Economia

Inflação brasileira está perto da alemã e já é menor que no Reino Unido

Publicado em

Economia

Para economistas, apesar dos problemas locais, cenário de inflação baixo pode ser mantido

Da Redação

 

A taxa oficial de inflação do Brasil finalmente desceu a níveis de países desenvolvidos e está rodando próxima dos patamares registrados por Estados Unidos, Espanha e Alemanha, além de já estar abaixo do faixa do Reino Unido, por exemplo. 

Enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula 2,46% em 12 meses até agosto, o índice de preços ao consumidor do Reino Unido está em 2,9%, na mesma base de comparação.

No caso dos indicadores norte-americano, alemão e espanhol, as variações são mais brandas, de 1,90%, 1,80% e 1,96%, respectivamente, no acumulado em 12 meses terminados em agosto. 

Ainda que o Brasil tenha suas peculiaridades e seja bastante diferente ao contar, por exemplo, com divida pública elevada e fragilidades institucionais, economistas ouvidos pela reportagem afirmam que o cenário de inflação baixa pode ser duradouro.

Esse ambiente pode, conforme os analistas, até dar margem para debates sobre redução na meta inflacionária para a faixa de 3% mais à frente. Contudo, essa permanência da inflação em níveis nunca antes visto na história do País está atrelada, entre outros fatores, à condução da agenda de reformas.

Um cenário externo favorável, sem grandes modificações na taxa de câmbio, e a reorientação da política econômica e monetária são alguns dos fatores que estão permitindo o alívio inflacionário no Brasil, conforme a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif. 

Além disso, ela acrescenta que a inflação brasileira se aproxima da média mundial pois o ciclo econômico está ficando cada vez mais aderente ao restante do mundo.

Apesar das tendências diferentes em relação a outros países avançados, o economista-chefe do Rabobank Brasil, Mauricio Oreng, afirma que o País está vivendo um momento particular que se deve a uma somatória de fatores: reancoragem das expectativas inflacionárias, abertura do hiato do produto (elevada ociosidade), e é preciso reconhecer que há uma influência razoável dos preços dos alimentos. “Respondeu por boa parte da desinflação nos últimos meses. Tem um choque de oferta favorável também”, afirma.

Porém, observa que o Brasil tem um componente fiscal ruim que destoa de outras regiões, onde não se vê essa deterioração. “É um situação particular, idiossincrática e que precisa ser resolvida em algum momento”, sugere. No Reino Unido, ressalta Oreng, há uma pressão na inflação após a depreciação cambial resultante do Brexit, enquanto na zona do euro e nos EUA a inflação tem desacelerado. “Lá fora, há um debate sofre fatores estruturais, sobre produtividade baixa que estaria limitando o crescimento dos salários e consequentemente o aumento da inflação”, completa.

Um dos pontos favoráveis do quadro de inflação baixa é a inércia menor para o ano seguinte. “Um dos efeitos é a desindexação. Claro que tem a parte ruim que está ligada à recessão, mas olhando para o resultado em si é ótimo ter uma taxa abaixo da meta. O BC já está aproveitando esse espaço (dado pela queda da inflação) para cortar juros. Uma eventual inflação persistentemente abaixo das metas atuais nos próximos anos poderia até ajudar no debate sobre redução adicional da meta para mais próximo de 3%”, avalia o economista do Rabobank.

O economista Heron do Carmo, professor de Economia da FEA/USP, também admite que a crise pronunciada provocou efeito benigno na economia, que é a possibilidade de o impacto na indexação ficar menor no ano que vem.

A despeito do rombo fiscal, Zeina ressalta que há uma agenda econômica em andamento e que precisa ser continuada. “A inflação do Brasil se descolou naquela época da política maluca da Dilma (Rousseff, ex-presidente). Chegaram até discutir a possibilidade de o País estar entrando em dominância fiscal. Não acredito que tenha entrado, mas, se entrou, o processo foi interrompido com essa nova agenda”, avalia.

Oreng concorda que a continuidade da inflação em nível baixo depende da questão fiscal. “Se não fizerem as reformas até 2020, especialmente a da Previdência, pode haver um estresse no mercado e a situação econômica pode piorar de forma a fazer o Brasil perder os ganhos obtidos até aqui”, pondera.

