Mato Grosso
Mulher junta dinheiro por cinco anos para cirurgia plástica e médico comete erro cirúrgico
Mato Grosso
Da Redação
A cozinheira, Cláudia das Graças Numinatto, 36 anos, assim como muitas brasileiras não estava contente com o seu corpo, e decidiu que iria juntar dinheiro para fazer uma cirurgia em seus seios. Foi então que a partir de 2012 passou a fazer economias para realizar o sonho de ter seios perfeitos.
Moradora da Zona Rural de Campos de Júlio (526 km de Cuiabá), trabalhou muito e após cinco anos economizando, conseguiu juntar cerca de R$ 10 mil que seriam usados para a cirurgia. Cláudia decidiu recorrer a um cirurgião plástico do Estado de Rondônia, porém aquele que deveria ser o momento mais feliz de sua vida, se transformou em um grande pesadelo.
Depois de negociar os valores do procedimento cirúrgico, no dia 7 de abril de 2017 Cláudia viajou para a cidade de JíParaná, em Rondônia onde procurou o médico cirurgião plástico, Dr. Rodrigo Martins Castro, responsável no qual negociou o procedimento no qual ficou marcado para o dia 5 de julho de 2017.
No dia 5 de julho ela retornou para Jí Paraná, desta vez para realizar a tão sonhada cirurgia. Depois de horas na sala de cirurgia finalmente a cirurgia chegou ao fim e ela resolveu ficar em Rondônia, na casa de uma irmã até chegar o dia do retorno que estava marcado para 15 dias após o procedimento.
No dia marcado, Cláudia voltou para o consultório onde o médico retirou os curativos, neste mesmo dia, ela aproveitou para questionar o médico em relação ao tempo que levaria para ela de fato ter os seios que sempre sonhou, na ocasião Dr. Rodrigo Martins explicou que a paciente deveria fazer uso de um sutiã modelador por 24h e que de quatro a seis meses seus seios estariam perfeitos, mas não foi isso que aconteceu.
Passado o tempo, Cláudia viu seus seios ficarem ainda mais flácidos que anteriormente, além disso, suas mamas ficaram deformadas. Após a desagradável surpresa quanto ao resultado do procedimento estético, Claudia procurou por diversas vezes o profissional, solicitando que o mesmo corrigisse o erro cirúrgico, depois que realizou o procedimento ela não mais conseguiu falar diretamente com o médico, quem atendia suas ligações era a secretária do mesmo.
Claudia contou a nossa equipe de reportagem, que depois de alguns meses procurou novamente o cirurgião que lhe afirmou que iria reparar o erro, para isso ela deveria desembolsar outros R$ 5 mil, oferta negada pela paciente. Dias depois, uma nova oferta ocorreu, desta vez, ela teria de pagar R$ 3 mil para que seus seios fossem corrigidos, foi então que ela decidiu marcar o novo procedimento, porém, no dia marcado, Rodrigo Martins foi viajar e não realizou a correção.
Cláudia conta ainda, que desde que viu seu sonho se tornar em pesadelo, passou por sérios problemas psicológicos e passou a frequentar psicólogos.
“Eu não queria nem acreditar, porque era meu sonho e eu vinha juntando dinheiro a bastante tempo para fazer, eu não queria acreditar naquilo. Só não entrei em depressão porque meu marido me deu total apoio.” Afirmou.
Vendo que seu problema não seria solucionado, ela resolveu procurar um advogado que entrou com uma ação contra o médico. Na ação, o advogado Rafael Evangelista da Silva, argumentou que o médico não cumpriu as obrigações assumidas com sua cliente e que o mesmo se negou a corrigir o erro cirúrgico. Além disso, solicitou que fossem reparados os danos causados nos seios de Cláudia das Graças e que fossem realizados os pagamentos de despesas decorrentes de uma cirurgia de reparação, além disso, solicitou o pagamento de uma indenização por danos morais.
Após quase um ano de batalha judicial, finalmente Cláudia ganhou na Justiça o direito a ter o erro reparado. Na sentença assinada pelo juiz Antonio Carlos Pereira de Souza Junior, o médico é condenado com base no Código de Defesa do Consumidor, a indenizar a paciente no valor de R$ 15 mil e a restituição dos honorários médicos, despesas hospitalares e anestesias pagas pela paciente no valor de R$ 8 mil, além disso, Rodrigo de Castro ainda foi condenado a indenização por danos materiais e obrigação de fazer no valor referente o procedimento cirúrgico que Cláudia necessita para realizar a correção do erro, ainda terá de pagar todas as custas do processo.
As informações constam no processo de número 1049-28.2018.811.0046 disponíveis no fórum da Comarca de Comodoro.
Nossa equipe de reportagem entrou em contato com o cirurgião plástico Rodrigo Martins Castro, sua secretária nos informou que ele estava em um procedimento cirúrgico e que retornaria assim que fosse possível. Também entramos em contato com o advogado do médico que não quis se manifestar sobre o caso.
Foto: Pessoal
Mato Grosso
Sua experiência pode ajudar a uniformizar decisões no Judiciário de Mato Grosso
Uma situação observada na rotina forense, um tema que gera decisões divergentes ou uma controvérsia com potencial de afetar grande número de pessoas pode se transformar em uma tese jurídica capaz de orientar julgamentos em todo o estado.
Para ampliar a participação da comunidade jurídica na identificação de questões com grande impacto jurídico ou social, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio do Núcleo de Gerenciamento de Precedentes e Ações Coletivas (Nugepnac), disponibiliza um formulário eletrônico para o recebimento de sugestões de temas que possam subsidiar a instauração do Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas (IRDR) e do Incidente de Assunção de Competência (IAC).
Magistrados, servidores, advogados, membros do Ministério Público, defensores públicos, procuradores, professores, pesquisadores e demais operadores do Direito podem apresentar sugestões de questões que, pela relevância ou recorrência, mereçam análise pelo Tribunal.
O IRDR é um mecanismo processual previsto no artigo 976 do Código de Processo Civil (CPC), destinado a solucionar controvérsias unicamente de Direito e repetitivas. O instrumento permite a fixação de uma tese jurídica para orientar o julgamento de processos semelhantes, evitando decisões divergentes sobre uma mesma questão de direito e promovendo tratamento isonômico aos jurisdicionados.
Já o Incidente de Assunção de Competência (IAC) é utilizado para o julgamento de questões relevantes, de grande repercussão social, mesmo quando não há repetição de processos em larga escala.
As sugestões encaminhadas por meio do formulário serão analisadas pelo Nugepnac, responsável pelo monitoramento, gerenciamento e fortalecimento da política de precedentes no âmbito do Poder Judiciário de Mato Grosso.
A iniciativa reforça o compromisso do TJMT com a construção de precedentes qualificados, a uniformização da jurisprudência e o fortalecimento da segurança jurídica, permitindo que a experiência dos profissionais que atuam diariamente no sistema de Justiça contribua para o aprimoramento da prestação jurisdicional.
Acesse o formulário e envie sua sugestão
Autor: Marcia Marafon
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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