FUTURO SOMBRIO
“Várzea Grande ainda vai sofrer muito”, afirma Wanderley Cerqueira
Falar é fácil, e prometer isso e aquilo, mais ainda. O mais importante é cumprir à risca o prometido.
Política
Enquanto muitos municípios comemoram a mudança de gestores administrativos após as eleições, com a instituição de medidas que contemplem efetivamente servidores e a população local, em Várzea Grande – segunda maior cidade de Mato Grosso – ocorre justamente o contrário. Explica-se: mal assumiu, a prefeita Flávia Moretti despejou uma ducha de água fria nas expectativas de quem esperava dela as soluções anunciadas em campanha. Esse desencanto tem sido gradativo, e atingiu inclusive a Câmara Municipal, que diz não acreditar mais naquilo que a atual gestora apregoa como realidade próxima.
Para o presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira [MDB], já não há equilíbrio confiável no trilhar do carro do Executivo, que ora bamboleia feito uma carruagem do velho western. Esse descompasso de percurso tem trazido não apenas preocupação parlamentar, mas também muitas incertezas; dúvidas que se acoplam ao presente e futuro da Cidade Industrial.

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“Pelo que a maioria das pessoas tem comprovado, houve muita falácia de Flávia e, na prática, nenhuma medida posterior, após a posse, que respalde aquelas promessas de campanha. Falar é fácil, e prometer isso e aquilo, mais ainda. O mais importante é cumprir à risca o prometido. Eu, por exemplo, orgulho-me da minha palavra, posto que sempre cumpro o que prometo. Minha palavra é documental”, frisa.
Cerqueira não esconde mágoa de a prefeita ter voltado atrás na promessa de ceder o prédio do antigo Fórum de VG ao legislativo local. Foi uma decisão que qualifica de maldosa, levando-se em conta que era fato consumado tal transferência da atual sede do Legislativo para o prédio da Avenida Castelo Branco.

Foto: Reprodução/Instagram
“Se a prefeita quis assim, retroagir numa decisão que estava legalizada, visto que revogou o decreto de cessão daquele prédio, ficamos também duvidosos em relação a outras coisas que podem ser igualmente banidas do seu horizonte de promessas. E não será surpresa, aliás, se esse desmonte das falácias acontecer ainda neste primeiro semestre. Após ser eleita, ela se “descomprometeu” de várias coisas, antes declaradas publicamente”.
ÁGUA POTÁVEL: MAIOR DILEMA DE VG
A questão da água, que agora tem merecido mais atenção da prefeita/DAE, por conta da pressão da imprensa, é uma outra questão que Wanderley Cerqueira cita como prova irrefutável de que não se pode confiar em promessas de palanque. Clara referência ao discurso da então candidata Flávia Moretti.
“Tudo bem que ela está iniciando a sua administração, e é preciso “darmos um tempo”, até para que consiga oxigenar a gestão, vislumbrar os caminhos a seguir. Só que a imprensa estranhou quando a prefeita desconversou numa entrevista sobre a água. Disse que aquele encontro era para discutir questões de saúde, não de saneamento básico”.
Com tantos senões, o presidente do Legislativo diz estar disposto a colaborar com a atual gestão várzea-grandense.
“O palanque eleitoral ficou lá atrás, e daqui para a frente resta é trabalharmos firmes, no geral. E o Parlamento irá apoiar a gestão municipal em tudo que for salutar para o município e seus habitantes. Agora, se os projetos da prefeita não contemplarem o social, ou estiverem em desacordo com aquilo que entendemos ser justo, aí ela irá conhecerá nossa força parlamentar opositora”.
Finalizando, Cerqueira disse que também se encontra em início de mandato e, a exemplo da prefeita, quer se inteirar de tudo que acontece ao seu redor, para melhor poder contemplar os munícipes que vão à Casa de Leis e apresentam propostas para a concepção de projetos parlamentares.
