Economia
Bolsa encosta nos 76 mil pontos e já acumula alta de 7,28% no mês
Economia
No primeiro pregão da semana, Ibovespa fecha com valorização de 0,31%, aos 75.990,40 pontos; durante o dia, indicador chegou a bater 76,4 mil pontos
Da Redação
O Ibovespa, índice que reúne as ações mais líquidas da Bolsa, iniciou esta semana como havia fechado a última: renovando seu recorde histórico de fechamento. O indicador, que durante o dia chegou a alcançar o patamar inédito de 76.403,57 pontos, encerrou o pregão desta segunda-feira, 18, em alta de 0,31%, aos 75.990,40 pontos. Com este resultado, a valorização da Bolsa em setembro é de 7,28% – variação que já é superior aos 6,49% acumulados em todo o mês de agosto. No ano, a alta acumulada é de 26,17%.
O dólar à vista também registrou em alta. A cotação da moeda americana teve valorização de 0,66% ante o real, fechando aos R$ 3,1338.
O estímulo positivo para o Ibovespa veio do cenário internacional, onde as bolsas registraram ganhos, amparadas pela expectativa de manutenção dos juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve na reunião desta semana, a despeito da chance de anúncio do início da redução do balanço da instituição.
Em um dia de noticiário doméstico brando, a subida das bolsas de Nova York para novos patamares recordes acabou por dar impulso às ações brasileiras, mesmo que moderado. O volume financeiro de transações na Bolsa totalizou R$ 14,4 bilhões, inflado pelos R$ 4,9 bilhões movimentados no exercício de opções sobre ações.
“O Ibovespa está bastante esticado, mas vem absorvendo realizações de lucros pontuais que ocorrem durante o pregão. Na prática, o investidor quer recolher parte dos lucros, mas se sente desestimulado quando olha as bolsas de Nova York em alta e o cenário doméstico sem grandes riscos”, disse Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença Corretora.
Monteiro e outros profissionais ouvidos pelo Broadcast observam que a Bolsa está em um momento de grande popularidade, devido aos sucessivos recordes que vem batendo. Para eles, a grande repercussão dos bons resultados tende a trazer para o mercado um contingente de investidores pessoa física interessados em aproveitar o bom momento. Em geral, momentos como esse costumam ser a “senha” para correções na Bolsa. “Desta vez, não se sabe se é isso o que vai acontecer, uma vez que o cenário interno não mostra grandes riscos”, disse um profissional.
A alta do dia foi possível graças à valorização das ações do setor financeiro, que operou majoritariamente em terreno positivo. Itaú Unibanco PN, ação mais importante do Ibovespa, subiu 0,71%, enquanto Banco do Brasil ON ganhou 1,38%.
A volatilidade dos preços do petróleo e a ocorrência do exercício de opções geraram instabilidade nas ações preferenciais da Petrobras, que alternaram sinais e terminaram o dia estáveis. Já Petrobras ON avançou 0,96%. Segundo apurou o Broadcast, a estatal concluiu hoje captação de US$ 2 bilhões em bônus com vencimento em 2025 e 2028, com retorno de 5,30% e 6%, respectivamente. A demanda superou US$ 9 bilhões (leia mais em texto publicado às 15h58).
A expectativa otimista para a economia e para os setores de mineração e siderurgia levaram Vale ON a uma alta de 1,33%, que contribuiu para alavancar papéis como CSN ON (+3,41%) e Gerdau PN (+0,82%). Usiminas PNA subiu 7,14% e foi a maior alta entre as ações que integram o Ibovespa, refletindo particular otimismo dos investidores com a empresa, que passa por processo de reestruturação.
Na ponta contrária esteve JBS ON, liderando as perdas do índice com -3,95%. A queda interrompeu uma sequência de três altas consecutivas e refletiu a decisão do Conselho de Administração da empresa de escolher José Batista Sobrinho como presidente do grupo, em substituição ao seu filho Wesley, preso na semana passada acusado de atuar no mercado com insider information.
O BTG Pactual, em comentário ao mercado, destacou que José Batista Sobrinho deve completar o mandato de dois anos de Wesley Batista, preso na semana passada. Segundo a equipe de análise do banco, a decisão reitera a posição de controle da família, fazendo com que os recentes rumores de venda de parte da empresa pelos Batistas não façam sentido. Outro ponto importante é o atraso na “tão esperada transição para uma gestão profissional”, avaliaram.
Um outro operador comentou que o mercado não vê com “bons olhos” esse embate do comando do BNDES com a conselheira. “A reunião não foi organizada de forma muito clara e a conselheira do BNDES votou sem conversar com o banco. Tudo isso pesa”, disse.
No câmbio, a direção também foi dada pelo exterior. A valorização do dólar sobe ante o real reflete os ganhos da moeda ante divisas emergentes e ligados a commodities no mercado internacional. Também se trata de uma resposta à desvalorização mais acentuada do petróleo, que chegou a registrar perdas ao redor de 1%.
Essa trajetória, porém, exerce pouca influência sobre os juros futuros. As taxas rondaram a estabilidade, com viés de baixa, com o mercado já no aguardo do IPCA-15 e RTI programados para os próximos dias. A posse da nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, foi acompanhada sem reações nos mercados locais. Seu discurso, no entanto, ajudou a reforçar a percepção de que a atuação dela será mais moderada e discreta do que a de seu antecessor, Rodrigo Janot.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Economia
Sindicatos realizam ato pelo direito ao descanso e fim da escala 6×1
Trabalhadores, aposentados, estudantes e ativistas foram às ruas em diversas cidades brasileiras nesta sexta-feira, 1º de maio, feriado que celebra o Dia Internacional do Trabalhador. 

