OPERAÇÃO 'WO'
‘Motorista’ Vaguinho: Movimentações de Patrimônio Milionário, dono de mercado e Disciplina do CV em MT
‘Vaguinho’ sempre se declarou motorista e movimentou mais de R$ 7,1 milhões em suas contas bancárias
Polícia
Vítima de disciplina em destaque
ATUALIZADA ÀS 10h14 – Fagner Farias Paelo, vulgo “Faguinho ou Vaguinho”, que trabalhava como ‘motorista’, além de ser irmão e pessoa de confiança de Paulo Witer, apontado como tesoureiro geral do Comando Vermelho em Mato Grosso, é o responsável por ser o “disciplina” da facção, aplicando os conhecidos “salves”, e por lavar as quantias milionárias obtidas ilicitamente pelo grupo.
Vaguinho sempre se declarou motorista e movimentou mais de R$ 7,1 milhões em suas contas bancárias, conforme relatório técnico elaborado pela Polícia Judiciária Civil, revelado na decisão judicial que autorizou a Operação Apito Final, a qual o Olhar Direto obteve acesso.
A juíza Helícia Vitti Lourenço, do Núcleo de Inquéritos Policiais (NIPO), ao decretar a prisão de 25 faccionados, destacou a posição de cada membro investigado e a violência empregada por eles para efetivar as atividades criminosas de tráfico, lavagem de dinheiro e até a decretação de homicídios de “caguetas” que entregaram as práticas do CV à polícia.
Durante as investigações autorizadas, as interceptações telefônicas anexadas no relatório final da investigação, apontaram a função de Vaguinho no grupo chefiado por Paulo Witer, o WT. Além de já ser alvo de operações policiais anteriores, ele é o responsável por lavar o dinheiro obtido pela facção. Relatório revelou que ele movimentou R$ 3.562.399,86 em crédito e R$ 3.571.104,45 em débitos.
E com todo o citado patrimônio, Fagner Farias (Vaguinho), também figura como proprietário de duas empresas usadas para lavagem de dinheiro, o Supermercado Alice Ltda, na qual ingressou como sócio no lugar de Maria Aparecida Coluna Almeida (madrasta de Cristiane Prins), supostamente utilizada como “laranja” e Mercado Alice F Paelo Ltda. Ele ainda recebeu a transferência de um imóvel adquirido por R$30 mil, em 2021, pelo valor de R$563 mil, portanto, supervalorizado.
Vaguinho, além das empresas, possui ainda uma casa avaliada em R$200 mil, três caminhões avaliados em quase R$2 milhões e patrimônio estimado em R$ 2 milhões, sem comprovação lícita.
A investigação ainda acusa Fagner de ser o “disciplina” deste núcleo da facção em Mato Grosso, cuja função é a aplicação dos chamados “salves”, um tipo de castigo violento investido pelos faccionados contra os desafetos ou àqueles que contrariam suas ordens.
Interceptação feita em seu celular encontrou um registro em que há a foto de uma mulher com um “X” e “CV” marcados. Em seguida, foi achado um vídeo contendo imagens de uma mulher sendo açoitada.
Todos esses aspectos levantados pela polícia, quais sejam o patrimônio milionário sem comprovação lícita, a propriedade de empresas de fachada usadas para lavar as quantias milionárias e a violência empregada contra os desafetos levaram a juíza decidir que medidas cautelares mais brandas à prisão não seriam suficientes para resguardar a ordem pública, integridade física das testemunhas que pretendem colaborar com a Justiça e a consequente tramitação processual do caso.
“Portanto, imprescindível por conveniência da instrução criminal que todos aqueles identificados como membros integrantes desta organização, voltada à lavagem de dinheiro e pratica de outros crimes, tenham suas liberdades temporariamente restringidas, para que sejam imediatamente retirados do convívio social ao menos até que seja desmantelada essa estrutura criminosa”, decidiu a magistrada ao autorizar a deflagração da Apito Final, em decisão proferida no início do mês passado.
Apito Final
A ação policial é um braço da Operação W.O., deflagrada no último dia 29, em Maceió (AL), pela Delegacia de Repressão ao Entorpecente (DRE). Na ocasião, além de W.T., foram presos: Alex Júnior Santos de Alencar, Andrew Nickolas Marques dos Santos e Tayrone Junior Fernandes de Souza, quando participavam de um jogo de futebol na capital alagoana. Por se tratar do líder da organização, os investigadores anteciparam a investida contra W.T. e deflagraram a operação.
Nesta terça-feira (2), a polícia cumpriu 25 mandados de prisão e 29 de buscas e apreensão, além da indisponibilidade de 33 imóveis, sequestro de 45 veículos e bloqueio de 25 contas bancárias dos alvos investigados pelos crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos ou valores, tráfico e uso drogas, e promoção, constituição, financiamento ou integração de organização criminosa. Vaguinho foi um dos alvos de prisão.
Polícia
Polícia Civil leva debate sobre bullying, ciberbullying e radicalização misógina às escolas de Cuiabá
A violência contra a mulher não começa com um feminicídio. Ela nasce silenciosa, muitas vezes nos corredores das escolas, nas salas de bate-papo de jogos online, nos comentários anônimos das redes sociais e nos discursos de ódio que se infiltram como verdadeiros “coaches” da masculinidade tóxica.
Para enfrentar essa realidade, a Polícia Judiciária Civil, por meio da Coordenadoria de Polícia Comunitária e dos projetos sociais intensificou palestras nas unidades de ensino, lança um olhar atento e preventivo sobre o fenômeno da intimidação sistemática (bullying), do ciberbullying e da radicalização online em perfis da manosfera e machosfera.