“É mais ou menos assim: é preciso dar tempo ao tempo. De repente, mais à frente, ela [Flávia Moretti] pode até nos surpreender com medidas que se aproximem das soluções tanto ansiadas pelos moradores. Dessa forma, terá na Câmara Municipal um aliado precioso para tocar a sua administração. O futuro dirá se estamos certos ou errados”.
Política
Flávia Moretti veta passe livre para autistas e pessoas com fibromialgia em Várzea Grande
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), vetou integralmente o projeto de lei que ampliava o acesso ao transporte coletivo gratuito para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e fibromialgia. A proposta, aprovada pela Câmara Municipal, também previa a concessão do benefício a acompanhantes quando houvesse necessidade comprovada.
O veto foi publicado na terça-feira (20) no Jornal Oficial Eletrônico dos Municípios de Mato Grosso. A decisão atinge o Projeto de Lei nº 211/2026, de autoria do vereador Miguel Angel Claros Paz Junior, que alterava a Lei Municipal nº 4.478/2019, responsável por regulamentar a gratuidade no transporte para pessoas de baixa renda com transtornos mentais em tratamento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).
Com a mudança proposta pelos vereadores, pessoas com autismo e fibromialgia poderiam solicitar o benefício mediante apresentação de documentação médica e parecer social, conforme os critérios previstos na legislação.
A justificativa do Executivo para barrar a medida é a ausência de definição sobre a origem dos recursos necessários para financiar a ampliação do passe livre, além de questionamentos sobre os cálculos apresentados para estimar os custos da proposta.
Durante a tramitação do projeto, foi apresentada uma estimativa de impacto financeiro de R$ 83,6 mil mensais, o equivalente a R$ 1.003.200 por ano. O cálculo considerou 380 cartões de transporte, uma média de 44 viagens mensais por beneficiário e tarifa de referência de R$ 5.
Embora a Procuradoria Legislativa tenha reconhecido que a operação matemática estava correta, o parecer técnico apontou falta de informações que comprovassem os números utilizados. Entre as dúvidas estão a quantidade real de beneficiários, a frequência de uso dos ônibus e o número de acompanhantes que poderiam receber a gratuidade.
A análise também destacou a ausência de estudos sobre os efeitos da ampliação do benefício nos contratos do transporte coletivo e sobre a eventual necessidade de compensação financeira à empresa responsável pelo serviço.
Outro questionamento envolve a compatibilidade da despesa com o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA).
Critérios para concessão também foram questionados
Além das questões financeiras, o parecer jurídico apontou dúvidas sobre os critérios de acesso ao benefício. A legislação original estabelece requisitos relacionados à baixa renda e ao acompanhamento pelos Caps, mas o projeto não teria esclarecido suficientemente como essas exigências seriam aplicadas às pessoas com autismo e fibromialgia.
Também foram levantadas questões sobre os profissionais habilitados a emitir os documentos exigidos, a necessidade de parecer social e os procedimentos para comprovar que o beneficiário precisa de acompanhante.
Apesar das ressalvas, a análise reconheceu a finalidade social da proposta e a competência da Câmara Municipal para legislar sobre a ampliação de benefícios no transporte público.
Na justificativa do veto, assinada em 14 de outubro, Flávia Moretti considerou que os problemas identificados comprometiam o projeto como um todo. Por esse motivo, optou por vetar integralmente o texto, em vez de barrar apenas parte dos dispositivos.
A Prefeitura indicou que uma nova proposta poderá ser apresentada, desde que inclua estimativa de impacto financeiro, fonte de custeio definida e critérios objetivos para a concessão da gratuidade.
Câmara poderá derrubar veto
Com o veto integral, a ampliação do passe livre prevista no projeto não entra em vigor neste momento. A decisão será encaminhada à Câmara Municipal, que poderá manter o veto da prefeita ou rejeitá-lo, conforme as regras do processo legislativo.
O impasse coloca em discussão tanto a ampliação do acesso ao transporte público para pessoas com autismo e fibromialgia quanto a definição de como o benefício seria financiado pelo município.
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