Inandimplência em alta

 BAIXA NO NÚMERO DE CONSULTAS A CPF E CNPJ E ALTA DOS NEGATIVADOS PREOCUPAM COMÉRCIO EM RONDONÓPOLIS

Dados do Painel de Eficiência da CDL mostram redução na procura e oferta de crédito impactados por forte aumento da inadimplência no comércio local

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Economia

Foto:Prefeitura Rondonopolis

De 2022 a 2024, o comércio varejista de Rondonópolis enfrenta baixa procura e oferta de crédito e, em contrapartida, aumento significativo nos números da inadimplência em nível local. É o que mostra o Painel de Eficiência, levantamento da Câmara de Dirigentes Lojistas de Rondonópolis (CDL), com base nos registros de consultas e negativações no sistema oficial do SPC Brasil. 

Baixa procura e oferta de crédito, na prática, podem representar menos movimentação de consumidores no comércio varejista local e, claro, menos negócios formalizados. As consultas aos dados dos clientes são parte das tratativas de negociação, em especial no que diz respeito a parcelamento, compras no cartão e condições especiais, por exemplo. Somados aos dados da inadimplência crescente nos últimos três anos (22, 23 e 24), os números apontam para um cenário de crise menos ou mais acentuada, de acordo com cada período do ano. 

Do número de consultas, o Painel de Eficiência da CDL mostra que em 2024, todos os meses registraram índices menores que os correspondentes em meses em 2023. Em outubro deste ano, dado mais recente, foram registradas 43.132 consultas a CPF ou CNPJ, 21% a menos do que havia sido registrado em outubro do ano anterior (54.266 consultas). As variações negativas, ou seja, as quedas, vão de –9% a –25%. O índice mais baixo na comparação 23/24 foi registrado em março. 

No comparativo mais antigo, entre 22/23, a variação foi menos sentida, conforme os dados do levantamento. Ainda assim, apenas nos três primeiros meses de 23 o número de consultas foi positivo, indicando maior busca por crédito no comércio local. Em agosto de 23, a queda chegou a –20% na comparação do período. 

Para o presidente da CDL de Rondonópolis, dr. Leonardo Santos de Resende, o levantamento confirma a sensação de parte do comércio varejista local. “Os números têm confirmado que nós temos escutado do comércio local, que as vendas têm caído ultimamente. Isso preocupa porque os lojistas precisam constantemente buscar formas alternativas para atrair cada vez mais o seu cliente e muitas coisas influenciam nisso, nessa diminuição das vendas. O e-commerce, a diminuição do poder de compra do consumidor e, agora por último, a situação das bets (apostas esportivas e cassinos online). Enfim, são muitos desafios”, diz. “Junta-se a isso, também, o poder de compra reduzido da população. Isso causa grande preocupação”, completa.

O presidente pontua, ainda, a recuperação lenta do comércio varejista no chamado pós Covid. “No Covid o comércio foi muito penalizado, com diminuição clara de consumo, o quedificultou muito para o comércio local. Comércio, processadores de serviço em geral… tudo impactou e isso torna cada vez mais difícil quando se fala em fechar as contas no final do mês. O faturamento cai e, consequentemente, a capacidade de pagamento para os colaboradores também cai, podendo gerar até diminuição dos empregos”, ressalta. “Como sempre os lojistas, os empreendedores tem que buscar formas alternativas de resolver o problema. Os problemas estão aí, não adianta esconder, mas é preocupante”, afirma.

Inadimplência 

Em outro recorte do Painel de Eficiência da CDL, os númerosde negativados mostram variações de até 134% na comparação 22/23. O índice foi registrado no mês de junho. Neste período de comparação, apenas em julho e agosto houve queda. 

A negativação no sistema do SPC Brasil é feita por cada lojista credor, que passa a considerar o consumidor como inadimplente, em média, após 90 sem a regularização da parcela do produto adquirido. Uma vez incluídos, os dados são contabilizados na plataforma. “É importante destacar que o aumento do número dessas negativações reflete claramente a diminuição de capacidade das pessoas para compra. E é aquela compra do boleto, aquela compra que acaba sendo a última que o cliente paga”, argumenta Resende. “Quando se compra no cartão de crédito, isso não vem para nós, não tem implicação para o comércio local. Já essas compras a prazo, parceladas, é que acabam gerando problema. E isso vai dificultando cada vez mais. A pessoa está endividada, está negativada, vai comprar, não consegue comprar. Se ela não consegue comprar prazo seu poder de compra diminui, e se o poder de compra diminui as lojas não conseguem vender. Éuma bola de neve. E aí se mantém a esperança do lojista, que é sempre receber em curto prazo, mas não é fácil”, analisa o presidente.

Após os picos de negativações entre 22/23, o Painel de Eficiência da CDL mostra que no período 23/24, mês a mês, o cenário se alternou em estabilidade ou leve queda. A maior redução, ou seja, exclusão de cadastros negativados, ocorreu em janeiro, com –28%. Já em maio, o número voltou a subir, chegando a uma variação de 64%. Foram negativados 6.983 consumidores, contra 4.268 registrados em 2023. 

