Mato Grosso
Blocos e escolas de samba agitam foliões no primeiro dia de Desfile de Carnaval na Arena Pantanal
Mato Grosso
Comemorando os 30 anos do bloco surgido a partir da união de um grupo de amigos, o Banana da Terra foi o primeiro a agitar o público na noite de abertura do Desfile de Carnaval de Cuiabá 2026, nesta sexta (7.2). A festa ocorre na passarela montada na área externa da Arena Pantanal pelo segundo ano consecutivo, com entrada gratuita e arquibancada coberta para os foliões.
A potência da bateria e o puxador de samba do bloco, conhecido por Marruco, fizeram a diferença na animação do público. A passarela foi tomada pelo entusiasmo dos passistas e porta-bandeira, com as alas tomadas pela cores verde, rosa e amarelo, além de balões nas cores prata e bronze.
No final do desfile com samba-enredo sobre os “30 anos de magia” do bloco Banana da Terra, formado a partir do fim do bloco Beleza Pura, em 1996, passistas carregavam bandeiras em homenagem a ícones do carnaval da Capital – Dona Beth e Pretinha, importantes figuras da cultura local.
Do bairro Araés, Pretinha faleceu em dezembro de 2025 e ficou conhecida por ser a guardiã das tradições locais e uma das vozes mais autênticas do samba da cultura popular cuiabana. Ela fazia dupla com a irmã, Dona Beth. Reconhecida pela participação na fundação do bloco Banana da Terra, Dona Celina também foi homenageada. Considerada referência para os vizinhos do bairro, ela é mãe do tenente Emilton Jorge, mestre de Capoeira e Taekuondo, e de Emilson Sérgio Cachorrão.
“O Banana da Terra é família, é força. Este ano voltamos para comemorar os 30 anos do bloco. O carnaval cuiabano havia estagnado, mas agora vemos um arranque. Vamos elevar o nível. Os administrados estão olhando para a gente com outros olhos. O carnaval gera emprego, renda e fomenta o turismo local. Isso está acontecendo neste momento”, destaca o mestre-salas do bloco, David William Gonçalves de Souza Silva, nascido e criado no Araés.
O mestre-salas acredita que o carnaval cuiabano passa por um processo rumo à profissionalização após cinco anos da formação da Liga Independente dos Blocos Carnavalescos e Escolas de Samba de Cuiabá (Liga).
Somente neste ano, o Governo de Mato Grosso investiu, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), R$ 2,1 milhões no evento.
“O objetivo foi entregar à população uma experiência incrível, num lugar incrível. A Arena é um ambiente seguro, a entrada é de graça, a tendência é só melhorar. O carnaval movimenta a economia, setor hoteleiro, gastronômico, entre outros. Tem pessoas do Estado inteiro aqui e, ainda por cima, o clima ajudou”, destacou o secretário de Estado de Cultura, Esporte e Lazer, David Moura.
Secretário adjunto de Cultura do Estado, Jan Moura explica que os investimento do Estado na iniciativa começaram há três anos, quando as escolas e blocos se organizaram formalmente. “Esperamos a regularização da Liga, para aplicar os recursos necessários a fim de revitalizar o Carnaval cuiabano”, observa.
O segundo desfile da noite foi do Tradição do Araés, do mesmo bairro do Banana da Terra. O bloco caprichou nas fantasias, de refinado padrão, para atender ao samba-enredo “Os Gentis do Araés”, com foco na ancestralidade, mistura de raças e a força cultural do bairro Araés. O samba destacou, neste ano, a resistência e a identidade cuiabana. As fantasias da bateria remetiam a indígenas, teve a ala dos atletas de capoeira, prática de origem afrodescendente exibida na avenida. Numa estratégia, a bateria demorou para entrar em cena, mas, quando o som foi ouvido das arquibancada, agitou o público. O bloco também destacou as religiões afrodescendentes.
Nas arquibancadas, o ambiente era familiar. Pais, filhos, grupos de amigos puderam curtir o desfile sem transtornos. Com cerca de 50 policiais militares na área do desfile, arquibancadas e camarotes, o clima era de festa.
Com parentes desfilando pelo bloco Melados, Joice Jesus levou os dois filhos para curtirem a primeira noite de festa. “O espaço está bem estruturado. Trazemos as crianças para apoiar o bloco Melados, em que desfilam nossos parentes. Apesar de todo o aparato de segurança e o clima de festa pacífico, acredito que os pais devem zelar por seus filhos. É responsabilidade”.
