Economia
Em briga com BNDES, Batistas avaliam colocar alguém da família à frente da JBS
Economia
Wesley Filho seria o candidato mais provável para assumir o posto, mas irmão mais velho de Joesley e Wesley também é visto como opção, caso família decida seguir com a estratégia
Da Redação
Incomodados com a postura beligerante do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), os Batistas estão dispostos a entrar em rota de colisão com o banco e avaliam indicar um nome de dentro da família para substituir Wesley Batista no comando da JBS, segundo relataram três fontes com conhecimento do tema ao Estado. O empresário está preso desde quarta-feira, acusado de usar informação privilegiada para manipular os mercados de ações e de câmbio e teve pedido de habeas corpus negado nesta sexta-feira, 15.
As conversas sobre como a família deverá se posicionar estão sendo encabeçadas pelo fundador, José Batista Sobrinho, e pelo seu filho mais velho, José Batista Júnior, ex-presidente da JBS, conhecido como Júnior Friboi. Enquanto Joesley Batista gravou políticos e o próprio presidente da República, Michel Temer, Júnior Friboi foi alvo de uma gravação em que teria combinado a formação de cartel no mercado de frigoríficos. Na reunião, além de Júnior estaria também Joesley Batista.
O mais cotado para o posto, porém, é Wesley Filho, presidente da divisão de carne bovina da JBS nos EUA. Filho de Wesley, ele está no negócio desde 2010 e vinha sendo preparado para ocupar um cargo de maior destaque no grupo. Não há decisão final e as discussão continuarão ao longo do fim de semana.
Segundo as fontes, colocar alguém da família no cargo seria uma forma de os Batistas sinalizarem que a empresa tem sim um controlador e não cederá a pressões do BNDES. A J&F, holding dos Batistas, tem 42% das ações da JBS, porém exerce o controle de fato da empresa, pelo cargo de presidente e por sempre ter conseguido impor suas decisões no conselho.
Um executivo próximo à família afirmou, sob a condição de anonimato, que o BNDES está correto em dizer que os Batistas são sócios da JBS, mas que se esquece de afirmar que são sócios “controladores” por meio de um grupo, a J&F, que investe em vários setores.
Poder. Dos nove assentos no conselho, dois são do BNDES, sendo que uma das vagas do banco estatal atualmente encontra-se vago. O conselheiro Maurício Luchetti já deixou as deliberações e o banco estatal corre para definir um substituto. A outra conselheira do banco, Claudia Azeredo Santos, também pediu para sair e só fica até 9 de outubro. Os dois decidiram pela saída porque vinham sendo votos vencidos nas reuniões. Os demais conselheiros, mesmo os não ligados diretamente à J&F, vinham acompanhando o voto da família Batista em 2016 e 2017.
Desta forma, se nada mudar, os Batistas teriam facilidade de conduzir ao cargo o nome que desejarem. Wesley Batista, que faz parte do conselho e está preso, poderia transferir seu voto a outro conselheiro, por meio de procuração, disse uma fonte.
Segundo fontes, o presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, teve uma reunião na JBS em que ficou acertado que o executivo deixaria o cargo e um novo nome seria procurado em 90 dias. Wesley teria dito, na ocasião, que precisava esperar a conclusão da renegociação de dívidas com o grupo e do alongamento de dívidas com banco antes de deixar o negócio. Pouco depois, o BNDES entrou na Justiça para destituí-lo do cargo, pedido que foi freada pela Justiça. Nesta sexta, o Tribunal Regional da 3ª Região confirmou decisão de suspender assembleia de acionistas e levar a disputa para arbitragem, como pedira a J&F.
A saída de Wesley, mesmo que temporária, acabou ocorrendo somente com sua prisão, o que acelerou a busca por um substituto. O consenso é de que a permanência de Wesley tornou-se inviável. A conselheira Claudia Azeredo Santos, do BNDES, havia indicado o nome do executivo Gilberto Tomazoni nesta semana, mas a proposta nem chegou a ser votada.
Uma das saídas seria esperar que os irmãos Batista saíssem da prisão, após o pedido de habeas corpus, que foi negado nesta sexta-feira, 15. A defesa de Joesley e Wesley anunciou na noite de hoje que entrou com um novo pedido para a libertação dos empresários, desta vez no Superior Tribunal de Justiça.
