Mato Grosso
“Lei feita na pressão nunca é uma boa lei” diz senador sobre PEC da prisão em 2ª instância
Mato Grosso
Da Redação
Após a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, beneficiado com a mudança do entendimento sobre a prisão em segunda instância a algumas semanas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) o assunto voltou a ganhar destaque não apenas na imprensa, mas nos debates políticos.
O assunto divide opiniões, muitos afirmam que permitir a prisão em segunda instância é um avanço para o processo penal brasileiro, porém, outros afirmam ser um verdadeiro retrocesso em relação a presunção de inocência.
Para o senador mato-grossense, Welligton Fagundes (PR), a questão precisa ser debatida mais amplamente, ele afirmou que é favorável aquilo que está na constituição, segundo o senador, se caso o entendimento seja mudado novamente, é preciso aplica-lo daqui em diante, já que de acordo com muitos juristas, não se pode voltar atrás em relação a direitos conquistados.
Disse ainda, que vem conversando com muitos advogados e juristas sobre o assunto, citou inclusive, o governador do Distrito Federal (DF), Ibaneis Rocha (MDB) que é advogado e de acordo com Fagundes possui uma banca representativa no Brasil.
Falou também em relação aos aspectos jurídicos e constitucionais da questão, já que de acordo com alguns juristas, a questão da prisão em segunda instância é considerada uma Cláusula Pétrea, e por este motivo sua mudança seria inconstitucional.
Porém o senador prefere não antecipar seu voto, o mesmo afirma que o assunto precisa ser amplamente discutido pelos diferentes setores da sociedade, entre eles, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a sociedade de modo geral e também os apelos das ruas. “Eu sempre tenho falado que uma lei feita na pressão nunca é uma boa lei, agora, nós vamos ouvir toda a OAB, ouvir toda a sociedade, vamos ouvir as ruas também, claro, é importante agora, nós não podemos votar apenas na pressão.” Disse Fagundes.
O senador ainda utilizou como exemplo a questão do armamento no qual foi editado pelo presidente Jair Messias Bolsonaro (PSL) através de decreto e que posteriormente foi considerado inconstitucional, de acordo com Fagundes, após o veto do decreto foi necessário votar questões pontuais como o direito a posse de armas em propriedades rurais, regulamentando para aqueles que possam e necessitam ter uma arma para sua guarda.
Ainda em relação a questão do desarmamento, Welligton lembrou o crime que chocou todo o Estado, onde um homem sacou uma arma de fogo e disparou matando uma engenheira agrônoma da cidade de Sorriso na semana passada. “Agora mesmo nós tivemos a poucos dias lá em Sorriso, um crime mais bárbaro do mundo, por uma pessoa no trânsito ali, apenas porque o outro estava andando devagar, foi lá, deu um tiro e matou uma pessoa, então tudo tem que ser feito com muito cuidado. O cidadão tem que ter o direito sim, se ele quiser ter sua arma, se ele quiser ter suas condições, ele tem que ter direito, porém tem que ter sua responsabilização.” Disse.
Quando questionado se a soltura do ex-presidente Lula acirraria os ânimos e a polarização que o Brasil enfrenta, o senador da República não teve dúvidas em sua resposta: “Claro que acirra aí está se disputando a direita contra a esquerda, e principalmente na radicalização, isso está acontecendo não só no Brasil, no mundo inteiro. Eu sou um cara de centro, eu acredito que antes de tudo é necessário o diálogo, respeitando o pensamento tanto na direita quanto na esquerda, mas buscando a convergência daquilo que é melhor para a sociedade.” Afirmou Welligton.
Já em relação a uma eventual reaproximação com Lula para se iniciar um diálogo e assim fazer uma possível oposição a Bolsonaro, o senador afirmou que no momento isso é impensável, já que ele seria uma figura lotada no centro do espectro político, afirmou que a ideia no momento é buscar o diálogo e buscar colocar o país novamente no caminho certo, já que no momento o país está em crise financeira, ética e fiscal. “Então nesse momento nós temos que pensar principalmente no trabalhador, naquele que está desempregado, são mais de 13 milhões de pessoas desempregadas, então acima de tudo, temos que ter responsabilidade, agora não é hora de antecipar a campanha eleitoral, agora é hora de cuidar do Brasil de criar as oportunidades pra quem hoje precisa de trabalho, quem precisa de oportunidade e cuidar do Brasil para as futuras gerações”. Finalizou.
Mato Grosso
Gaúcha do Norte implanta Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica contra a Mulher
Localizada a cerca de 571 km de Cuiabá, Gaúcha do Norte passa a contar com a atuação da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Com a formalização ocorrida na sexta-feira (31), o município se tornou o 129º do estado a ser integrado à iniciativa liderada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
A ação foi feita por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), sob coordenação da desembargadora Vandymara Galvão Ramos Paiva Zanolo. A Rede conta ainda com a participação de instituições da segurança pública, Ministério Público, Defensoria Pública, Municípios, dentre outras.
Além da assinatura do Termo de Cooperação Técnica entre os órgãos e instituições participantes, a passagem da equipe do Cemulher-MT por Gaúcha do Norte proporcionou ainda a capacitação de 32 pessoas que atuarão na Rede. A implantação da Rede de Enfrentamento foi efetivada após pedido da Patrulha Maria da Penha do município.
“Percebemos a dificuldade que temos ao atender sozinhos os casos de violência doméstica. Precisamos da Rede para oferecer uma proteção e suporte maior. Com essa união, podemos agir em conformidade nesse propósito, que é proteger a vida da mulher”, explicou a soldado PM Gisele Bernardo Pinto Matos, comandante da Patrulha Maria da Penha de Gaúcha do Norte.
Para Tiago Gonçalves dos Santos, juiz substituto da 1ª Vara de Paranatinga – comarca que realizada o atendimento jurisdicional de Gaúcha do Norte, a instalação da Rede de Enfrentamento é um marco importante. “Mais uma vez o Poder Judiciário vai até a comunidade, desta vez em parceria, com o objetivo de melhorar nossa sociedade, principalmente para as mulheres e meninas que tanto sofrem em nosso estado”, disse.
De acordo com a promotora de Justiça Fernanda Luíza M. Siscar, a partir da assinatura do Termo de Cooperação Técnica ficará mais fácil para os órgãos e instituições definirem os fluxos de atendimento, prioridades e ações para o município. Ela destacou que também está no planejamento a criação de um plano de metas, que guiará as estratégias de atuação para os próximos dez anos.
“A partir da implementação da Rede é que nós conseguimos avançar nas demais normativas, documentos públicos, nos planos e nas iniciativas estratégicas. Com a Rede, conseguimos devolver à população um serviço de melhor qualidade. Junto a isso, estamos buscando também a criação do plano decenal de metas para o município”, relatou a promotora.
Já o delegado da Polícia Civil de Mato Grosso, Gabriel Conrado, a implantação da Rede é fundamental para a integração de todos os órgãos públicos. “Temos um número muito alto de casos de violência doméstica nessa região. Então, essa integração é importante para a repressão desses crimes e proteção das mulheres”, pontuou.
Canais de denúncia:
180 – Todo território nacional
181 – Estado de Mato Grosso
197 – Polícia Civil
190 – Polícia Militar
Autor: Bruno Vicente
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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