“O fiscal é uma questão estrutural que pode complicar. O que falta ser resolvido é o nó fiscal”, acrescenta Heron.

A economista da XP reconhece que esse cenário favorável para a inflação pode ser alterado, dado que alguns condicionantes tendem a ser pontuais. “Há componentes de sorte, como câmbio e commodities. Tivemos uma safra agrícola fantástica e os preços de alimentos estão ajudando bastante. Talvez isso não se repita, mas também não tende a explodir”, analisa.

“A expectativa é que essa tendência desinflacionária continue em 2018 aqui e lá fora. Não estão no horizonte pressões cambiais. Está ocorrendo uma normalização da política monetária externa bem gradual”, diz o economista Leonardo França Costa, da Rosenberg Associados.

Carta do Bem. Os economistas não descartam a possibilidade de o IPCA terminar este ano aquém de 3%. Se isso acontecer, o BC terá de justificar o descumprimento em carta ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. O centro da meta defendida pelo Banco Central é de 4,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima e para baixo.

“Se tiver de escrever a carta, será por uma causa ótima. Será uma carta do bem. A queda da inflação é bem importante. Não é à toa que os números são os menores desde 1994”, afirma, Oreng, do Rabobank Brasil.

Para Zeina, se eventualmente houver crítica, caso o Banco Central tenha de fazer a carta ao Ministério da Fazenda, será injusta. Segundo ela, sempre haverá “oportunistas” que possivelmente irão dizer que a autoridade monetária poderia ter cortado mais os juros. O interessante, completa, é que o “Ilan afirmou que sua gestão buscaria cumprir ‘plenamente’ a meta de inflação e muitos desacreditaram. Mostrou muito mais que isso.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: O Estado de S.Paulo

Foto: Divulgação

COMENTE ABAIXO:
Propaganda
Clique para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe uma resposta

Economia

Bandeira tarifária das contas de luz segue amarela em julho

Publicados

em


A bandeira tarifária permanecerá amarela em julho, informou hoje (26) a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Com isso, será mantido o acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos nas contas de luz, no próximo mês, para todos os consumidores conectados ao Sistema Interligado Nacional (SIN). 

Segundo a Aneel, a decisão foi tomada devido ao período seco no Brasil, o que leva a uma geração hidrelétrica menor e ao acionamento de usinas termelétricas, com custo mais elevado.

“A manutenção da bandeira amarela, ativa desde abril, reflete condições menos favoráveis de geração no País, típicas do período seco, quando há redução nos níveis dos reservatórios das hidrelétricas e necessidade de acionamento de usinas termelétricas, que possuem custo mais elevado”, explicou a agência.

Bandeiras tarifárias

Criado em 2015 pela Aneel, o sistema de bandeiras tarifárias reflete os custos variáveis da geração de energia elétrica. Divididas em cores, as bandeiras indicam quanto está custando para o Sistema Interligado Nacional (SIN) gerar a energia usada nas residências, em estabelecimentos comerciais e nas indústrias.

A cada mês, as condições de operação do sistema de geração de energia elétrica são reavaliadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que define a melhor estratégia de geração de energia para atendimento da demanda e traça uma previsão de custos a serem cobertos pelas bandeiras. 

Portanto, as cores são definidas a partir da previsão de variação do custo da energia em cada mês. Quando a conta de luz é calculada pela bandeira verde, não há nenhum acréscimo. Quando são aplicadas as bandeiras vermelha ou amarela, a conta sofre acréscimo a cada 100 kWh consumidos.

Os valores cobrados são os seguintes: na bandeira amarela, a tarifa sofre acréscimo de R$ 1,88 por 100 kWh; na bandeira vermelha, no Patamar 1, a tarifa aumenta R$ 4,46 / 100 kWh

Já na bandeira vermelha, no Patamar 2, as condições de geração são ainda mais caras e a tarifa sofre acréscimo de R$ 7,87 para cada 100 quilowatt-hora kWh consumido

 




TOP FAMOSOS

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTE

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA