Mato Grosso

Parceria entre Unemat e 29 instituições consolida base de dados única sobre abelhas brasileiras

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A Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) faz parte de um marco para a ecologia e a taxonomia no Brasil: uma vasta pesquisa colaborativa, envolvendo 30 instituições nacionais e pesquisadores de diversas universidades, lançou o Banco de Dados de Caracteres Morfológicos de Abelhas Brasileiras (BBTD, do inglês Brazilian Bee Trait Database).

O estudo, publicado na prestigiada revista alemã Oecologia, não apenas preenche uma lacuna histórica de conhecimento, mas também revela que as características funcionais das abelhas brasileiras diferem drasticamente dos padrões observados em regiões temperadas, como China, Europa e Estados Unidos.

A Unemat, por meio da contribuição de seu pesquisador em rede de pesquisa, ocupou a décima posição em termos de relevância institucional no trabalho, demonstrando a força da pesquisa estadual no cenário nacional. Na Instituição, a pesquisa foi coordenada pelo professor e pesquisador Evandson José dos Anjos, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Rede em Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal (Bionorte) em Mato Grosso.

O principal achado do estudo é que a fauna neotropical inverte ou subverte regras ecológicas tidas como globais, tornando ineficazes as estratégias de conservação baseadas em dados externos.

Entre os contrastes mais notáveis, o estudo de 2.066 espécies de abelhas brasileiras verificou:

Ninhos aéreos ameaçados: Em contraste com a Europa, a China e a América do Norte, onde a maioria das abelhas fazem ninhos no solo, no Brasil, o número de espécies que constroem ninhos acima do solo (em árvores ocas ou cavidades naturais) é de quase 48%, equiparando-se às que criam ninhos em cavidades subterrâneas. Isso implica uma maior vulnerabilidade ao desmatamento e à perda de grandes árvores.

Inversão no tamanho social: As abelhas eussociais (que vivem em colônia, como as abelhas sem ferrão) são, no Brasil, significativamente menores do que as espécies solitárias. Em outras regiões, a tendência é a oposta. Esta inversão no tamanho corporal é um desafio a modelos estabelecidos e exige estudos específicos sobre as pressões evolutivas no clima tropical.

Domínio da socialidade: A proporção de abelhas eussociais no Brasil é quatro vezes maior que na Europa, um reflexo da estabilidade climática tropical, que favorece o desenvolvimento de colônias perenes.

A força da ciência em rede

A complexidade e a extensão do trabalho, que compilou dados de décadas de coleções científicas, foram possíveis graças ao inédito esforço de cooperação nacional, tema central da discussão dos autores.

“É imperativo dizer que não fazemos ciência sozinhos”, ressalta o professor Evandson Anjos. “Este trabalho é uma reunião de pesquisadores de 30 instituições no Brasil, demonstrando o quanto podemos potencializar a pesquisa quando atuamos em rede”, afirma o pesquisador. “Este é um exemplo de como valorizar o trabalho colaborativo, que consolida dados de muitas décadas que, de outra forma, ficariam inacessíveis nas coleções”, declara Evandson.

O BBTD já está disponível ao público e será continuamente atualizado com novas descobertas e espécies, transformando-se em uma ferramenta fundamental para pesquisadores, gestores ambientais e formuladores de políticas públicas.

Próximos passos

Os resultados do estudo reforçam a urgência de estratégias de conservação e manejo agrícola geograficamente adaptadas. Para a Unemat e as instituições parceiras, o próximo passo é utilizar o BBTD para direcionar futuras pesquisas de campo, focando nas espécies com maior lacuna de dados e nos impactos específicos de mudanças climáticas sobre os polinizadores nos biomas mato-grossenses.

O trabalho evidencia a capacidade da pesquisa brasileira em produzir conhecimento de alto impacto, indispensável para a conservação da biodiversidade global. Integram a pesquisa as universidades da Região de Joinville, de Brasília, de São Paulo, Estadual de Feira de Santana, as federais da Bahia, de Goiás, de Minas Gerais, de Uberlândia, do Pará, do Paraná, do Rio de Janeiro e Rural do Rio de Janeiro, bem como a estadunidense Universidade do Norte do Texas e a britânica Universidade de Oxford.