Procurados, o BNDES e a JBS não quiseram se pronunciar.
Fonte: O Estado de S. Paulo
Economia
Brasil avalia que tarifaço dos EUA foi politizado mirando eleições
Em meio às tratativas sobre as taxas impostas pelos Estados Unidos aos produtos do Brasil, os negociadores brasileiros têm atuado levando em conta que as medidas foram politizadas em um contexto eleitoral no qual a Casa Branca tem interesse nos resultados do pleito presidencial de outubro de 2026, aqui no Brasil. 

Ambos os governos seguem negociando um possível acordo comercial. O Brasil busca convencer os EUA de que um acordo seria mais vantajoso para os países do que as tarifas extras de 25% sobre parte dos produtos brasileiros.
O tarifaço foi uma recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).
Na última quarta-feira (24) o perfil do Itamaraty no X publicou a posição do governo brasileiro em relação ao tarifaço estadunidense, afirmando que a medida “tem sua origem em uma tentativa de interferência externa na justiça brasileira”. Na publicação, o Ministério das Relações Exteriores informou ainda que o Brasil segue atuando por meio dos canais oficiais de interlocução entre os governos para demonstrar que as políticas brasileiras não prejudicam o comércio com os Estados Unidos.
O prazo para definir a aplicação, ou não, das tarifas, é o dia 15 de julho. O governo brasileiro tem uma agenda de reuniões até lá com os representantes da Casa Branca e acredita que é possível, apesar de difícil, conseguir um acordo com os estadunidenses.
Ao mesmo tempo, existe a percepção de que o governo Trump deve evitar um acordo que possa favorecer o governo brasileiro diante a proximidade das eleições presidenciais no Brasil. Nesse contexto, essa não seria uma negociação estritamente comercial, até porque os EUA tem superávit com o Brasil, mas sim uma negociação inserida na nova política de segurança nacional de Donald Trump de buscar a reinserção dos EUA no mundo sobre novas bases.
A nova política de segurança nacional de Trump, publicada em dezembro de 2025, afirma que os EUA devem buscar a “proeminência” na América Latina enquanto área de influência de Washington, afastando atores de fora do Hemisfério da região, em um recado à China.
Nesta semana, Donald Trump compartilhou artigo que afirma que a eleição no Brasil é um dos “grandes testes” dos EUA na América Latina. O texto repercutido por Trump defende que a saída do “esquerdista” Luiz Inácio Lula da Silva favoreceria os interesses da Casa Branca.
Entenda
A recomendação da USTR para taxar o Brasil é resultado de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O argumento usado é que o Brasil teria práticas “desleais” nas relações comerciais, o que incluiu ataques contra o Pix para favorecer empresas de pagamento estadunidenses.
O Brasil rebateu que os argumentos não são legítimos e que a decisão parte de uma tentativa de ingerência em assuntos internos, além de expressar o protecionismo comercial unilateral de Washington.
O governo vem questionando as tarifas adicionais dos EUA com o argumento de que a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre as importações dos EUA é de 2,7%, o que não justificaria o argumento de que as empresas norte-americanas seriam prejudicadas no acesso ao mercado brasileiro.
-
Cidades5 dias atrásCasal é flagrado em banheiro de área de lazer na região do Morada do ouro após jogo do Brasil
-
Opinião4 dias atrásComissão aprova capacitação de primeiros socorros voltada a alunos com doenças crônicas
-
Opinião3 dias atrásDADOS INTERNACIONAIS
-
Curtinhas5 dias atrásServidor se destaca como referência em consultoria técnica para prefeituras de Mato Grosso
-
Polícia20 horas atrásPolícia Civil deflagra operação e prende empresário e gestora em flagrante por “gato” em energia elétrica
-
Política5 dias atrásMauro Mendes destaca atuação de Jayme Campos para destravar Ferrovia Estadual de Mato Grosso
-
Política20 horas atrásComissão aprova garantia de direitos e proteção a indígenas LGBTIA+ no Brasil
-
Polícia4 dias atrásPolícia Civil cumpre prisão de mulher investigada pela morte da filha bebê



Você precisa estar logado para postar um comentário Login