Economia
Entenda os porquês da JBS vender a Moy Park para a própria JBS
Economia
A venda por US$ 1,3 bilhão foi anunciada hoje pela Pilgrim’s Pride; a aquisição pode gerar sinergia anual de US$ 50 milhões
Da Redação
A aquisição da irlandesa Moy Park pela norte-americana Pilgrim’s Pride, duas empresas que fazem parte do grupo JBS, pode favorecer o resultado da compradora, com a redução de gastos com imposto de renda, devido à captação de dívida. “A captação de dívida pode trazer benefício fiscal para Pilgrim’s”, afirma o professor de finanças da FIA, Marcos Piellusch, sobre o chamado “benefício fiscal da alavancagem.” Além disso, a transferência de caixa da Pilgrim’s para JBS (com o pagamento pela Moy Park) vai ajudar a controladora a abater dívidas de curto prazo, diz um analista. A Pilgrim’s Pride é controlada pela JBS e a Moy Park, subsidiária integral da empresa.
Em relatório, o BTG diz que a transação pode alterar a liquidez, uma vez que o dinheiro da Pilgrim’s vai direto para a JBS, melhorando assim a capacidade de pagamento de alguns credores. “De qualquer forma, nossa primeira leitura é levemente negativa pois acreditamos que o mercado preferiria ver a alavancagem da JBS caindo através de uma venda a uma empresa independente”, diz o banco.
A venda por US$ 1,3 bilhão foi anunciada hoje pela Pilgrim’s Pride. A aquisição pode gerar sinergia anual de US$ 50 milhões nos próximos dois anos, além de incremento anual no faturamento de aproximadamente US$ 2 bilhões. A transação foi financiada por uma combinação de dinheiro disponível em caixa e dívida.
A Pilgrim’s Pride é uma das principais processadoras de carne de frango dos Estados Unidos. No segundo trimestre deste ano teve lucro líquido de US$ 233,6 milhões, um aumento de 53% ante igual período do ano passado. A receita líquida aumentou 11% na mesma comparação, para US$ 2,25 bilhões. Já a Moy Park, que representa as operações da JBS Europa, teve receita líquida de 391,6 milhões libras, um aumento de 7,4%. Há atualmente uma forte demanda interna e externa por carne de frango dos Estados Unidos. Esse cenário fez com que as ações da empresa e de outras do setor, como Sanderson Farms, acumulassem valorização de mais de 50% neste ano, como observa o banco JPMorgan.
Segundo a JBS, a compra da Moy Park pela Pilgrim’s Pride permitirá que a “companhia mantenha um desempenho financeiro sólido, com ativos diversificados e um portfólio de produtos inovador, alinhado com a sua intenção de abrir o capital de uma das suas subsidiárias nos Estados Unidos”. A transação foi aprovada por unanimidade por um comitê interno composto por membros independentes representando os acionistas minoritários.
A operação anunciada nesta segunda-feira faz parte do programa de desinvestimento da JBS, anunciado no dia 20 de junho. Este plano teve início com a das operações de carnes da América do Sul para o concorrente Minerva, por US$ 300 milhões. A Alpargatas foi vendida por R$ 3,7 bilhões para o Cambuhy e Itaúsa. A mexicana Lala comprou a participação na Vigor por R$ 5,7 bilhões. No início do mês, a J&F, holding que reúne os negócios dos irmãos Batista, anunciou a venda da Eldorado Celulose e Papel para a empresa Paper Excellence (PE) por R$ 15 bilhões.
Déjà vu. Essa não foi a primeira vez que a família Batista fez uma operação de compra e venda entre as empresas do grupo. Em dezembro do ano passado, o Banco Original cedeu para a J&F Investimentos a titularidade e todos os direitos sobre a marca e nome de dois domínios na internet. O banco continuou a explorar a marca e domínio mediante pagamento de royalties para a J&F. O preço de venda acordado foi de R$ 422 milhões.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Economia
Consumidores poderão escolher fornecedores de energia a partir de 2027
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira (12) o decreto que regulamenta o funcionamento do mercado livre de energia, que permite a venda direta a pequenos e médios consumidores de energia elétrica. Na prática, a medida permitirá aos consumidores escolher de quem comprará sua energia, de forma semelhante à que ocorre com a telefonia.

