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Desarticulação do governo ameaça até saneamento público

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Ao todo, 14 medidas provisórias têm validade até junho e desafiam poder de negociação de Bolsonaro

 

Da Redação

O governo terá, a partir da próxima semana, um teste de peso para sua capacidade de articulação política. Um total de 22 medidas provisórias que tramitam no Congresso estão em vias de serem extintas, um desfecho que causaria problemas que envolvem desde a cobrança de franquias de bagagem em voos até regras gerais do saneamento público.

Das 22 MP’s, 14 têm validade até o dia 3 de junho. A maioria das que vencem nesse período foi editada pelo ex-presidente Michel Temer. Uma delas, a de abertura do setor aéreo para o capital estrangeiro, avançou na semana passada e agora depende de votações nos plenários da Câmara e do Senado. Parlamentares, porém, alteraram a medida e desagradaram órgãos do atual governo.

A retomada da franquia mínima de bagagem e a exigência de uma cota de 5% de rotas regionais em voos de companhias aéreas que venham a se instalar no Brasil foram criticadas pelos ministérios da Economia e do Turismo, além do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e da Agência Nacional de Aviação Civil, que pretendem encaminhar seus pareceres durante as votações.

Até 3 de junho, três medidas assinadas pelo presidente Jair Bolsonaro no início da gestão terão o prazo de vigência terminado, ou seja, correm o risco de perderem a validade se não forem apreciadas pelos deputados e senadores: a reorganização da estrutura ministerial, as regras contra fraudes nos benefícios previdenciários e a ampliação do prazo de pagamento de gratificações da Advocacia-Geral da União (AGU).

No próximo dia 8, comissões mistas do Congresso devem votar a medida que reorganizou os ministérios e a elaborada para combater fraudes no INSS. Cada uma das MP’s recebeu mais de 500 emendas de parlamentares e podem ser modificadas. Depois das comissões, as votações seguem para os plenários da Câmara e do Senado.

Também no radar do governo, a MP que extinguiu o desconto da contribuição sindical na folha de pagamento pode “caducar” no final de junho e é alvo de pelo menos 12 ações no Supremo Tribunal Federal (STF).

O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), disse que pretende apresentar o relatório sobre a MP dos ministérios na terça-feira para que a medida seja votada no dia seguinte. Ele afirmou ao Estado que oito pontos são “discutíveis” para permitir a aprovação. Entre eles estão a devolução do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Justiça e Segurança Pública ao Ministério da Economia, e o retorno da Fundação Nacional do Índio (Funai), hoje sob o guarda-chuva do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, ao Ministério da Justiça. 

A medida é alvo de 541 emendas. Na próxima segunda-feira, Bezerra deve se reunir com o presidente Jair Bolsonaro e com o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, no Palácio do Planalto, para definir seu parecer. 

Antifraude. A medida que busca combater fraudes na Previdência também tem votação marcada para o próximo dia 8. Entre as 589 emendas, parlamentares querem eliminar a necessidade de um cadastro nacional para que agricultores tenham acesso à aposentadoria rural. O texto também inclui a exigência de prova documental de união estável ou de dependência econômica para a concessão da pensão.

“Não sei até que ponto esse pente-fino vai ter condição de arrecadar recursos. É preciso combater fraudes, mas fraudes são exceções nos benefícios”, declarou o deputado Rodrigo Coelho (PSB-SC), para quem as mudanças nas regras vão gerar aumento de ações judiciais contra o INSS.

O relator da medida no Congresso, deputado Paulo Eduardo Martins (PSC-PR), é favorável à iniciativa do governo, mas concorda em alterar alguns pontos, como a carência do auxílio-maternidade.

Martins admitiu que pode acolher alterações que ameaçam a economia de R$ 10 bilhões em um ano prevista pelo Ministério da Economia. “Não posso olhar só a meta fiscal de economia, tenho que considerar a estrutura jurídica do País”. 

Outra medida com previsão de ser votada é a que altera o marco do saneamento básico, com votação para o dia 7. O resultado do texto é monitorado por governos estaduais, que estudam a privatização de estatais de saneamento, como a Sabesp, em São Paulo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: O Estado de S. Paulo / https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,desarticulacao-do-governo-ameaca-ate-saneamento-publico,70002811174

Foto: Edilson Rodrigues/Ag?ncia Senado-20/2/2019

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CMO aprova crédito extra para atender vítimas de desastres climáticos

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A Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprovou na terça-feira (11) uma medida provisória e um projeto de lei que abrem créditos extras de R$ 330 milhões no Orçamento de 2026. A maior parte dos recursos será usada para enfrentar as consequências de desastres climáticos.

A medida provisória (MP 1.356/2026) liberou R$ 305 milhões para atender famílias atingidas por fortes chuvas nas Regiões Sul e Sudeste entre janeiro e abril, além de combater os impactos da estiagem no Norte e no Nordeste do país.

O governo informou que os desastres afetaram aproximadamente 5 milhões de pessoas, das quais 203 mil estavam em situação de deslocamento forçado em cerca de 1.240 municípios das cinco regiões do país.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), relatora da MP, foi favorável ao texto, mas cobrou do governo mais planejamento para enfrentar as mudanças climáticas, dizendo que “governar pela exceção virou rotina”.

“Há tempo demais o governo brasileiro insiste em tratar como imprevisível aquilo que se repete a cada ano. Governa-se pela urgência e pela exceção, pelo crédito aberto às pressas depois que a tragédia já bateu à porta, quando o dever de quem cuida do Orçamento seria antecipar o que o calendário e a própria ciência há muito anunciam”, alertou.

A senadora lembrou que o governo editou 21 medidas provisórias de crédito extraordinário neste ano, no valor total de R$ 95,4 bilhões. Ela também criticou medidas relativas a subsídios e linhas de crédito.

O governo tem justificado as medidas de subsídios aos combustíveis para minimizar o impacto nos preços em razão da guerra no Oriente Médio. Os créditos extraordinários não afetam a meta fiscal do governo (que é de um superávit de R$ 34,3 bilhões), mas elevam a dívida pública.

A medida provisória será votada agora nos Plenários da Câmara e do Senado.

Agências reguladoras

A outra proposta aprovada na CMO na terça (PLN 15/2026) abre crédito suplementar de R$ 24,4 milhões para atender despesas administrativas das agências reguladoras Antaq (transportes aquaviários), Aneel (energia elétrica), ANM (mineração), Anvisa (vigilância sanitária) e ANA (águas).

O deputado Mauro Benevides Filho (União-CE), que leu o relatório do projeto de lei do Congresso, explicou que o crédito é resultado de remanejamentos de despesas no Orçamento.

O projeto será votado em sessão conjunta do Congresso Nacional.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado



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