara Sigles Vodonós Portela, que abordou o tema “Perspectiva de gênero na atuação dos profissionais de segurança pública” para cerca de 140 participantes das forças de segurança e instituições que integram a rede de proteção.Ao iniciar a exposição, a procuradora utilizou uma experiência pessoal para explicar como a perspectiva de gênero pode contribuir para uma análise mais ampla das situações enfrentadas diariamente pelos profissionais da área.“A perspectiva de gênero funciona, de certo modo, como esse recurso de ampliação da percepção. Ela não modifica os fatos. Não cria crimes onde eles não existem. Não substitui a lei, a técnica, a prova ou a experiência profissional. Ela nos ajuda a perceber dimensões da realidade que podem permanecer inaudíveis aos nossos ouvidos ou invisíveis ao nosso olhar”, afirmou.Durante a palestra, a procuradora de Justiça destacou que muitos sinais relacionados à violência contra a mulher podem passar despercebidos quando não são observados sob uma perspectiva adequada.“Na atuação profissional, alguns sinais podem estar diante de nós e, ainda assim, não serem imediatamente percebidos: o controle, o isolamento, a dependência econômica, o medo, a desigualdade de poder, a escalada da violência e o risco de morte”, alertou.Segundo a procuradora, o objetivo da capacitação não é desconsiderar a experiência dos profissionais, mas oferecer ferramentas que contribuam para uma atuação mais qualificada.“A proposta desta capacitação não é desqualificar a experiência de ninguém. É acrescentar um instrumento à nossa atuação. Porque, quando ampliamos nossa capacidade de perceber, qualificamos nossa intervenção, avaliamos melhor o risco, protegemos com mais eficiência e tomamos decisões mais adequadas”, ressaltou.Ao longo da apresentação, foram abordados aspectos relacionados aos estereótipos de gênero, aos ciclos da violência doméstica e à necessidade de uma atuação institucional integrada para garantir proteção efetiva às vítimas.No encerramento da palestra, a procuradora de Justiça fez uma reflexão sobre a responsabilidade dos agentes públicos diante do avanço da violência contra a mulher e conclamou os participantes a transformarem conhecimento em atitude.“Tenho medo da violência que se repete, da violência que se agrava e, principalmente, da violência que começa a ser tratada como algo normal. E, diante desse medo, faço a mim mesma duas perguntas: o que eu posso fazer? O que eu tenho a ver com isso? A resposta que encontrei é clara: eu tenho tudo a ver com isso”, afirmou.Dia C de Capacitação – o primeiro eixo do Dia C integra a programação nacional da capacitação, que busca fortalecer a atuação dos profissionais da segurança pública e da rede de proteção no enfrentamento à violência contra mulheres e meninas, com foco na prevenção do feminicídio e na qualificação do atendimento prestado às vítimas.Promovido nacionalmente pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), em parceria com o Ministério das Mulheres, o Conselho Nacional de Procuradores-Gerais (CNPG) e a Comissão Permanente de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Copevid), o Dia C foi concebido como o marco inicial de um programa permanente de formação voltado ao fortalecimento da atuação integrada entre o Ministério Público e os órgãos de segurança pública. Em Mato Grosso, o evento é realizado pelo MPMT, por meio do Centro de Apoio Operacional sobre Estudos de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e Gênero Feminino, com apoio do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do Ministério Público de Mato Grosso. O evento reúne aproximadamente 140 profissionais de diferentes órgãos e instituições, entre eles representantes da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Penal, Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), Marinha do Brasil, Guarda Municipal e integrantes do sistema de justiça.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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