CULTURA ORGANIZACIONAL
Fortalecimento da governança exige mudança, afirmam auditores
Este foi um dos aspectos destacados por auditores da CGE-MT na última oficina do curso “Fundamentos do Modelo de Excelência em Gestão das Transferências da União
Política
O fortalecimento da governança e da integridade no setor público pressupõe mudança de cultura organizacional. Este foi um dos aspectos destacados por auditores da Controladoria Geral do Estado (CGE-MT) na última oficina do curso “Fundamentos do Modelo de Excelência em Gestão das Transferências da União (MEG-TR)”, promovido pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) e Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag).
Na oportunidade, o auditor Rodrigo Amorim observou que a mudança de mentalidade da organização é o principal desafio para a implementação de mecanismos de liderança, gestão de riscos à integridade e ambiente de controle, com vistas à otimização dos resultados institucionais para a condução de políticas públicas e a prestação de serviços de interesse da sociedade.
“Tudo isso depende de uma mudança de cultura, especialmente das altas lideranças, que devem ser comprometidas e éticas e ter as competências necessárias para o exercício do cargo. Mas também envolve a média gestão e todos os servidores da organização, que igualmente devem prezar pela integridade e pelos valores éticos e pelo desenvolvimento de competências que ajudem a instituição no alcance de resultados que estejam alinhados com as expectativas da sociedade”, pontuou.
A chefe da Unidade de Integridade e Governança da CGE-MT, auditora Cristiane Laura de Souza, ressaltou que o processo de mudança de cultura organizacional, com foco na governança e na integridade, envolve um novo olhar para a execução das atividades diárias, a fim de fortalecer a instituição, detectar pontos de atenção, prevenir, detectar e punir atos de corrupção e desvios de conduta.
“Quando falamos em integridade, compliance e governança, não falamos da criação de uma estrutura completamente alheia à nossa ou desestruturação do que já temos, mas sim de um novo olhar para nossos processos, produtos e entregas à sociedade. Novo olhar voltado ao futuro da organização e à entrega social de qualidade, à sustentabilidade ambiental e aos aspectos econômicos.”
Os auditores salientaram que a governança e a integridade devem ser buscas constantes de uma gestão pela melhoria contínua dos processos organizacionais. “Um sistema de integridade e governança visa à busca pela excelência, como uma forma de incentivo à inovação, fazer diferente para agregar valor à organização”, explicou o auditor Rodrigo Amorim.
Na oportunidade, os representantes da CGE apresentaram aos participantes do curso os conceitos, os fundamentos básicos e a legislação da governança e da integridade pública. Também comentaram sobre uma possível estrutura mínima de governança com base no modelo de três linhas do Instituto dos Auditores Internos (IIA).
No Poder Executivo do Estado de Mato Grosso, o processo de criação e implementação da governança e dos planos de integridade está sob a coordenação da CGE-MT, mas sua efetividade depende do envolvimento de todos os participantes do negócio de cada órgão e entidade estadual (servidores, terceirizados, estagiários, fornecedores, prestadores de serviços etc).
As demais oficinas do curso versaram sobre os seguintes assuntos: estratégias e planos, sustentabilidade, compromisso com as partes interessadas, capital intelectual, orientação por processos e geração de valor público.
Política
Leitura transforma vidas e reduz conflitos no Centro de Detenção de Cáceres
Um projeto que começou atendendo 20 pessoas privadas de liberdade hoje alcança mais de 220 reeducandos no Centro de Detenção Provisório Masculino de Cáceres. Os resultados vão além da remição de pena: melhora na escrita, desenvolvimento do senso crítico, ampliação do vocabulário e até redução de conflitos dentro da unidade prisional.
A experiência foi apresentada durante a capacitação Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena, promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT).
A pedagoga Janaína Cardoso Luiz, que coordena o projeto na unidade junto com a coordenadora Aline Aparecida Rocha, compartilhou os resultados durante capacitação realizada de forma virtual, pela plataforma Teams. Ela relatou que, no início, enfrentou barreiras significativas para levar livros até os reeducandos, inclusive dentro de raios dominados por facções. “A princípio, eu nunca tinha trabalhado nesse projeto de remição pela leitura do sistema prisional. É bem desafiador no primeiro momento, mas o trabalho foi feito com base na leitura, com o intuito de levar conhecimento e promover a reinserção pessoal e social”, disse Janaína.
Com o tempo, o projeto foi ganhando força. Hoje, a pedagoga entra na unidade uma vez por mês para conduzir rodas de conversa, acompanhar as produções escritas dos reeducandos e entender quais novas obras podem atender ao grupo, que já demonstra preferências literárias e tem acesso a dicionários para compreender palavras desconhecidas.
Os resultados foram analisados por meio das resenhas produzidas pelos próprios reeducandos. Segundo Janaína, ao longo do projeto os participantes demonstraram maior capacidade de reflexão sobre suas trajetórias de vida e passaram a reconhecer a leitura como um caminho de transformação. “Houve uma percepção do fortalecimento da redução de conflitos e melhora na convivência dentro do ambiente prisional”, afirmou.
Entre os relatos apresentados na palestra, estava o de um jovem de 23 anos, detento na unidade de Cáceres, que descreveu como os livros trouxeram conhecimento sobre culturas, línguas e histórias de grandes personalidades que marcaram o mundo, e como isso passou a ocupar sua mente de forma produtiva durante o tempo de reclusão. “Quem sabe, como eu falo, vão sair dali pensando em uma faculdade, em traçar novos caminhos”, disse Janaína ao encerrar sua apresentação.
Ação conjunta do Judiciário
A capacitação é uma realização do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Seduc-MT) e do Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/Sejus-MT). A coordenação está a cargo do juiz auxiliar do GMF/TJMT, Pierro de Faria Mendes, responsável pelo Eixo Práticas Educativas.
O evento tem como objetivos capacitar professores e pedagogos para a implementação de práticas de leitura no sistema prisional e alinhar as ações desenvolvidas no estado às diretrizes do Plano Nacional de Fomento à Leitura no Sistema Prisional e à Resolução CNJ nº 391/2021.
Autor: Roberta Penha
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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