Mato Grosso
Sinpol vai a Justiça contra desvio de funções nas delegacias do Estado
Mato Grosso
Da Redação
Após uma suposta agressão ocorrida no dia 15 de novembro, onde o advogado e presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Peixoto do Azevedo (674 km de Cuiabá), Marcus Giraldi, agrediu uma policial civil que estava sozinha em uma delegacia em Guarantã do Norte (708 km de Cuiabá).
Na ocasião, o advogado teria se irritado pela demora de ser atendido durante uma visita a um cliente que está detido na delegacia, e por este motivo teria ofendido e agredido a policial que não teve o nome divulgado.
Porém o caso ganhou bastante repercussão na mídia local, e trouxe a tona dois problemas que já são muito comuns dentro das delegacias de todo o Estado. O primeiro deles, trata-se dos casos de abusos por parte de advogados nos momentos das visitas a seus clientes, de acordo com a presidente do Sindicato dos Agentes de Polícia Civil de Mato Grosso (Sinpol), Edleusa Mesquita, afirmou em entrevista para a TV Centro América que casos como estes estão se tornando comuns principalmente no interior do Estado,
O segundo problema que veio a tona após o episódio na delegacia de Guarantã do Norte foi a questão do desvio de função dos profissionais, já que de acordo com Edleusa é comum policiais acumularem trabalhos, no caso da policial ofendida e agredida, ela estava cuidando de doze pessoas que se encontravam detidas no local, e por este motivo havia fechado a delegacia para levar seis detidas ao banheiro.
Após o ocorrido, a Simpol divulgou através de seu site oficial que protocolou uma Ação Civil Pública (1054149-56.2019.8.11.0041) contra o Estado de Mato Grosso com o objetivo de colocar fim ao constante desvio de função nas delegacias.
Ainda de acordo com o sindicato, a medida também visa reafirmar o objetivo da carreira dos investigadores de polícia, já que de acordo com a nota, a postura do governo em manter a cautela de presos em delegacias gera dificuldades na rotina policial.
Disse ainda, que o Estado precisa reconhecer que a função do investigador é produzir o conhecimento para ajudar na resolução de inquéritos, além disso, afirmou que os policiais são obrigados a exercer a função de agentes prisionais na custódia de presos e guarda patrimonial de delegacias em um “reprovável desvio de função”.
“O Estado precisa reconhecer que a função do investigador é produzir conhecimento para ajudar na resolução dos inquéritos, apenas isso. Hoje, somos obrigados a exercer a função de agentes prisionais na custódia de presos e de guarda patrimonial de delegacias num reprovável desvio de função. Além disso, somos obrigados a aceitar que as delegacias estão voltando a ser cadeias públicas, um retrocesso. Não podemos e não vamos permitir isso. Estamos recorrendo a Justiça para que o Estado reconheça nossa atribuição e nos permita exercê-la de forma única e em sua plenitude”. Diz Edleusa.
A presidente da Sinpol, disse ainda que notificou o Estado através da Secretaria de Segurança Pública (Sesp) para que não haja acumulo de função em delegacias nem desvio de atividades. Além disso, de acordo com o Sinpol, policiais civis estariam sendo obrigados a fazer o translado de presos para outros municípios.
“Isso é outro absurdo. Somos obrigados a transladar presos sem qualquer apoio de outros agentes de segurança pública. Já conversamos com as autoridades competentes, fizemos denúncias ao Ministério Público Estadual (MPE) e nada foi resolvido. O preso deve ficar na delegacia até a comunicação do flagrante. Depois disso, deve ser encaminhado a custódia por agentes competentes, não por investigadores. Outra coisa: em caso de arbitração de fiança, o preso deve permanecer na custódia e não nas delegacias até que o pagamento do acordo seja feito”. Disse.
Nossa equipe de reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) com uma série de perguntas sobre o caso, até o momento do fechamento desta matéria não havia sido divulgada nenhuma nota.
Foto: Internet
Mato Grosso
Gaúcha do Norte implanta Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica contra a Mulher
Localizada a cerca de 571 km de Cuiabá, Gaúcha do Norte passa a contar com a atuação da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Com a formalização ocorrida na sexta-feira (31), o município se tornou o 129º do estado a ser integrado à iniciativa liderada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
A ação foi feita por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), sob coordenação da desembargadora Vandymara Galvão Ramos Paiva Zanolo. A Rede conta ainda com a participação de instituições da segurança pública, Ministério Público, Defensoria Pública, Municípios, dentre outras.
Além da assinatura do Termo de Cooperação Técnica entre os órgãos e instituições participantes, a passagem da equipe do Cemulher-MT por Gaúcha do Norte proporcionou ainda a capacitação de 32 pessoas que atuarão na Rede. A implantação da Rede de Enfrentamento foi efetivada após pedido da Patrulha Maria da Penha do município.
“Percebemos a dificuldade que temos ao atender sozinhos os casos de violência doméstica. Precisamos da Rede para oferecer uma proteção e suporte maior. Com essa união, podemos agir em conformidade nesse propósito, que é proteger a vida da mulher”, explicou a soldado PM Gisele Bernardo Pinto Matos, comandante da Patrulha Maria da Penha de Gaúcha do Norte.
Para Tiago Gonçalves dos Santos, juiz substituto da 1ª Vara de Paranatinga – comarca que realizada o atendimento jurisdicional de Gaúcha do Norte, a instalação da Rede de Enfrentamento é um marco importante. “Mais uma vez o Poder Judiciário vai até a comunidade, desta vez em parceria, com o objetivo de melhorar nossa sociedade, principalmente para as mulheres e meninas que tanto sofrem em nosso estado”, disse.
De acordo com a promotora de Justiça Fernanda Luíza M. Siscar, a partir da assinatura do Termo de Cooperação Técnica ficará mais fácil para os órgãos e instituições definirem os fluxos de atendimento, prioridades e ações para o município. Ela destacou que também está no planejamento a criação de um plano de metas, que guiará as estratégias de atuação para os próximos dez anos.
“A partir da implementação da Rede é que nós conseguimos avançar nas demais normativas, documentos públicos, nos planos e nas iniciativas estratégicas. Com a Rede, conseguimos devolver à população um serviço de melhor qualidade. Junto a isso, estamos buscando também a criação do plano decenal de metas para o município”, relatou a promotora.
Já o delegado da Polícia Civil de Mato Grosso, Gabriel Conrado, a implantação da Rede é fundamental para a integração de todos os órgãos públicos. “Temos um número muito alto de casos de violência doméstica nessa região. Então, essa integração é importante para a repressão desses crimes e proteção das mulheres”, pontuou.
Canais de denúncia:
180 – Todo território nacional
181 – Estado de Mato Grosso
197 – Polícia Civil
190 – Polícia Militar
Autor: Bruno Vicente
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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