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Cemitério do Porto, Cuiabá: conheça o trabalho diário do coveiro Alan

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O trabalho diário do coveiro Alan, um dos profissionais braçais que compõem a equipe do Cemitério do Porto, em Cuiabá, começa bem cedo. Alan chega ao Campo Santo antes das 7h, já sendo informado sobre os sepultamentos que acontecerão naquele dia, bem como as gavetas que terão de ser “preparadas” para acomodar novos corpos. Nos últimos meses, essa atividade tem exigido mais esforço dele e dos colegas, em face das mortes sequenciais provocadas pela pandemia. “Realizamos de seis a oito enterros diários. Desses, mais da metade procede da covid-19. Doença que tem trazido muita gente pra cá”, diz.

Alan informou que o Cemitério do Porto acondiciona cerca de cinco mil corpos em gavetas, jazigos, sepulturas comuns, criptas, etc. “São espaços particulares, normalmente restritos a famílias. É preciso então retirar os ossos da gaveta superior, mas não sem antes checar seu tempo de permanência ali. O período mínimo {para retirada dos ossos} é de 3,5 anos e meio, nunca antes disso. Se o prazo corresponde, os ossos são acondicionados na gaveta inferior, enquanto a parte superior é preparada novamente, a fim de receber outro corpo”.

Segundo o coveiro, ocorre também de algumas roupas ainda estarem quase intactas no que restou dos corpos. “Pegamos tudo {roupas, restos da urna funerária} e descartamos adequadamente, à parte do cemitério. Isso é um trabalho rotineiro, posto que todos os dias o Cemitério do Porto recebe mais corpos. E não é incomum a ocorrência de muitos carros funerários aguardando a hora do sepultamento na avenida aí em frente {Ipiranga}, somando-se aos veículos dos cortejos”.

“Ser coveiro não é vergonhoso, pelo contrário: tenho orgulho”

Para o jovem coveiro, ainda que cemitérios encampem tristeza, lugar de saudades, reclusão perpétua de alguém que já esteve entre os vivos, o trabalho do coveiro não é ultrajante à dignidade humana, como alguns chegam a pensar. “Por que ter vergonha de ganhar o pão honestamente? É o meu trabalho, e poderia ser qualquer outro. Não há motivos para ficar envergonhado ou me sentir menosprezado”.

Apesar de tanta dedicação à profissão, Alan reconhece que as funções de coveiro dificilmente constam entre as merecedoras de reconhecimento popular. “Fala-se muito no trabalho dos médicos, agentes de Saúde, bombeiros, etc, realmente funções destacadas, pois fazem muito em prol da sociedade. Mas já é meio difícil, convenhamos, elogios à nossa categoria. E somos as principais testemunhas diárias da dor coletiva que essa doença tem causado ao mundo. Afinal, por sermos responsáveis pela parte de sepultamentos, assistimos despedidas, os momentos finais das cerimônias fúnebres. Isso mexe com o emocional também dos coveiros, lógico; não somos insensíveis”.

Ao falar sobre isso, o coveiro Alan fez pausa motivada por notória emoção. Na sequência, explicou ser mais fácil quando os sepultamentos são rápidos, sem cerimônias demoradas de despedida, o que acontecia normalmente antes da pandemia. “Nós, coveiros, ficamos ali o tempo todo, assistindo, passo a passo, cada evolução da cerimônia. E é muito triste quando o corpo baixa à sepultura e todos choram. Imagine nossa cabeça ao enterrar uma criança inocente… Mexe muito com o emocional de qualquer um, por mais equilibrado que seja. Por ser coveiro, nunca deixamos de ser humanos”.

Por João Carlos de Queiroz

 

 

 

 

 

 

 

 

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Ex-secretária de Saúde de Cuiabá é alvo de denúncia por supostos benefícios; Prefeitura nega irregularidades

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Servidores da Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá denunciaram supostas irregularidades ao Site Afolhanews envolvendo a ex-secretária Danielle Carmona nos últimos dias à frente da pasta.

De acordo com os relatos, a ex-gestora teria se autolotado no próprio gabinete para garantir o recebimento do chamado “prêmio saúde”, no valor de R$ 2 mil. Além disso, também teria concedido a si mesma um período de 60 dias de férias.

A situação provocou revolta entre profissionais da rede municipal, principalmente da enfermagem. Segundo os denunciantes, a gestão costumava negar pedidos de férias superiores a 30 dias para servidores da linha de frente, sob a justificativa de falta de pessoal nas unidades de saúde.

Os servidores apontam ainda incoerência entre discurso e prática da administração municipal. Durante a inauguração da Unidade de Saúde da Família (USF) do bairro Pedregal, o prefeito teria afirmado que não autorizaria férias sem a devida substituição de profissionais, o que reforçou a percepção de tratamento desigual dentro da pasta.

Danielle Carmona é servidora efetiva do município e atua como enfermeira de carreira. Conforme os relatos, ela teria se beneficiado de decisões administrativas tomadas enquanto ainda ocupava o cargo de secretária.

Prefeitura nega irregularidades

Em nota, a Prefeitura de Cuiabá afirmou que não há irregularidades na situação funcional da ex-secretária.

Segundo o município, Danielle Carmona possui todos os direitos garantidos por lei, incluindo férias e benefícios como o prêmio saúde, desde que atendidos os critérios estabelecidos.

A gestão também informou que a lotação em gabinete é um ato administrativo regular, especialmente em períodos de transição, e que a permanência da servidora no local foi previamente alinhada com a atual direção da Secretaria.

Sobre os 60 dias de férias, a Prefeitura destacou que a concessão ocorreu dentro da normalidade administrativa e já havia sido informada anteriormente, não havendo qualquer excepcionalidade.

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