Agricultura
Desenrola Rural já está valendo com desconto de até 96% da dívida
Agricultura
O governo federal lançou nesta semana o Desenrola Rural, programa que facilita a renegociação de dívidas para 1,35 milhão de agricultores familiares. Com descontos de até 96%, a iniciativa busca permitir que pequenos produtores regularizem sua situação financeira e voltem a ter acesso a crédito, ampliando investimentos e fortalecendo a produção no campo.
Segundo o governo, cerca de 33% dos agricultores familiares do país estão endividados, muitos deles impedidos de obter novos financiamentos devido a restrições bancárias. O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, destacou que a medida coloca fim ao que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou de “prisão perpétua do crédito” — quando o produtor renegociava a dívida, mas continuava negativado.
Como funciona o Desenrola Rural?
O programa contempla dívidas com bancos públicos – Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia –, além de débitos inscritos na Dívida Ativa da União e pendências no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
A iniciativa é especialmente benéfica para agricultores assentados da reforma agrária e comunidades quilombolas, que terão acesso aos maiores descontos. Para aqueles que contrataram o crédito de instalação do Incra entre maio de 2014 e junho de 2022, o abatimento chega a 96% do valor devido.
Já para produtores que contrataram financiamentos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), os descontos podem alcançar 86%, dependendo do banco e da situação da dívida.
Quem pode aderir?
O levantamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) mostra que:
- 69% das dívidas dos agricultores familiares são inferiores a R$ 10 mil;
- 47% das pessoas com restrição de crédito devem até R$ 1 mil;
- 70% dos endividados têm restrições em bancos e 30% em serviços de proteção ao crédito.
A partir do dia 24 de fevereiro, os produtores poderão procurar os bancos onde possuem pendências para renegociar seus débitos. Já aqueles que precisam quitar dívidas do crédito de instalação do Incra devem procurar diretamente o órgão.
O governo espera que ao menos 250 mil agricultores consigam renegociar suas dívidas ainda este ano, o que permitiria um aumento significativo na capacidade de produção e na inclusão financeira dos pequenos produtores rurais.
O prazo para adesão ao Desenrola Rural vai até 31 de dezembro. Agricultores interessados também podem buscar sindicatos, associações e entidades representativas para obter informações sobre o processo de renegociação.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Pescado brasileiro mira R$ 15,6 bilhões por ano em exportações
As exportações brasileiras de pescado podem alcançar R$ 15,6 bilhões por ano no prazo de quatro anos, cerca de cinco vezes o patamar atual, desde que o país amplie a produção, modernize as indústrias e avance na abertura de mercados. A projeção faz parte de um plano elaborado pela Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) para acelerar o desenvolvimento da pesca e da aquicultura.
O documento reúne metas econômicas, propostas de financiamento e mudanças regulatórias destinadas a aumentar a competitividade do pescado brasileiro. Segundo a entidade, o setor cresce, em média, 5,5% ao ano nas vendas externas, mesmo sem um programa estruturado de expansão comercial.
Com crédito, melhoria sanitária, rastreabilidade e promoção dos produtos brasileiros no exterior, a Abipesca calcula que esse ritmo poderia chegar a 10% ao ano. O plano apresenta ainda um cenário mais ambicioso, no qual as exportações atingiriam R$ 15,6 bilhões anuais em quatro anos. Para isso, seria necessário um avanço médio próximo de 50% ao ano.
A diferença entre os dois cenários mostra a dimensão do desafio. O crescimento de 10% manteria a expansão gradual já observada pelo setor, enquanto a meta de R$ 15,6 bilhões exigiria uma mudança de escala, com aumento acelerado da produção, novos frigoríficos, renovação da frota pesqueira e entrada em grandes mercados consumidores.
A proposta prevê a criação de um Programa de Aceleração da Pesca e Aquicultura, com metas anuais de produção, industrialização e exportação. Os resultados seriam acompanhados por relatórios públicos para identificar atrasos e corrigir entraves sanitários, ambientais, logísticos ou regulatórios.
Um dos principais pontos é a criação de uma linha específica de financiamento para empresas exportadoras. O plano sugere até R$ 104 milhões em capital de giro por companhia e até R$ 260 milhões para modernização e ampliação de indústrias ou construção de novas unidades.
Os recursos teriam juros subsidiados, prazos maiores de amortização, carência estendida e garantias facilitadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Fundo Garantidor de Exportações (FGE). Os valores foram convertidos pela cotação Ptax de R$ 5,1988 registrada em 25 de setembro.
O acesso ao crédito é apontado como condição para adequar plantas industriais às exigências dos compradores internacionais. Além da capacidade de processamento, os projetos precisariam investir em refrigeração, armazenamento, aproveitamento de resíduos, controle sanitário e rastreabilidade desde a origem do pescado.
A Abipesca também propõe acelerar a abertura de mercados e reduzir o tempo necessário para habilitar estabelecimentos exportadores. O plano considera que o Brasil dispõe de água, clima, extensão costeira e diferentes espécies com potencial comercial, mas ainda aproveita pouco essas vantagens na disputa internacional.
Na aquicultura, o aumento das vendas depende da expansão segura dos criatórios, da oferta de alevinos, do controle de doenças e da regularização dos empreendimentos. Na pesca extrativa, os principais desafios estão na renovação das embarcações, no monitoramento dos estoques, na segurança dos trabalhadores e na manutenção da cadeia de frio.
O estudo defende ainda a formação de uma base nacional de estatísticas pesqueiras. A ausência de informações contínuas sobre produção, espécies, regiões e estoques dificulta o planejamento dos produtores, das indústrias e dos órgãos responsáveis pela sanidade e pela conservação dos recursos.
Outros pontos incluem a revisão do seguro-defeso, a racionalização das exigências fiscais e ambientais e a definição mais clara das competências dos órgãos públicos. A intenção é reduzir conflitos regulatórios sem retirar a necessidade de controle sobre a exploração dos recursos pesqueiros.
Segundo a Abipesca, a pesca e a aquicultura brasileiras sustentam mais de 3,5 milhões de empregos diretos e indiretos e produzem mais de 1,1 milhão de toneladas de pescado por ano. Para a entidade, transformar esse volume em maior presença internacional exigirá uma estratégia que conecte produtor, indústria, crédito, sanidade e acesso a mercados.
Fonte: Pensar Agro
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