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Devolução de R$ 180 bi compromete concessões, diz BNDES

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Governo conta com o pagamento desses recursos ao Tesouro Nacional para não cometer crime de responsabilidade

Da Redação

 

Pressionado a devolver R$ 180 bilhões ao Tesouro Nacional, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) alerta para o risco de não ter caixa suficiente para financiar a nova rodada de concessões em infraestrutura anunciada pelo governo. Isso também preocupa o setor privado, que conta com recursos do banco para tocar seus investimentos.

“Se os R$ 180 bilhões forem devolvidos sem alternativas, vai ser difícil ter o papel previsto por nós nas concessões”, disse o diretor de Crédito, Planejamento e Pesquisa do BNDES, Carlos Da Costa. O banco, segundo ele, não vai deixar de devolver o dinheiro, mas quer negociar com a União alternativas para a restituição. O governo pediu a antecipação de R$ 50 bilhões neste ano e de R$ 130 bilhões no ano que vem.

Embora as concessões sejam uma prioridade, o governo tem de lidar com outro problema igualmente urgente: o Tesouro precisa do dinheiro do BNDES para não descumprir a chamada “regra de ouro” do Orçamento, que proíbe a emissão de dívida para bancar despesas correntes. Descumprir a norma é crime de responsabilidade.

Mesmo ponderando que atender aos dois objetivos não é impossível, Costa alerta que a instituição precisa ter um mínimo de recursos para garantir sua liquidez, bem como para honrar desembolsos já contratados e que ainda serão fechados. “O dinheiro que está lá tem várias destinações. Estamos exatamente calculando isso agora.”

A questão, agora, passa a ser a disponibilidade dos recursos. “A fonte de financiamento de longo prazo neste País é o BNDES”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), César Borges. O responsável pela área de Project Finance do Santander, Edson Nobuo Ogawa, disse em um evento na semana passada que “não vê bancos privados financiando com recursos próprios por 15, 18 anos”.

Gargalo. O governo procura de todas as formas evitar que, novamente, a falta de financiamento seja o “gargalo” das privatizações. Esse foi o principal problema vivido pelas empresas que arremataram concessões no governo de Dilma Rousseff. Embora houvesse “cartas-compromisso” do BNDES, da Caixa e do Banco do Brasil prometendo empréstimos de até 80% do valor dos projetos, o dinheiro não foi liberado. As concessões foram planejadas para operar num cenário de crescimento, mas o que se viu foi a pior recessão da história. A conta não fechava.

A falha na liberação dos empréstimos foi reconhecida pelo governo ontem, que depois de um ano de relutância editou Medida Provisória para “salvar” as concessões rodoviárias vitimadas pela falta de financiamento.

Procurado, o Ministério da Fazenda não quis comentar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: O Estado de S.Paulo

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Brasil avalia que tarifaço dos EUA foi politizado mirando eleições

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Em meio às tratativas sobre as taxas impostas pelos Estados Unidos aos produtos do Brasil, os negociadores brasileiros têm atuado levando em conta que as medidas foram politizadas em um contexto eleitoral no qual a Casa Branca tem interesse nos resultados do pleito presidencial de outubro de 2026, aqui no Brasil. 

Ambos os governos seguem negociando um possível acordo comercial. O Brasil busca convencer os EUA de que um acordo seria mais vantajoso para os países do que as tarifas extras de 25% sobre parte dos produtos brasileiros.

O tarifaço foi uma recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).

Na última quarta-feira (24) o perfil do Itamaraty no X publicou a posição do governo brasileiro em relação ao tarifaço estadunidense, afirmando que a medida “tem sua origem em uma tentativa de interferência externa na justiça brasileira”. Na publicação, o Ministério das Relações Exteriores informou ainda que o Brasil segue atuando por meio dos canais oficiais de interlocução entre os governos para demonstrar que as políticas brasileiras não prejudicam o comércio com os Estados Unidos.

O prazo para definir a aplicação, ou não, das tarifas, é o dia 15 de julho. O governo brasileiro tem uma agenda de reuniões até lá com os representantes da Casa Branca e acredita que é possível, apesar de difícil, conseguir um acordo com os estadunidenses.  

Ao mesmo tempo, existe a percepção de que o governo Trump deve evitar um acordo que possa favorecer o governo brasileiro diante a proximidade das eleições presidenciais no Brasil. Nesse contexto, essa não seria uma negociação estritamente comercial, até porque os EUA tem superávit com o Brasil, mas sim uma negociação inserida na nova política de segurança nacional de Donald Trump de buscar a reinserção dos EUA no mundo sobre novas bases.

A nova política de segurança nacional de Trump, publicada em dezembro de 2025, afirma que os EUA devem buscar a “proeminência” na América Latina enquanto área de influência de Washington, afastando atores de fora do Hemisfério da região, em um recado à China.

Nesta semana, Donald Trump compartilhou artigo que afirma que a eleição no Brasil é um dos “grandes testes” dos EUA na América Latina. O texto repercutido por Trump defende que a saída do “esquerdista” Luiz Inácio Lula da Silva favoreceria os interesses da Casa Branca.  

Entenda

A recomendação da USTR para taxar o Brasil é resultado de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O argumento usado é que o Brasil teria práticas “desleais” nas relações comerciais, o que incluiu ataques contra o Pix para favorecer empresas de pagamento estadunidenses.

O Brasil rebateu que os argumentos não são legítimos e que a decisão parte de uma tentativa de ingerência em assuntos internos, além de expressar o protecionismo comercial unilateral de Washington.

O governo vem questionando as tarifas adicionais dos EUA com o argumento de que a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre as importações dos EUA é de 2,7%, o que não justificaria o argumento de que as empresas norte-americanas seriam prejudicadas no acesso ao mercado brasileiro.



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