Economia
Empresas se adaptam ao Brasil pós-crise
Economia
A indústria automobilística mostra os primeiros sinais de superação da recessão econômica, mas os recentes lançamentos revelam carros mais simples e baratos
Da Redação
O carro da vez, aquele que caiu nas graças dos consumidores brasileiros, é o Renault Kwid. O estilo moderninho e o preço atrativo (a versão mais básica sai por menos de 30 000 reais) fizeram as encomendas da pré-venda superar em quatro vezes o volume esperado pela montadora francesa. Quem quiser comprar um agora terá de esperar até novembro para vê-lo na garagem. O preço baixo, sem dúvida, é o grande estímulo para o consumidor.
Embora nos anúncios publicitários o modelo seja exibido como um utilitário esportivo compacto, ao vivo e em cores se percebe que a estratégia da companhia foi economizar nas peças e no custo. Exemplos: as rodas são presas por apenas três parafusos, em vez de quatro, e há um único limpador dianteiro de para-brisa. O espaço para os passageiros no banco de trás fica longe também daquele oferecido pelos jipes da moda. Cerca de 40% das peças do compacto são feitas na Índia – ele é comercializado no país desde 2015.
Com tudo isso, o Kwid simboliza a nova realidade do mercado automobilístico brasileiro. Nos anos de euforia e ascensão social, as marcas acompanhavam as tendências dos Estados Unidos e Europa, lançando carros sofisticados e de última geração. A ordem agora é desenvolver carros mais adaptados à realidade financeira dos brasileiros, em vez de lançar modelos idênticos aos dos países ricos. Não só as montadoras, como as indústrias de outros setores, buscam adaptar-se ao panorama do Brasil pós-recessão. A perspectiva para os próximos meses é de retomada gradual da economia, desemprego elevado e lenta recuperação do poder de compra das famílias.
Fonte: Veja
Economia
Consumidores poderão escolher fornecedores de energia a partir de 2027
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira (12) o decreto que regulamenta o funcionamento do mercado livre de energia, que permite a venda direta a pequenos e médios consumidores de energia elétrica. Na prática, a medida permitirá aos consumidores escolher de quem comprará sua energia, de forma semelhante à que ocorre com a telefonia.

A medida vale para clientes atendidos em baixa tensão (inferior a 2,3 kV). Para consumidores industriais e comerciais, a regra começa a partir de novembro de 2027. Para os demais clientes, incluindo os residenciais, a escolha poderá ser feita a partir de novembro de 2028.
As regras não alteram a produção e transmissão de energia, que têm outras regulamentações.
O decreto também estabelece as regras para a migração ao Ambiente de Contratação Livre (ACL) e prevê ainda o Supridor de Última Instância (SUI), que será responsável por garantir o fornecimento de energia caso o fornecedor escolhido pelo consumidor deixe de prestar o serviço. Essa função ficará com as distribuidoras de energia até o final de 2030, quando poderá ser exercida por outros agentes, abrindo ainda mais o mercado.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneell) fará essa regulamentação e é quem terá a responsabilidade de organizar a transição entre os ambientes regulado (atual) e livre. A ela caberá estabelecer as regras sobre informação e proteção ao consumidor.
Energia Sustentável
Outros três decretos foram assinados no mesmo evento, que regulamentam políticas voltadas ao combustível sustentável de aviação, ao hidrogênio de baixa emissão de carbono e à captura e armazenamento de carbono.
Para a aviação foi criado o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV), com regras para a produção, certificação, comercialização, rastreabilidade e o cumprimento das metas de redução de emissões pelo setor aéreo. A medida estabeleceu um prazo de dez anos, entre 2027 e 2037, para que o setor reduza suas emissões em 10%.
Foram definidas, ainda, as regras para certificação de combustível sustentável de aviação, tanto para importação quanto para produção nacional.
Foram criados também o Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2) e o Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (PHBC), além do Sistema Brasileiro de Certificação de Hidrogênio (SBCH2).
Na prática foram estabelecidas responsabilidades sobre certificação, determinação de regras e estabelecimento de critérios para avaliar o hidrogênio frente a outros combustíveis sustentáveis, permitindo a entrada do Brasil de maneira definitiva neste mercado.
Quanto à regulamentação da captura e armazenamento de carbono, foi estabelecido o marco regulatório para a atividade, decisiva para o avanço da descarbonização da indústria nacional. Também determina que o Ministério das Minas e Energia (MME) lidere a construção de um plano nacional de infraestrutura para orientar a implantação de áreas de captura, transporte e armazenamento geológico de carbono, com revisão a cada dois anos.
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