Saúde

Planos de saúde e hospitais atrasam pagamento de insumos durante pandemia do coronavírus

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Da Redação

pandemia virou justificativa de hospitais e planos de saúde para atrasar o pagamento a fornecedores de materiais usados em cirurgias eletivas e atendimentos de emergência, como marca-passos, stents, entre outras órteses e próteses empregadas em procedimentos com pacientes cardíacos ou que se submetem a operações ortopédicas, bariátricas, por exemplo.

Nos meses de abril e maio, o atraso no pagamento desses materiais vendidos e faturados chegou a 180 dias, 60% maior do que a inadimplência registrada no mesmo período no passado, quando não havia pandemia, segundo a Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (Abraidi). A entidade reúne 285 empresas, entre importadores, distribuidores e fabricantes. Juntas, essas companhias venderam R$ 5,6 bilhões no ano passado e responderam por  20% do mercado.

“Hospitais e planos de saúde estão usando a covid-19 para atrasar pagamentos, pedir desconto e não faturar procedimentos realizados”, diz Bruno Bezerra, diretor executivo da entidade. Segundo ele, a prática comum entre os operadores, de rejeitar o faturamento de materiais usados em procedimentos autorizados, aumentou depois da covid-19. E muitos procedimentos tinham sido realizados antes da pandemia. “Estamos falando do cliente que vai ao restaurante, olha o cardápio, concorda com o preço do vinho e depois que consome fica criando problemas para pagar”, compara o executivo.

Em 2018, o último dado disponível, as empresas associadas da entidade acumulavam R$ 488,5 milhões de faturamento retido e R$ 554,8 milhões  de pagamento atrasado de hospitais e planos de saúde. Bezerra diz que está finalizando a pesquisa sobre as perdas do ano passado e que elas aumentaram. “A covid-19 veio para piorar uma situação que já era ruim”, observa.

Uma importadora de próteses e materiais de saúde implantados, associada da entidade e que prefere não ser identificada, confirma o aumento da inadimplência. Em créditos faturados e com pagamento em atraso, a empresa tem a receber R$ 20 milhões e quase a mesma cifra, R$ 18 milhões, de produtos já usados pelos planos de saúde e hospitais, cuja venda não foi faturada. “Eles ficam procurando glosas injustificadas para postergar os pagamentos”, afirma o executivo da companhia.

Ele alerta que essa prática de não reconhecer e de não faturar a compra de um produto já usado no procedimento cirúrgico pode ter desdobramentos no âmbito da saúde pública. É que dificulta rastreabilidade do material em caso de necessidade de  recall do produto. O executivo explica que normalmente as empresas fornecedoras de produtos de saúde mandam várias opções de materiais  para o médico e ele decide o que usar na hora da cirurgia. Sem saber o que, de fato, foi colocado no corpo do paciente, porque a venda não foi faturada pelo hospital ou plano de saúde, fica difícil identificar a pessoa nos  casos em que a troca do item se faz necessária.

Duas realidades

Bezerra explica que existe hoje duas realidades diferentes para os fornecedores de materiais de saúde. Respiradores, máscaras e outros equipamentos de proteção individual (EPIs) viraram os artigos mais cobiçados pelos prestadores de serviços de saúde por causa da covid-19 nos últimos meses. A fase mais crítica de falta desses itens foi em abril. A demanda explodiu e os preços chegaram a aumentar 300%. “Não vou fazer demagogia e dizer que não houve abuso. Imagino que sim e a nossa posição é que todo abuso deve ser coibido”, diz Bezerra.

No entanto, as empresas que vendem EPIs e respiradores representam muito pouco, cerca de 10% do total. A grande maioria do setor se viu pressionada pelo atraso no pagamento e pela queda entre 70% e 90% nas vendas registradas em abril e maio na comparação com os mesmos meses do ano anterior.

A decisão da Agência Nacional de Saúde (ANS) de suspender os prazos para que os planos de saúde autorizassem cirurgias eletivas por causa da pandemia derrubou o faturamento das importadoras, pressionadas também pelo aumento do dólar que encareceu os produtos trazidos de fora e ainda pelo atraso no pagamento de hospitais e planos de saúde.

O diretor da Abraidi diz que a situação é mais critica nos regiões Norte e Nordeste e que já formalizou denúncias  à ANS e junto a Comissão de Valores Mobiliários  (CVM), já que muitos grupos do setor de saúde tem papéis listados na Bolsa. Inclusive ele lembra que nesse período de pandemia houve empresas  do setor que adquiriram concorrentes, o que sinalizaria, na sua opinião, que os recursos não estão tão curtos.

Procurada, a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) informa, por meio de nota, que “diante da pandemia e da deterioração econômica, situações semelhantes à relatada pela Abraidi estão acontecendo em todos os setores da nossa economia” A Abramge frisa que “desconhece qualquer postergação de pagamento e que esta é uma relação individual entre as empresas e seus fornecedores”. A entidade dos planos de saúde acrescenta ainda que “além do mais é preciso entender se os casos relatados seriam de operadoras de planos de saúde que compram produtos diretamente da importadora, visto que habitualmente as compras são feitas diretamente pelos prestadores de saúde”. A Federação Brasileira dos Hospitais (FBH), que representa 4 mil hospitais privados, não se manifestou. 