Além das universidades, o trabalho também integrou os institutos de Pesquisa Ambiental da Amazônia, Federal de Goiás, Nacional de Pesquisas da Amazônia e Tecnológico Vale, a Amplo Engenharia e Gestão de Projetos, a Unidade Amazônia Oriental da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Fundação Oswaldo Cruz, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, o Museu Paraense Emílio Goeldi, a empresa pública britânica Natural England, o holandês Centro e Biodiversidade Naturalis e a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Distrito Federal.

Fonte: Governo MT – MT



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Projeto Água para o Futuro fortalece ações em Campo Verde

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O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) deu início a uma nova fase do projeto Água para o Futuro, desta vez no município de Campo Verde (137 km de Cuiabá), com o objetivo de identificar, caracterizar, monitorar, recuperar e proteger nascentes urbanas e rurais do município.A iniciativa é desenvolvida em parceria com o Instituto Centro de Vida (ICV), que passa a atuar como executor técnico das atividades, fortalecendo as ações voltadas à preservação dos recursos hídricos e à recuperação ambiental.A nova fase dos trabalhos ocorre após a conclusão da primeira etapa do projeto no município, que resultou na confirmação de 45 nascentes em Campo Verde. O levantamento integra a estratégia de interiorização do programa, que já alcançou 27 municípios mato-grossenses ao longo da última década.Durante o início das atividades, o promotor de Justiça Marcelo Corrêa destacou que o próximo passo consiste na definição das áreas prioritárias para intervenção ambiental.“Nós vamos agora identificar as fontes, as nascentes prioritárias de atendimento para que a gente faça uma contenção dos processos erosivos e a efetiva proteção”, afirmou.O coordenador técnico do Projeto Água para o Futuro, Abílio Ferraz, explicou que o trabalho de campo é fundamental para validar as informações obtidas por meio das ferramentas de geotecnologia e definir as características de cada nascente.“A partir do trabalho de campo é possível fazer a confirmação e caracterização da nascente. Essa caracterização é definir que tipo de nascente é: pontual, múltipla ou difusa, que interfere na delimitação da APP. E avalia ainda o estado de degradação ou conservação dessa nascente”, esclareceu.Parceiro da iniciativa desde 2020, o Instituto Centro de Vida passa a desempenhar um papel ainda mais estratégico na execução do projeto. Segundo o coordenador de Inteligência Territorial do ICV, Vinícius Silgueiro, a atuação conjunta com instituições e atores locais é essencial para garantir resultados efetivos na conservação ambiental.“Por meio da mobilização de atores locais, bem como da elaboração de planos de ação e projetos voltados à reparação de danos ambientais, recuperação de nascentes e proteção das beiras de rio, o ICV dá mais um passo nessa contribuição”, ressaltou.Criado pelo Ministério Público de Mato Grosso em 2015 e coordenado pelo procurador de Justiça Gerson Barbosa, o Projeto Água para o Futuro busca identificar, confirmar, caracterizar e promover a recuperação e a proteção de nascentes. Para isso, utiliza ferramentas de geotecnologia, trabalhos de campo, monitoramento ambiental e articulação institucional, subsidiando a atuação do MPMT na defesa dos recursos hídricos.Desde sua criação, o projeto já identificou 306 nascentes em Cuiabá. Somadas às 612 nascentes mapeadas nos municípios participantes da interiorização, o total chega a 918 nascentes confirmadas em Mato Grosso.O trabalho desenvolvido também contribui diretamente para a proteção de pelo menos 6 milhões de metros quadrados de Áreas de Preservação Permanente (APPs), extensão equivalente a aproximadamente 800 campos de futebol.As nascentes confirmadas estão distribuídas pelos biomas Cerrado, Pantanal, Amazônia e áreas de transição, abrangendo as bacias hidrográficas do Alto Paraguai, Tocantins-Araguaia e Amazônica. Os resultados demonstram a relevância estratégica do projeto para a segurança hídrica, a conservação ambiental e a proteção dos recursos naturais em Mato Grosso.

Fonte: Ministério Público MT – MT



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