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Prisão de Wesley Batista força JBS a acelerar sucessão

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O presidente da empresa foi detido pela Polícia Federal na quarta-feira acusado de lucrar com venda de ações usando informação privilegiada

Da Redação

 

Uma das maiores companhias de alimentos do mundo, a JBS amanheceu na quarta-feira  sem dirigente e viu-se forçada a pensar a sucessão de Wesley Batista, medida que a cúpula da empresa vinha tentando postergar. Acusado de valer-se de informação privilegiada para lucrar no mercado acionário e de câmbio, Wesley teve a prisão decretada. Seu irmão, Joesley, já estava preso desde domingo, acusado de omitir informações em sua delação.

Com Joesley e Wesley presos, o irmão mais velho, José Batista Júnior, conhecido como Júnior Friboi, compareceu à empresa para ajudar seu pai, José Batista Sobrinho, fundador da JBS, em deliberações emergenciais. Júnior já foi presidente da JBS. Wesley Batista Filho, filho de Wesley e presidente de uma divisão da JBS nos Estados Unidos, também participou das conversas.

Segundo fontes que acompanharam as discussões ontem, a família ainda trabalha com a possibilidade de Wesley retornar ao cargo nos próximos dias. Há a preocupação de que uma substituição imediata do empresário sinalize que a JBS não acredita que ele será libertado em breve.

Apesar disso, a discussão sobre novos nomes já começou. Em reunião do conselho de administração ontem, a representante do BNDES, a advogada Claudia Azeredo Santos, sugeriu que Gilberto Tomazoni, hoje à frente das marcas internacionais da JBS, assumisse interinamente. Como a reunião foi apenas informativa, a proposta não foi votada.

Tomazoni já era um dos nomes aventados pela cúpula para a eventual necessidade de uma rápida sucessão como a de agora, mas há dúvidas se ele aceitaria o cargo. Próximo da família, Gilberto Xandó, que assumiu o lugar de Joesley Batista no conselho de administração da JBS, também é visto como possível sucessor. Existe ainda a alternativa de se buscar um nome de mercado.

Mercado

Apesar da dificuldade da família em aceitar a sucessão imediata, a permanência de Wesley na presidência da JBS ficou insustentável, segundo fontes. Além da pressão do BNDES, a acusação que pesa agora sobre ele é de ludibriar o mercado financeiro. Por isso, é considerado improvável que o mercado vá aceitar que ele permaneça à frente de uma grande companhia de capital aberto.

Uma definição sobre a sucessão, seja ela qual for, deve sair nos próximos dias, segundo pessoas próximas à empresa. A avaliação é que a JBS precisa de um interlocutor com o mercado. Com dívida bruta de 60 bilhões de reais, a JBS renegociou cerca de 20 bilhões de reais com bancos, ampliando prazos. O contrato foi assinado, mas ainda não foi finalizado. Por isso, a situação desperta atenção dos assessores financeiros da empresa.

Segundo um banqueiro, depois de vender vários ativos, incluindo Vigor e Alpargatas, a empresa vem cumprindo os pagamentos. Não há motivos, por ora, para desfazer o acordo, afirma. Os bancos também esperavam uma substituição no comando da JBS em até um ano a partir de uma sinalização do próprio Wesley.

Sucessão

A JBS não tinha um processo formal de sucessão, algo que Wesley Batista considerava um erro. Em sua avaliação, a JBS tinha executivos de talento, mas com domínio restrito a suas áreas.

A terceira geração da família ainda estava sendo preparada e é vista como “verde”. Wesley Filho está no grupo desde 2010. Murilo, filho de Joesley, trabalhava em funções laterais na J&F. Já o pai de Wesley e Joesley e o irmão mais velho estão fora do comando há anos. As irmãs nunca atuaram no negócio. Por isso, agora que há pressão imediata para trocar o comando da empresa, a JBS se vê obrigada a conduzir à presidência alguém de fora da família.

Procurados, a JBS e o BNDES não se pronunciaram.

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Estadão Conteúdo

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Consumidores poderão escolher fornecedores de energia a partir de 2027

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira (12) o decreto que regulamenta o funcionamento do mercado livre de energia, que permite a venda direta a pequenos e médios consumidores de energia elétrica. Na prática, a medida permitirá aos consumidores escolher de quem comprará sua energia, de forma semelhante à que ocorre com a telefonia.

A medida vale para clientes atendidos em baixa tensão (inferior a 2,3 kV). Para consumidores industriais e comerciais, a regra começa a partir de novembro de 2027. Para os demais clientes, incluindo os residenciais, a escolha poderá ser feita a partir de novembro de 2028. 

As regras não alteram a produção e transmissão de energia, que têm outras regulamentações.

O decreto também estabelece as regras para a migração ao Ambiente de Contratação Livre (ACL) e prevê ainda o Supridor de Última Instância (SUI), que será responsável por garantir o fornecimento de energia caso o fornecedor escolhido pelo consumidor deixe de prestar o serviço. Essa função ficará com as distribuidoras de energia até o final de 2030, quando poderá ser exercida por outros agentes, abrindo ainda mais o mercado.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneell) fará essa regulamentação e é quem terá a responsabilidade de organizar a transição entre os ambientes regulado (atual) e livre. A ela caberá estabelecer as regras sobre informação e proteção ao consumidor. 

Energia Sustentável

Outros três decretos foram assinados no mesmo evento, que regulamentam políticas voltadas ao combustível sustentável de aviação, ao hidrogênio de baixa emissão de carbono e à captura e armazenamento de carbono.

Para a aviação foi criado o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV), com regras para a produção, certificação, comercialização, rastreabilidade e o cumprimento das metas de redução de emissões pelo setor aéreo. A medida estabeleceu um prazo de dez anos, entre 2027 e 2037, para que o setor reduza suas emissões em 10%.

Foram definidas, ainda, as regras para certificação de combustível sustentável de aviação, tanto para importação quanto para produção nacional.

Foram criados também o Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2) e o Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (PHBC), além do Sistema Brasileiro de Certificação de Hidrogênio (SBCH2).

Na prática foram estabelecidas responsabilidades sobre certificação, determinação de regras e estabelecimento de critérios para avaliar o hidrogênio frente a outros combustíveis sustentáveis, permitindo a entrada do Brasil de maneira definitiva neste mercado.

Quanto à regulamentação da captura e armazenamento de carbono, foi estabelecido o marco regulatório para a atividade, decisiva para o avanço da descarbonização da indústria nacional. Também determina que o Ministério das Minas e Energia (MME) lidere a construção de um plano nacional de infraestrutura para orientar a implantação de áreas de captura, transporte e armazenamento geológico de carbono, com revisão a cada dois anos.



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