Fonte: O Estado de S.Paulo / https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,planos-de-saude-e-hospitais-atrasam-pagamento-de-insumos-durante-pandemia-do-coronavirus,70003331337

Foto: EFE / EPA / SOHAIL SHAHZAD

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HMC recebe quase metade dos pacientes regulados pelas UPAs e reforça papel estratégico na saúde de Cuiabá

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O Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) consolidou sua posição como principal unidade de retaguarda da rede municipal de urgência e emergência. Levantamento referente aos meses de maio e junho de 2026 mostra que o hospital foi responsável por 44,8% de todas as transferências realizadas pelas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Cuiabá, recebendo 661 dos 1.479 pacientes regulados no período.
Os números evidenciam a importância da unidade na organização da assistência hospitalar. Sozinho, o HMC recebeu quase quatro vezes mais pacientes que o segundo hospital com maior volume de transferências, contribuindo para garantir maior agilidade na internação de pacientes e desafogar as UPAs.
A secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, destacou que os resultados refletem o fortalecimento da rede pública de saúde.
“Os números demonstram que o Hospital Municipal de Cuiabá cumpre um papel essencial na organização da nossa rede de urgência e emergência. Ser responsável por praticamente metade das transferências das UPAs significa garantir acesso mais rápido à internação, desafogar as unidades de pronto atendimento e oferecer um cuidado mais resolutivo à população. Nosso compromisso é continuar fortalecendo a rede municipal com planejamento, investimentos e ampliação da capacidade assistencial”, afirmou.
Liderança nas internações em enfermaria
O desempenho do HMC torna-se ainda mais expressivo quando analisadas apenas as internações em enfermaria. Nos dois meses avaliados, a unidade recebeu 638 pacientes — 335 em maio e 303 em junho —, concentrando 53,6% de todas as transferências destinadas a leitos clínicos e cirúrgicos da rede.
Nas admissões em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a maior demanda foi absorvida pelo Hospital Municipal São Benedito (HMSB) e pelo Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC), responsáveis por 27,3% e 24,9% das vagas, respectivamente. O HMC respondeu por 8% das internações em terapia intensiva, reforçando sua vocação como principal retaguarda para leitos de enfermaria.
Além do HMC, o HPSMC e o HMSB receberam 170 e 164 pacientes regulados, respectivamente. Outro destaque foi o Hospital Estadual de Câncer, que registrou crescimento superior a 200% nas transferências entre maio e junho, passando de 25 para 79 pacientes.
Gestão destaca eficiência e qualidade da assistência
A diretora-geral da Empresa Cuiabana de Saúde Pública, Kelluby de Oliveira, atribuiu os resultados ao trabalho integrado das equipes e ao fortalecimento da gestão hospitalar.
“O protagonismo do HMC é resultado do empenho diário de equipes multiprofissionais altamente qualificadas e de uma gestão comprometida com a eficiência e a humanização da assistência. Além de sermos referência em urgência, emergência, politrauma e tratamento de queimados, temos ampliado a oferta de cirurgias eletivas e procedimentos especializados, garantindo mais acesso e qualidade no atendimento prestado aos usuários do SUS”, destacou.
Hospital amplia serviços especializados
Referência estadual em urgência, emergência, politrauma, traumato-ortopedia e tratamento de queimados, por meio do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), o HMC funciona em regime de portas abertas para atendimentos de urgência e emergência.
A unidade dispõe de enfermarias adulta e infantil, Hospital Dia, centros cirúrgicos, salas de medicação e decisão médica, seis leitos destinados à saúde mental e estrutura completa para assistência ambulatorial e hospitalar.
Nos últimos meses, o hospital também ampliou a oferta de procedimentos especializados. Entre junho e julho, iniciou um mutirão de cirurgias de vesícula por videolaparoscopia, com previsão de 30 procedimentos para reduzir a fila de espera do Sistema Único de Saúde (SUS).
Outra ação inédita colocou Cuiabá em destaque no cenário nacional. O HMC promoveu um mutirão exclusivo de cirurgias reparadoras para vítimas de queimaduras elétricas decorrentes de acidentes de trabalho, tornando-se a única unidade do país a realizar uma iniciativa voltada exclusivamente para esse público. Aproximadamente 20 pacientes foram atendidos durante a ação.
Para o diretor técnico do HMC, Dr. Eduardo Andraus, os indicadores confirmam a capacidade da unidade em atender pacientes de média e alta complexidade.
“O HMC foi concebido para ser um hospital de alta resolutividade. Nossa capacidade de receber pacientes regulados das UPAs permite que essas unidades continuem atendendo novos casos de urgência e emergência. Contamos com equipes preparadas, protocolos bem estabelecidos e uma estrutura capaz de atender desde casos clínicos até situações de alta complexidade, como politrauma, queimados e cirurgias especializadas. Os resultados de maio e junho demonstram que estamos cumprindo essa missão com eficiência”, concluiu.

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