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AL aprova RGA de 5,4%; aumento será pago já em janeiro

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Por unanimidade, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso aprovou o projeto do Executivo que prevê uma recomposição salarial de 5,40% aos servidores públicos do Estado. A folha de janeiro já deve ser paga com o reajuste salarial.

Inicialmente, o Governo encaminhou o índice de 4,26%, conforme cálculo do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Todavia, diante da mobilização de servidores, deputados da base se reuniram com o Governo e chegaram a um consenso de ampliar o índice.

Na tarde de hoje, foi definido o índice de 5,4%. “Em sete anos do governo, pela primeira vez, fruto do trabalho da Assembleia Legislativa, junto com os nossos servidores, nós vamos ter uma reposição acima da inflação”, relatou o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (PSB), um dos principais articuladores do novo índice.

Os sindicalistas também entenderam como uma “vitória provisória” um aumento acima da inflação. O desejo inicial era de negociações que chegassem ao índice de 19,52%, considerando perdas de anos em que o Estado enfrentou crise financeira e a pandemia da Covid19.

“Satisfeito a gente não está nunca. Mas houve um avanço, mesmo que mínimo, e temos que ter bom senso. A luta vai continuar e estamos na busca e outras soluções que sejam viáveis ao servidor”, afirmou Carmem Machado, presidente da Federação Sindical dos Servidores Públicos de Mato Grosso.

Com o consentimento dos servidores, os deputados de oposição descartaram pedir vistas e a proposta foi votada ainda nesta quarta.



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Morre a demógrafa Elza Berquó, referência em estudos populacionais 

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Faleceu nesta quinta-feira (16), em São Paulo, aos 100 anos, a demógrafa Elza Salvatori Berquó. Professora e cientista, matemática em sua primeira formação, atuou por décadas na compreensão do Brasil, analisando dados demográficos e censitários.

Elza se destacou na articulação de alguns dos centros de pesquisa mais importantes do continente, fundamentais para entender o Brasil, sua urbanização e as transformações que marcaram nosso país entre as décadas de 1960 e 2000. 

Defendia o acesso aos métodos contraceptivos, ao aborto e aos direitos reprodutivos de forma consciente e esclarecida por toda a população, além de discutir, com persistência e rigor, problemas como a mortalidade infantil.

“Ela trouxe ao mesmo tempo o rigor acadêmico e o compromisso político com os direitos humanos, o que é uma coisa rara”, disse a fundadora da ONG Cepia Cidadania, Jacqueline Pitanguy, em entrevista ao programa Viva Maria, na Rádio Nacional. 

Natural de Guaxupé (MG), Elza estudou Matemática na Universidade Católica de Campinas, concluiu mestrado em Estatística pela Universidade de São Paulo (USP) em 1949 e fez Especialização em Bioestatística na Columbia University, USA, no ano seguinte.

Se destacou em 1965, ao analisar o desenvolvimento da população paulista a partir dos censos de 1940 e 1950. Atuando na Faculdade de Saúde Pública da USP, foi aposentada compulsoriamente em 1968.

No ano seguinte participou da fundação do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), ao lado de Fernando Henrique Cardoso, Octávio Ianni, José Arthur Giannotti e outros intelectuais que a ditadura tentava calar.

“Elza é a história da demografia no Brasil e, particularmente, da Unicamp, que se tornou pioneira nos estudos na área e abriu um flanco importante para o desenvolvimento da pesquisa e do ensino”, disse o ex-coordenador do Nepo-Unicamp José Marcos Cunha. 

Berquó foi uma das fundadoras do Núcleo de Estudos de População da Unicamp (Nepo-Unicamp), que desde 2014 leva seu nome. A instituição também centralizou as comemorações de seu centenário, em outubro do ano passado, em justas homenagens a sua presença e legado. 

“Hoje é um dia triste porque perdemos uma mulher fantástica, uma cientista inspiradora. Mas, ao olhar para a vida de Elza, celebramos suas conquistas, as pessoas que ela formou, as instituições que criou e sua trajetória incrível”, comentou a cientista social, antropóloga e demógrafa Gláucia Marcondes, atual coordenadora do Nepo.

Em 1995, fundou e presidiu a Comissão Nacional de População e Desenvolvimento, órgão do governo federal que assessora a tomada de decisões estratégicas nesse campo.

“Elza Berquó, nossa primeira presidente da CNPD, acreditou profundamente no Brasil, contribui para a ampliação dos direitos humanos de todas as pessoas, viu pessoas atrás dos números e defendeu ao longo de toda sua vida, no marco dos seus 100 anos, a democracia e as políticas públicas baseadas em evidências”, aponta o presidente da CNPD, Richarlls Martins.

“Elza é a mãe da demografia brasileira, teve uma trajetória excepcional no desenvolvimento de instituições relevantes na área, como a criação da ABEP, do NEPO e da Comissão Nacional de População e Desenvolvimento do Governo Federal (CNPD).”, afirmou o Acadêmico Eduardo Rios Neto, que trabalhou junto a Elza na ABEP.



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