A ação, que integra a campanha de prevenção à violência virtual nas escolas da capital, leva às salas de aula um diálogo franco e desarmado com alunos do ensino fundamental e médio. O objetivo não é apenas punir, mas impedir a formação de novos agressores, desconstruindo a ideia de que “brincadeira de mau gosto” é algo natural ou inofensivo.
“Não é brincadeira”: Investigador alerta para os crimes por trás da tela
Palestrante frequente nas ações da Polícia Civil em Cuiabá, o investigador Ademar Torres de Almeida, tem se dedicado a levar às escolas uma mensagem clara: o bullying e o ciberbullying são violações graves, com consequências jurídicas e emocionais reais. Em suas apresentações, ele utiliza recursos audiovisuais e exposição dialogada para mostrar como apelidos, xingamentos repetitivos, exclusão social e humilhações digitais não se trata de “mera diversão”.
“Precisamos desmontar essa ideia de que colocar apelido ofensivo, isolar o colega ou espalhar um boato é brincadeira. Isso é violência. E quando essa violência ganha as redes ou os chats dos jogos online, ela se multiplica. A Lei nº 14.811/2024 tipificou o cyberbullying como ‘intimidação sistemática virtual’, e os adolescentes precisam saber que responderão por atos infracionais por essas condutas”, alerta o investigador.
Segundo Ademar Torres, um dos pontos mais críticos observados nos diálogos com os jovens é a adesão velada a discursos de ódio contra meninas e mulheres, propagados em comunidades como a manosfera – um ecossistema digital misógino – e seu núcleo mais radical, a machosfera. Termos como Incel, Redpill, Blackpill e MGTOW (Homens Seguindo seu Próprio Caminho) têm sido identificados por pesquisas como mecanismos de radicalização que transformam frustrações em rancor e, em casos extremos, em violência.
“Quando um aluno começa a reproduzir frases de ódio contra as colegas, a defender que ‘mulher merece sofrer’ ou a consumir conteúdos de influenciadores que pregam a dominação masculina, isso é um sinal de alerta. Estamos falando de um processo de radicalização que começa online e pode terminar em violência real. A escola é o lugar ideal para interromper esse ciclo”, explicou o investigador.
Psicóloga reforça: parceria com a Polícia Civil transforma a escola
A atuação da Polícia Civil nas escolas não acontece de forma isolada. No Colégio Tiradentes da Polícia Militar, em Cuiabá, a psicóloga Renata, da equipe psicossocial da unidade, tem acompanhado de perto os resultados das palestras e rodas de conversa promovidas pelos investigadores. Para ela, a presença da Polícia Civil no ambiente escolar é fundamental para desmistificar o tema e dar segurança jurídica e emocional a alunos e educadores.
“A expressão ‘bullying’ é usada para qualificar comportamentos agressivos no ambiente escolar, praticados de forma intencional e repetitiva, deixando a vítima impossibilitada de se defender. Mas, na prática, muitas crianças e adolescentes não sabem identificar quando estão sendo vítimas ou, pior, quando estão sendo agressores. O trabalho da Polícia Civil, com uma linguagem acessível e exemplos concretos, ajuda a desnaturalizar essa violência. Eles explicam desde o bullying físico até o cyberbullying, incluindo a falsificação de fotos, a disseminação de boatos e a violação de intimidade”, detalha a psicóloga.
Renata destaca que um dos maiores ganhos dessa parceria é a prevenção baseada no diálogo e no acolhimento, e não apenas na repressão. “Quando o investigador entra na sala e fala sobre como os jogos online podem se tornar espaços tóxicos, ou como um comentário misógino em uma rede social não é ‘só uma opinião’, os alunos se sentem provocados a refletir. A escola sozinha não dá conta desse fenômeno digital. Precisamos do Estado, da segurança pública, atuando de forma coordenada. A Polícia Civil tem sido essencial nesse sentido”, afirmou.
O que diz a lei e o papel da escola
O coordenador da Polícia Comunitária, delegado Mario Dermeval, ressalta que as ações da Polícia Civil nas escolas de Cuiabá estão amparadas em um robusto arcabouço legal. A Lei Estadual nº 9.724/2012 determina a inclusão de medidas de conscientização e combate ao bullying nos projetos pedagógicos de Mato Grosso. Já a Lei Federal nº 13.185/2015 instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, e a Lei nº 13.663/2018 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para obrigar as escolas a promoverem ações de prevenção à violência e cultura de paz.
De acordo com o material utilizado nas palestras, as formas mais comuns de bullying vão além do físico e incluem o bullying psicológico (amedrontar, perseguir), moral (difamar, caluniar), verbal (insultos, apelidos humilhantes), sexual (assediar), social (isolar, excluir), material (furtar ou destruir pertences) e o virtual ou cyberbullying (humilhações online, invasão de perfis, envio de mensagens ofensivas).
Prevenção como projeto de Estado
Segundo o gerente de Polícia Comunitária, investigador Nilton César Cardoso, as ações da Polícia Civil na capital têm por referência os projetos sociais de prevenção e o Programa Escola Segura que visa a prevenção eficaz aliada a educação transformadora, integrada no território escolar. Ao final das palestras, fica a mensagem central: os algoritmos das redes sociais e os chats dos jogos online não podem ditar o que é certo ou errado. A responsabilidade é coletiva. Como bem sintetizou o Investigador.
Serviço
Escolas públicas e privadas de Cuiabá que desejarem agendar palestras sobre bullying, ciberbullying, prevenção à violência virtual e enfrentamento à radicalização misógina podem entrar em contato com a Polícia Civil. As ações são gratuitas e voltadas a alunos do ensino fundamental e médio.
Fonte: Policia Civil MT – MT
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