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Alta do petróleo e avanço dos biocombustíveis elevam preços internacionais dos alimentos

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A nova alta dos preços internacionais dos alimentos acendeu um alerta, e também abriu oportunidades, para o agronegócio brasileiro. Relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostra que os alimentos voltaram a subir em abril, puxados principalmente pelos óleos vegetais, em um movimento diretamente ligado à tensão no Oriente Médio, ao petróleo mais caro e ao avanço global dos biocombustíveis.

O Índice de Preços de Alimentos da FAO subiu 1,6% em abril e atingiu o maior nível desde fevereiro de 2023. Para o produtor brasileiro, porém, o dado mais importante está no comportamento do óleo de soja e das commodities ligadas à energia.

Com o aumento das tensões envolvendo o Irã e os riscos sobre o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, o mercado internacional passou a precificar possível alta nos combustíveis fósseis. Na prática, petróleo mais caro torna o biodiesel mais competitivo e aumenta a demanda por matérias-primas agrícolas usadas na produção de energia renovável.

É justamente aí que o Brasil ganha relevância. Maior produtor e exportador mundial de soja, o país também ampliou nos últimos anos sua indústria de biodiesel. Com a mistura obrigatória de biodiesel no diesel em níveis mais elevados, cresce a demanda interna por óleo de soja, fortalecendo toda a cadeia produtiva.

O efeito tende a chegar dentro da porteira. Preços internacionais mais firmes para óleo vegetal ajudam a sustentar as cotações da soja, melhoram margens da indústria e podem aumentar a demanda pelo grão brasileiro nos próximos meses.

Além disso, o cenário fortalece a estratégia de agregação de valor do agro nacional. Em vez de depender apenas da exportação do grão bruto, o Brasil amplia espaço na produção de farelo, óleo e biocombustíveis, segmentos mais ligados à industrialização e geração de renda.

Os cereais também registraram leve alta internacional em abril. Segundo a FAO, preocupações climáticas e custos elevados de fertilizantes continuam influenciando o mercado global de trigo e milho.

Mesmo assim, os estoques mundiais seguem relativamente confortáveis, reduzindo o risco de uma disparada mais intensa nos preços dos grãos neste momento. Outro ponto que interessa diretamente ao produtor brasileiro está na carne bovina. O índice internacional das proteínas animais bateu recorde em abril, impulsionado principalmente pela menor oferta de bovinos prontos para abate no Brasil.

Isso ajuda a sustentar os preços internacionais da proteína brasileira e reforça a competitividade do país em um momento de demanda firme no mercado externo. Na direção oposta, o açúcar caiu quase 5% no mercado internacional diante da expectativa de aumento da oferta global, especialmente por causa da perspectiva de produção elevada no Brasil.

A FAO também revisou para cima sua projeção para a safra mundial de cereais em 2025, estimada agora em 3,04 bilhões de toneladas — novo recorde histórico. O cenário mostra que o mercado global de alimentos continua abastecido, mas cada vez mais conectado ao comportamento da energia, da geopolítica e dos biocombustíveis. Para o agro brasileiro, isso significa que petróleo, conflitos internacionais e política energética passaram a influenciar diretamente o preço da soja, do milho, da carne e até a rentabilidade dentro da fazenda.

Fonte: Pensar Agro



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Trigo sobe com safra 27% menor e qualidade ameaçada pelas chuvas

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Os preços do trigo voltaram a subir no Brasil diante da perspectiva de uma safra menor e da dificuldade para encontrar grãos com qualidade adequada à fabricação de farinha. Com a colheita em andamento, lotes de padrão inferior começaram a aparecer no Paraná e em São Paulo, enquanto moinhos disputam a parcela da produção que atende às exigências da panificação.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o País colherá 5,74 milhões de toneladas na safra 2025/26, redução de 27,1% em relação ao ciclo anterior. A área cultivada encolheu 21,2%, reflexo da baixa rentabilidade enfrentada pelos produtores e do receio de novas perdas climáticas.

