Economia
PIB positivo do 2º trimestre reforça recuperação da economia, dizem economistas
Economia
Destaque é a alta do consumo das famílias, puxada pela liberação do FGTS, mas recuo dos investimentos ainda preocupa, avaliam analistas
Da Redação
A alta de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, após crescimento de 1% no primeiro trimestre, mostra a continuidade do processo de recuperação da economia e confirma a saída da recessão técnica, avaliam economistas.
Segundo a economista-chefe da Rosenberg Associados, Thaís Zara, a recuperação é consistente e está em linha com a projeção da consultoria de avanço 0,7% do PIB do ano. Ela ainda afirma que o grande destaque é o crescimento interanual – comparação com o segundo trimestre do ano passado – de 0,3% (depois de -0,4% na mesma base de comparação de janeiro a março), mostrando que a economia brasileira já está em melhor nível que o de 2016 e que a força da recuperação é maior que a esperada.
Como destaques a economista cita, principalmente, a agropecuária, que ainda mostrou forte crescimento na comparação com o segundo trimestre de 2016, mostrando que as revisões para cima da safra se concretizaram. Segundo ela, esse desempenho da atividade de reflete na queda dos preços de alimentos observados nos índices de inflação ao consumidor.
Outros pontos favoráveis foram o comércio dentro do Setor de Serviços e a indústria Extrativa Mineral e, sob a ótica da demanda, o consumo das famílias. Thaís lembrou da colaboração dos saques do FGTS no período, mas diz que, daqui para frente, a melhora do emprego e do crédito devem continuar a impulsionar o consumo.
Outros pontos favoráveis foram o comércio dentro do Setor de Serviços e a indústria Extrativa Mineral e, sob a ótica da demanda, o consumo das famílias. Thaís lembrou da colaboração dos saques do FGTS no período, mas diz que, daqui para frente, a melhora do emprego e do crédito devem continuar a impulsionar o consumo.
“É um sinal de que a recuperação cíclica está pegando, não é um voo de galinha”, diz o economista e ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman. “O dado mais importante está nas entranhas do PIB: o consumo das famílias, que teve uma melhora bastante expressiva, andando em linha com os números do varejo. Esse dado indica mais uma recuperação do emprego, ligada ao setor de serviços, que também teve um resultado melhor que a agropecuária”, diz.
Investimentos. Sérgio Vale, da MB Associados, diz acreditar que o País decididamente saiu da recessão e que passou no teste do segundo trimestre – por conta da crise política de maio, após as delações da JBS. Ele pondera, no entanto, que os investimentos ainda precisam avançar para que a recuperação possa decolar. “O dado mais preocupante ainda é o de investimentos, mas eles tendem a melhorar no segundo semestre, com uma expectativa de melhora no emprego”, diz. “O consumo das famílias deve cair no PIB, porque a liberação da contas inativas do FGTS teve muito impacto no segundo trimestre, mas o investimento deve compensar parte dessa queda.”
Schwartsman concorda. “Os dados de investimento ainda estão péssimos, mas dentro do esperado, primeiro pela baita capacidade ociosa que ainda inibe investimentos – principalmente na construção civil, que não deve vir forte tão cedo. E outra parte desse freio é pela incerteza política. A gente não sabe quem será eleito no ano que vem e deve ter gente aguardando para ver”, observa.
Ele destaca, porém, o avanço do setor de serviços. “Como o setor de serviços emprega mais, o impacto é maior no emprego, mesmo que informal, e no consumo das famílias. O FGTS teve um peso pontual nisso, mas boa parte desse aumento se deve à melhora do emprego.”
O cenário para o segundo semestre no ano, porém, ainda está turvo. Segundo o economista André Perfeito, da Gradual Investimentos, ainda faltam componentes dinâmicos positivos para que o PIB continue crescendo no terceiro e no quarto trimestres. “Não há perspectiva de melhora no consumo do governo, por conta do ajuste que tem sido feito, e nem de investimentos, porque há muita ociosidade e os aportes só irão voltar quando a demanda recuperar força”, afirma. “O problema é que, assim como a agropecuária pesou no primeiro trimestre, os componentes que ajudaram no segundo não devem mostrar continuidade.”
Fonte: O Estado de S.Paulo
Economia
BNDES tem lucro recorde de R$ 9,2 bi no primeiro semestre
No primeiro semestre deste ano, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou um lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões, o que representou alta de 25% em relação ao mesmo período de 2025. Já no acumulado dos últimos 12 meses, até junho deste ano, o lucro recorrente alcançou R$ 17,1 bilhões, um recorde histórico para a instituição.

Para o presidente da instituição, Aloizio Mercadante, os resultados do primeiro semestre foram bastante positivos.
“É um balanço extraordinário. É muito raro você conseguir combinar essas condições que estamos aqui apresentando hoje, com consistente e acelerado crescimento no volume de créditos e uma rentabilidade que é a segunda maior do mercado”, disse ele no final da manhã de hoje (12), em entrevista coletiva concedida na sede da instituição, em São Paulo.
Os ativos totais do banco, nesse primeiro trimestre, somaram R$ 1,05 trilhão, maior valor de sua da história, segundo o BNDES. Já a carteira de crédito alcançou R$ 684 bilhões, maior patamar desde 2016. O patrimônio líquido, por sua vez, atingiu R$ 181 bilhões, maior patamar histórico.
Além disso, informou o banco, as aprovações de crédito somaram R$ 110,6 bilhões no período, aumento de 52% na comparação com o ano passado. Os maiores crescimentos foram observados no crédito à infraestrutura (+ 91%) e agropecuária (+ 46%), que somaram, respectivamente, R$ 46 bilhões e R$ 24,8 bilhões. Já os créditos ao comércio e serviços somaram R$ 17,3 bilhões, o que significou aumento de 27%, enquanto os créditos para a indústria atingiram R$ 22,5 bilhões, alta de 24%.
Por sua vez, o apoio às micro, pequenas e médias empresas somou R$ 108,2 bilhões, maior valor da história para o período, com alta de 22% sobre o mesmo período do ano passado.
Quanto à inadimplência registrada para 90 dias, ela se manteve praticamente estável, em torno de 0,05%, inferior à do Sistema Financeiro Nacional, que é 4,68% no geral e 0,66% para grandes empresas.
Diversificação
Durante a entrevista coletiva, Mercadante informou que o BNDES tem procurado diversificar sua carteira, investindo em novos setores e projetos como o carro voador, inteligência artificial, minerais críticos e terras raras. “Vamos entrar forte em terras raras, lítio e em mobilidade. Estamos financiando o PIB de toda indústria automotiva para fazer o elétrico flex para trazer o biocombustível junto com a mobilidade elétrica, que é uma rota tecnológica própria que o Brasil está perseguindo”, afirmou.
O presidente do banco explicou que o BNDES tem trabalhado em projetos de reconstrução e antecipado ações de prevenção e combate às mudanças climáticas. “Nós vamos ter novas emergências climáticas. O El Niño está vindo com força e tudo sinaliza que este ano já está muito mais quente no Brasil do que em 2024. Devemos ter muita chuva no sul, ondas de calor no Sudeste e muita seca no Norte e Nordeste. Então [o BNDES] vai ter que entrar [nesse tema]. Vamos ter que ajudar essas empresas, essas comunidades, essas famílias”, explicou.
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