Economia
‘Estamos olhando com muito cuidado’, diz Meirelles sobre privatização dos Correios
Economia
Para o ministro, uma possível abertura de capital dos Correios “poderia ser boa alternativa, pois é um primeiro passo” do acesso da empresa ao setor privado
Da Redação
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que o governo está analisando uma eventual privatização dos Correios. Ele destacou que o tema merece cuidado especial, sobretudo pelo caráter de monopólio do serviço prestado pela companhia à sociedade. Ontem, o ministro Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência, disse em Nova York que a venda dos Correios está sendo analisada pelo governo e seria oportuno que ela passasse para o controle do setor privado, devido à dramática situação financeira da empresa.
Para o ministro, uma possível abertura de capital dos Correios “poderia ser boa alternativa, pois é um primeiro passo” do acesso da empresa ao setor privado.
“Mas a prioridade da privatização é o bom serviço e garantia de investimentos”, comentou Meirelles. Para o ministro, este princípio também se aplica para outras empresas que o governo espera privatizar, como a Eletrobras, e também do Aeroporto de Congonhas.
“Na privatização da telefonia, o mais importante foi o serviço disponível ao público”, apontou o ministro.
Segundo Meirelles, “não estamos em processo decisório sobre privatização da Infraero”, especialmente porque tal tema merece estudo especial devido “à grande quantidade de aeroportos no País.”
Fonte: O Estadão
Foto: Divulgação
Economia
Brasil avalia que tarifaço dos EUA foi politizado mirando eleições
Em meio às tratativas sobre as taxas impostas pelos Estados Unidos aos produtos do Brasil, os negociadores brasileiros têm atuado levando em conta que as medidas foram politizadas em um contexto eleitoral no qual a Casa Branca tem interesse nos resultados do pleito presidencial de outubro de 2026, aqui no Brasil. 

Ambos os governos seguem negociando um possível acordo comercial. O Brasil busca convencer os EUA de que um acordo seria mais vantajoso para os países do que as tarifas extras de 25% sobre parte dos produtos brasileiros.
O tarifaço foi uma recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).
Na última quarta-feira (24) o perfil do Itamaraty no X publicou a posição do governo brasileiro em relação ao tarifaço estadunidense, afirmando que a medida “tem sua origem em uma tentativa de interferência externa na justiça brasileira”. Na publicação, o Ministério das Relações Exteriores informou ainda que o Brasil segue atuando por meio dos canais oficiais de interlocução entre os governos para demonstrar que as políticas brasileiras não prejudicam o comércio com os Estados Unidos.
O prazo para definir a aplicação, ou não, das tarifas, é o dia 15 de julho. O governo brasileiro tem uma agenda de reuniões até lá com os representantes da Casa Branca e acredita que é possível, apesar de difícil, conseguir um acordo com os estadunidenses.
Ao mesmo tempo, existe a percepção de que o governo Trump deve evitar um acordo que possa favorecer o governo brasileiro diante a proximidade das eleições presidenciais no Brasil. Nesse contexto, essa não seria uma negociação estritamente comercial, até porque os EUA tem superávit com o Brasil, mas sim uma negociação inserida na nova política de segurança nacional de Donald Trump de buscar a reinserção dos EUA no mundo sobre novas bases.
A nova política de segurança nacional de Trump, publicada em dezembro de 2025, afirma que os EUA devem buscar a “proeminência” na América Latina enquanto área de influência de Washington, afastando atores de fora do Hemisfério da região, em um recado à China.
Nesta semana, Donald Trump compartilhou artigo que afirma que a eleição no Brasil é um dos “grandes testes” dos EUA na América Latina. O texto repercutido por Trump defende que a saída do “esquerdista” Luiz Inácio Lula da Silva favoreceria os interesses da Casa Branca.
Entenda
A recomendação da USTR para taxar o Brasil é resultado de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O argumento usado é que o Brasil teria práticas “desleais” nas relações comerciais, o que incluiu ataques contra o Pix para favorecer empresas de pagamento estadunidenses.
O Brasil rebateu que os argumentos não são legítimos e que a decisão parte de uma tentativa de ingerência em assuntos internos, além de expressar o protecionismo comercial unilateral de Washington.
O governo vem questionando as tarifas adicionais dos EUA com o argumento de que a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre as importações dos EUA é de 2,7%, o que não justificaria o argumento de que as empresas norte-americanas seriam prejudicadas no acesso ao mercado brasileiro.
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