A diminuição da área já indicava uma oferta mais restrita. O excesso de chuva, a umidade elevada e o avanço de doenças nas lavouras acrescentaram um segundo problema: além de colher menos, o Brasil pode obter uma proporção menor de trigo próprio para a produção de farinha de melhor qualidade.

Levantamento divulgado nesta terça-feira (22) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que os compradores estão mais atentos ao padrão dos lotes oferecidos. No Paraná e em São Paulo, já foram registrados grãos dos tipos 2 e 3 e menor disponibilidade de trigo tipo 1.

A classificação considera fatores como presença de impurezas, grãos danificados e peso hectolítrico, conhecido pela sigla PH. O indicador mede o peso do cereal em determinado volume e ajuda a avaliar o rendimento industrial. Em geral, quanto menor o PH, menor tende a ser a quantidade de farinha obtida pelo moinho.

As chuvas próximas da maturação também podem reduzir a força do glúten e o Falling Number, ou número de queda. A força do glúten interfere na elasticidade e na capacidade da massa de reter os gases da fermentação. Já o Falling Number identifica alterações provocadas principalmente pela germinação do grão ainda na espiga. Quando esses índices recuam, o trigo pode perder valor para a panificação e ser destinado a produtos menos exigentes ou à alimentação animal.

O problema cria um mercado dividido. O trigo de qualidade inferior enfrenta descontos e maior resistência dos compradores. Já os lotes de padrão superior tendem a receber preços mais firmes, principalmente nas regiões próximas aos moinhos.

No Rio Grande do Sul, referências ao produtor chegaram a R$ 71 por saca em algumas regiões em setembro. No Paraná, negócios envolvendo trigo destinado à panificação passaram a indicar valores entre R$ 1.550 e R$ 1.600 por tonelada, dependendo da qualidade, da localização e das condições de entrega.

A valorização, portanto, não beneficia todos os agricultores da mesma maneira. O produtor que conseguir entregar trigo com bom PH, força de glúten e número de queda poderá encontrar maior procura. Quem colher lotes danificados pela umidade corre o risco de receber descontos capazes de anular parte ou toda a alta observada no mercado.

A menor produção também aumentará a dependência brasileira do cereal estrangeiro. A Conab estima importações de 7,06 milhões de toneladas, volume superior a toda a safra nacional prevista. Isso significa que mais da metade do trigo necessário ao abastecimento brasileiro deverá vir de outros países.

A Argentina continuará como a principal fornecedora, favorecida pela proximidade e pela ausência de tarifa dentro do Mercosul. O custo efetivo das compras, porém, dependerá da safra argentina, da disponibilidade de trigo de qualidade, do transporte e da cotação da moeda brasileira.

Para os moinhos, a dificuldade não está apenas em completar o volume necessário, mas em obter trigo com características compatíveis com cada tipo de farinha. Produtos de qualidade diferente podem ser misturados para alcançar o padrão industrial desejado, mas esse processo aumenta a necessidade de controle, armazenamento separado e planejamento das compras.

O consumidor ainda não deve sentir um repasse imediato e uniforme nos preços do pão, das massas e dos biscoitos. O trigo representa apenas parte dos custos dessas mercadorias, que incluem moagem, energia, embalagem, transporte, mão de obra e margens comerciais. Uma alta persistente da matéria-prima e das importações, contudo, poderá pressionar os preços nos próximos meses.

Para o produtor, os cuidados nesta fase concentram-se no acompanhamento da maturação, no controle de doenças e na realização da colheita assim que a lavoura atingir as condições adequadas. Também será decisivo separar e classificar os lotes, evitando que uma parcela de qualidade inferior reduza o valor de toda a produção.

A safra menor sustenta as cotações, mas a qualidade definirá quem conseguirá aproveitar esse movimento. Em 2026, produzir trigo não será suficiente: o prêmio ficará com quem conseguir entregar o grão exigido pela indústria.

Fonte: Pensar Agro



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