O Painel de Eficiência da CDL mostra, ainda, o número de negativações ativas. Em outubro deste ano, 59. 471 clientes constam como negativados no sistema do SPC. A título de comparação, no mesmo período em 2023 o índice apontava 52.797 negativações. Desde janeiro, o número de registros ativos, ou seja, negativados, superou mês a mês os índices registrados em 2023. As maiores variações, por enquanto, ocorreram em maio e outubro, com 13%. 

Apoio e expectativas

Resende lembra, ainda, que a CDL de Rondonópolis vem buscando alternativas para ajudar o empreendedor, o lojista empresário a receber essas contas. “E também ao consumidor também de pagar, porque também é tanto importante para o lojista receber, mas também é importante para o consumidor poder regularizar seu crédito. E uma vez regularizado seu crédito, ele consegue voltar a comprar”, diz. “Uma dessas formas é o que nós fizemos ouvindo o Tribunal de Justiça, recebendo recentemente o desembargador Mário Kono, que veio à CDL falar justamente sobre essa possibilidade na central de conciliação. Enfim, não dá para ficar só reclamando, a gente tem que correr atrás e buscar alternativas para ajudar”, diz.

Das expectativas, o comércio varejista de Rondonópolis segue se preparando para aquecer as vendas nesta época de final de ano. “O nosso comércio varejista sempre vive lutando na expectativa de melhora. Foi assim, por exemplo, com a nossa Liquidaqui 2024, que trouxe um aumento no consumo naquela semana de setembro, o que ajudou bastante. Agora temos o Natal, que gera expectativa também de aumento de vendas. O cenário pode não ser o mais bonito, mas a gente não pode perder a esperança. Nós temos neste mês ainda a Black Friday, sempre recomendamos sempre aos consumidores que busquem comprar nas lojas locais, no comércio local, porque é aqui que gira a economia”, diz Resende. “A expectativa do comércio local, do varejista, dos prestadores de serviço, é sempre de melhoria. E vamos continuar fazendo de tudo para que isso aconteça. A CDL é parceira e quer que isso aconteça todo dia”, finaliza.

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Arrecadação federal cresce 5,62% em setembro e soma R$ 239,4 bilhões

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A arrecadação das receitas federais somou R$ 239,4 bilhões em setembro, informou nesta quinta-feira (22) a Receita Federal. O valor representa crescimento real de 5,62%, descontada a inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), na comparação com setembro de 2025.

De janeiro a setembro, a arrecadação alcançou R$ 2,351 trilhões, com alta real de 6,97% em relação ao mesmo período do ano passado.

As receitas administradas pela Receita Federal totalizaram R$ 231,4 bilhões em setembro, com crescimento real de 5,03%. Nos nove primeiros meses do ano, a arrecadação dessas receitas chegou a R$ 2,25 trilhões, alta real de 6,89%.

Segundo a Receita, o resultado foi impulsionado principalmente pelo aumento da arrecadação da contribuição previdenciária, do PIS/Cofins, do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre rendimentos de capital e do recolhimento de Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). O órgão também destacou a arrecadação do Imposto de Exportação sobre óleo bruto.

Previdência

A arrecadação previdenciária somou R$ 64,6 bilhões em setembro, com alta real de 6,18%. O resultado refletiu os aumentos reais observados de 1,72% da massa salarial em agosto de 2026 (na comparação com o mesmo mês do ano anterior), bem como de 7,42% na arrecadação do Simples Nacional previdenciário em setembro de 2026 em relação a setembro de 2025.

Deve-se ainda ao crescimento de 14,88% no montante das compensações tributárias com débitos de receita previdenciária em relação a setembro de 2025.

“Houve, também, a reoneração escalonada da contribuição patronal dos municípios e da folha de pagamentos”, complementou a Receita.

Importações e rendimentos de capital

Os tributos incidentes sobre as importações arrecadaram R$ 13,3 bilhões no mês, com alta real de 21,07%, influenciados pelo crescimento das importações e pelo aumento das alíquotas efetivas de tributos e com o decréscimo de 4,15% na taxa média de câmbio.

O IRRF sobre rendimentos de capital somou R$ 12,06 bilhões em setembro, com alta real de 9,68%, impulsionado pelo aumento da arrecadação sobre aplicações de renda fixa e pela tributação de dividendos.

Acumulado do ano

No acumulado do ano, a arrecadação da Previdência alcançou R$ 575,9 bilhões, com alta real de 5,16%. Já o IRPJ e a CSLL arrecadaram R$ 444,2 bilhões, com alta de 5,76%.

O IRRF sobre rendimentos de capital arrecadou R$ 131,15 bilhões entre janeiro e setembro, com alta real de 17,57%. No mesmo período, o PIS/Pasep e a Cofins somaram R$ 466,55 bilhões – aumento real de 4,1%.



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