A medida vale para clientes atendidos em baixa tensão (inferior a 2,3 kV). Para consumidores industriais e comerciais, a regra começa a partir de novembro de 2027. Para os demais clientes, incluindo os residenciais, a escolha poderá ser feita a partir de novembro de 2028.
As regras não alteram a produção e transmissão de energia, que têm outras regulamentações.
O decreto também estabelece as regras para a migração ao Ambiente de Contratação Livre (ACL) e prevê ainda o Supridor de Última Instância (SUI), que será responsável por garantir o fornecimento de energia caso o fornecedor escolhido pelo consumidor deixe de prestar o serviço. Essa função ficará com as distribuidoras de energia até o final de 2030, quando poderá ser exercida por outros agentes, abrindo ainda mais o mercado.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneell) fará essa regulamentação e é quem terá a responsabilidade de organizar a transição entre os ambientes regulado (atual) e livre. A ela caberá estabelecer as regras sobre informação e proteção ao consumidor.
Energia Sustentável
Outros três decretos foram assinados no mesmo evento, que regulamentam políticas voltadas ao combustível sustentável de aviação, ao hidrogênio de baixa emissão de carbono e à captura e armazenamento de carbono.
Para a aviação foi criado o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV), com regras para a produção, certificação, comercialização, rastreabilidade e o cumprimento das metas de redução de emissões pelo setor aéreo. A medida estabeleceu um prazo de dez anos, entre 2027 e 2037, para que o setor reduza suas emissões em 10%.
Foram definidas, ainda, as regras para certificação de combustível sustentável de aviação, tanto para importação quanto para produção nacional.
Foram criados também o Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2) e o Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (PHBC), além do Sistema Brasileiro de Certificação de Hidrogênio (SBCH2).
Na prática foram estabelecidas responsabilidades sobre certificação, determinação de regras e estabelecimento de critérios para avaliar o hidrogênio frente a outros combustíveis sustentáveis, permitindo a entrada do Brasil de maneira definitiva neste mercado.
Quanto à regulamentação da captura e armazenamento de carbono, foi estabelecido o marco regulatório para a atividade, decisiva para o avanço da descarbonização da indústria nacional. Também determina que o Ministério das Minas e Energia (MME) lidere a construção de um plano nacional de infraestrutura para orientar a implantação de áreas de captura, transporte e armazenamento geológico de carbono, com revisão a cada dois anos.
-
Cidades6 dias atrásNovo confirma Marcelo Maluf como vice de Wellington Fagundes na disputa pelo Governo de MT
-
Cidades6 dias atrásPGE diz que irá colaborar com investigação da PF sobre acordo com empresa de telefonia
-
Cidades7 dias atrásPolícia Federal faz buscas na casa de Mauro Mendes durante investigação sobre suposto desvio de recursos
-
Política1 dia atrásCRE aprova marco da OIT sobre saúde e segurança no trabalho
-
Polícia Federal7 dias atrásOperação Heritage: PF investiga suposto desvio de R$ 308 milhões em acordo firmado entre Governo de MT e empresa de telefonia
-
Cidades6 dias atrásWellington articula expulsão de prefeitos do PL após apoio à candidatura de Pivetta
-
Agricultura7 dias atrásComo previsto, Selic cai, mas juro de 14% mantém agronegócio sob forte pressão
-
Cidades6 dias atrásMDB oficializa chapa para disputa proporcional e concentra estratégia na candidatura de Janaina Riva ao Senado


Você precisa estar logado para postar um comentário Login