Proibição aprovada
Deputado Júlio Campos defende o fim da distribuição de marmitas a moradores de rua.
Abilio anunciou sua pretensão de cortar o fornecimento de marmitas a moradores de rua na semana passada
Política
O deputado estadual Júlio Campos (União) durante um entrevista saiu em defesa da medida do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), em proibir a distribuição de marmitas à população de rua da capital, alegando que o novo prefeito merece um voto de confiança. Ele falou com a imprensa nesta quarta-feira, 22 de janeiro.
“Essa ideia eu acho até muito válida. Creio que se ele tiver chances de criar em vários pontos da cidade, centros de acolhimento, de recuperação das pessoas drogadas, dos moradores de rua, seria de bom tamanho. Acho que ele merece um voto de confiança nesse sentido. Agora vamos ver se é possível que será também legalidade nessa atitude dele, dependendo da consulta ao Ministério Público e ao próprio poder judiciário”, disse Júlio.
O prefeito alega que, após as refeições, as marmitas são descartadas com restos de comida nas ruas da cidade, por vezes, nos arredores de onde essas mesmas pessoas dormem. O gestor pontua que esse cenário traz riscos de doenças aos próprios moradores de rua.
A proposta de Brunini é criar centros de acolhimento pela cidade, onde essas pessoas receberão, além das refeições, atendimento médico e psicológico, além de poderem fazer sua higiene pessoal. Uma das opções também é encaminhar esse público para fazer a refeição no Restaurante Popular.
A medida não foi bem recebida por lideranças políticas e o assunto virou pauta de veículos nacionais. Inclusive, o padre Júlio Lancellotti, conhecido por seu trabalho junto a moradores de rua de São Paulo, criticou a política de Abilio.
Política
Flávia Moretti veta passe livre para autistas e pessoas com fibromialgia em Várzea Grande
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), vetou integralmente o projeto de lei que ampliava o acesso ao transporte coletivo gratuito para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e fibromialgia. A proposta, aprovada pela Câmara Municipal, também previa a concessão do benefício a acompanhantes quando houvesse necessidade comprovada.
O veto foi publicado na terça-feira (20) no Jornal Oficial Eletrônico dos Municípios de Mato Grosso. A decisão atinge o Projeto de Lei nº 211/2026, de autoria do vereador Miguel Angel Claros Paz Junior, que alterava a Lei Municipal nº 4.478/2019, responsável por regulamentar a gratuidade no transporte para pessoas de baixa renda com transtornos mentais em tratamento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).
Com a mudança proposta pelos vereadores, pessoas com autismo e fibromialgia poderiam solicitar o benefício mediante apresentação de documentação médica e parecer social, conforme os critérios previstos na legislação.
A justificativa do Executivo para barrar a medida é a ausência de definição sobre a origem dos recursos necessários para financiar a ampliação do passe livre, além de questionamentos sobre os cálculos apresentados para estimar os custos da proposta.
Durante a tramitação do projeto, foi apresentada uma estimativa de impacto financeiro de R$ 83,6 mil mensais, o equivalente a R$ 1.003.200 por ano. O cálculo considerou 380 cartões de transporte, uma média de 44 viagens mensais por beneficiário e tarifa de referência de R$ 5.
Embora a Procuradoria Legislativa tenha reconhecido que a operação matemática estava correta, o parecer técnico apontou falta de informações que comprovassem os números utilizados. Entre as dúvidas estão a quantidade real de beneficiários, a frequência de uso dos ônibus e o número de acompanhantes que poderiam receber a gratuidade.
A análise também destacou a ausência de estudos sobre os efeitos da ampliação do benefício nos contratos do transporte coletivo e sobre a eventual necessidade de compensação financeira à empresa responsável pelo serviço.
Outro questionamento envolve a compatibilidade da despesa com o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA).
Critérios para concessão também foram questionados
Além das questões financeiras, o parecer jurídico apontou dúvidas sobre os critérios de acesso ao benefício. A legislação original estabelece requisitos relacionados à baixa renda e ao acompanhamento pelos Caps, mas o projeto não teria esclarecido suficientemente como essas exigências seriam aplicadas às pessoas com autismo e fibromialgia.
Também foram levantadas questões sobre os profissionais habilitados a emitir os documentos exigidos, a necessidade de parecer social e os procedimentos para comprovar que o beneficiário precisa de acompanhante.
Apesar das ressalvas, a análise reconheceu a finalidade social da proposta e a competência da Câmara Municipal para legislar sobre a ampliação de benefícios no transporte público.
Na justificativa do veto, assinada em 14 de outubro, Flávia Moretti considerou que os problemas identificados comprometiam o projeto como um todo. Por esse motivo, optou por vetar integralmente o texto, em vez de barrar apenas parte dos dispositivos.
A Prefeitura indicou que uma nova proposta poderá ser apresentada, desde que inclua estimativa de impacto financeiro, fonte de custeio definida e critérios objetivos para a concessão da gratuidade.
Câmara poderá derrubar veto
Com o veto integral, a ampliação do passe livre prevista no projeto não entra em vigor neste momento. A decisão será encaminhada à Câmara Municipal, que poderá manter o veto da prefeita ou rejeitá-lo, conforme as regras do processo legislativo.
O impasse coloca em discussão tanto a ampliação do acesso ao transporte público para pessoas com autismo e fibromialgia quanto a definição de como o benefício seria financiado pelo município.
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