Na pauta de reivindicações, as principais bandeiras eram o fim da escala de seis dias de trabalho e um de descanso (escala 6×1), sem redução salarial. Em Brasília, a manifestação foi no Eixão do Lazer, na Asa Sul.
A empregada doméstica Cleide Gomes, de 59 anos, foi ao ato com o neto, de 5 anos, a nora e a mãe, de 80, para cobrarem direitos trabalhistas.
Cleide, que atualmente trabalha com carteira assinada, recorda da época em que foi feirante autônoma e auxiliar de serviços gerais, sem carteira de trabalho. Ela chama a atenção para as ilegalidades cometidas contra suas colegas de profissão.
“Conheço pessoas que, agora, estão no trabalho, pois o patrão fala que hoje não é feriado, mas ponto facultativo. As coitadas não vão receber hora extra porque não sabem de seus direitos.”
O ato unificado 1º de Maio da Classe Trabalhadora foi organizado por setes centrais sindicais do Distrito Federal, com atrações culturais e discursos.
O movimento argumenta que a redução da jornada, ao contrário do que dizem empresas, não prejudica a economia e aumenta a produtividade, sendo uma questão de justiça social e um direito dos trabalhadores.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores no Distrito Federal (CUT-DF), Rodrigo Rodrigues, cita exemplos de sucesso na redução da jornada e critica o que classificou como “terrorismo” feito por algumas empresas.
“O descanso é uma necessidade humana e apenas um dia de descanso coloca os trabalhadores em uma situação de desprezo e de desgaste muito grandes. Portanto, reduzir a jornada é uma [questão de] justiça social, é um direito do trabalhador ao seu tempo e é também uma medida inteligente das empresas que fazem porque elas aumentam a produtividade, ao contrário do que diz o terrorismo que está sendo pregado.”
Lutas
A trabalhadora informal Idelfonsa Dantas participou da manifestação em busca de melhores condições para a população e, especificamente, pela redução da escala de trabalho. A vendedora considera que a luta deve ser diária.
“A gente sempre busca o melhor para a população trabalhadora.”
As bibliotecárias Kelly Lemos e Ellen Rocha passaram no concurso público da Secretaria de Educação do Distrito Federal em 2022 e estão desempregadas.
Enquanto, aguardam a nomeação para as vagas, elas lutam pela valorização das carreiras dos profissionais de educação e por melhores oportunidades.
“As crianças precisam de professores mais valorizados nas escolas”, defendeu Elen Rocha.
Tempo livre
Os cartazes com frases pelo fim da escala de trabalho 6×1 contribuíram para que três mulheres se unissem durante o protesto para defender mais tempo livre e, assim, garantir autocuidado, lazer e convivência em família.
A estagiária de psicopedagogia Ana Beatriz Oliveira, de 21 anos, trabalha com desenvolvimento de crianças neuro divergentes e tem duas folgas semanais.
Ela conta que por um ano trabalhou em grandes centros logísticos, com jornadas exaustivas que invadiam a madrugada e incluíam turnos dobrados. Como consequência, percebeu prejuízos em sua formação educacional e na saúde.
Ao mudar para escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso (5×2), Ana Beatriz percebeu melhorias na qualidade do sono, da alimentação, além de mais disposição no dia a dia.
“Sou extremamente contra a escala 6×1. Essa tem que acabar para ontem. Vejo que a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40, é muito possível. Se fizer tudo direito, com o planejamento das escalas, a gente vai trabalhar mais descansado, com mais qualidade e produzir mais.”
A aposentada Ana Campania chama a escala 6×1 de “escala da escravidão” e foi ao ato exigir o fim da precarização da mão de obra.
“Hoje é o nosso dia de luta por melhores condições. Principalmente, nesse momento que querem acabar com conquistas de muitas décadas. Por exemplo, a estabilidade dos servidores, garantias da CLT [Consolidação das Leis do Trabalho].”
Jornada feminina
Sindicalista com atuação de longa data na defesa dos direitos de operadores de telemarketing, Geraldo Estevão Coan veio ao ato desta sexta-feira e aproveitou para protestar por outra pauta: o fim da jornada dupla e até mesmo tripla que as mulheres trabalhadoras enfrentam no país. Para ele, os homens precisam compartilhar as tarefas de cuidado da casa e filhos
“O fim da escala 6×1 tem que beneficiar muito mais as mulheres. Nós, os maridos, também temos que nos conscientizar de que não é só a mulher que precisa cuidar da casa.”
Confronto
O ato em Brasília registrou um confronto entre manifestantes e apoiadores de Jair Bolsonaro. Tudo aconteceu depois que os simpatizantes levaram um boneco do ex-presidente em tamanha real vestido com uma capa da bandeira da Brasil.
O gesto durante o ato público foi encarado como provocação pelos manifestantes no Eixão Sul. Houver troca de insultos e socos, mas o princípio de tumulto foi contido pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).
“Pessoas com posicionamentos ideológicos divergentes iniciaram provocações e embates verbais entre si. As equipes policiais atuaram de forma rápida restabelecendo a ordem pública sem registro de ocorrências graves”, diz a publicação da PMDF.
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