Enquanto isso, na avenida, desfilava o bloco Agora Q Q Esse com a figura do folclórica do Padeiro – conhecido nas históricas dos carnavais antigos pelo personagem Zé Pereira, que saía às ruas chamando o povo para brincar o carnaval brasileiro. Todas as alas eram marcadas pelo carnaval de antigamente, das décadas de 60 e 70. Outra figura histórica, do Januário, foi representada pelos passistas conclamando o público para o carnaval com cornetas. A ala das crianças representava as matinês de outrora.
As baianas, por sua vez, fizeram alusão ao tecido popular cuiabano de “chita”. De baixo custo, era conhecido pelas cores vibrantes e estampas florais grandes. Surgido na Índia, conforme a tradição, o tecido foi introduzido no Brasil pelos portugueses. O bloco também contou com a ala “Cuiabá de Antigo”, com rei e rainha, mestre-salas e a turma da “pipoca’. As fantasias reproduziam as cores da escola, azul, branco e amarelo. O samba-enredo, pensado por Auréa Santana, mulher do também diretor Alair das Neves, foi elaborado pelo cantor e compositor de sambas-enredo, Gustavinho Oliveira, do Rio de Janeiro (RJ).
Na primeira noite de desfile, também passaram pela avenida o bloco Luxo Folia e Escola de Samba Império de Angola. Do palco, o Grupo Aprontaê, Tiee, Banda Novo Som e Dj Detona animaram os foliões cuiabanos.
Acompanham os desfiles 10 jurados, sendo três de Cuiabá e sete do Rio de Janeiro, e, nas arquibancadas, o público acompanha os mínimos detalhes. O sambista Joari Moreira, por exemplo, opina: “Foi maravilhoso o desfile de abertura”.
Ele acredita que o Governo de Mato Grosso vem demonstrando interesse em reascender o carnaval como representação da cultura cuiabana. “Carnaval é uma cultura milenar, veio bem antes, lá da África. A estrutura da Arena Pantanal está boa e, em relação ao ano passado, houve um crescimento da estrutura envolvida”, completa.
Neste sábado (7.2), desfilam os blocos Boca Suja, Melados, Império da Casa Nova, e a Escola de Samba Payaguás. Em seguida, sobem no palco Sasminina, Grupo Vou pro Sereno, Rubynho e Dj Gui Antony. A abertura dos portões está marcada para as 18h e os desfiles começas às 21h.
No domingo (8.2), a abertura dos portões está prevista para 13h30. A apuração dos votos dos jurados começa às 14h e, em seguida, há o anúncio do bloco e da escola campeões do Carnaval de Cuiabá 2026. Uma matinê vai ser realizada às 16h e, para encerrar a festa em grande estilo, há os shows Grupo Puro Prazer, Matheuzinho Sucessinho, Jero Neto e Tome Aí
Sobre o acesso
Além da área geral, que tem entrada gratuita, o evento disponibiliza a venda de camarotes para os dias 6 e 7 de fevereiro. Mais informações no instagram @ligadecarnavalcuiaba.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
TJMT e TVCA promovem fórum “Destinos Roubados: a epidemia do feminicídio”
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), em parceria com a TV Centro América (TVCA), realizou nesta sexta-feira (29), em Cuiabá, o fórum “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio”. O evento ocorreu no auditório da emissora e reuniu representantes do sistema de Justiça, forças de segurança, instituições públicas e especialistas para discutir ações de enfrentamento à violência contra a mulher em Mato Grosso.
O encontro integrou o encerramento do projeto jornalístico especial “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio”, série documental composta por cinco reportagens sobre violência doméstica, feminicídio e os impactos sociais provocados por esse tipo de crime. O trabalho foi dirigido pela jornalista Ariane Locatelli.
Representando o TJMT no fórum, participaram dos debates os magistrados da 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões de Cuiabá, juiz titular Marcos Agostinho Terêncio e a juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa.
Rede de enfrentamento e prevenção
Durante o encontro, foram discutidos os principais desafios da rede de enfrentamento à violência doméstica, o acolhimento às vítimas, medidas de prevenção, atendimento aos órfãos do feminicídio e a integração entre as instituições.
A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa destacou que o fórum reuniu toda a rede de enfrentamento para refletir e, ao final, elaborar uma carta de compromissos com o objetivo de modificar a realidade da violência contra a mulher no estado.
Para ela, o fortalecimento das redes é fundamental para ampliar a proteção às vítimas. “Sozinho ninguém consegue resolver o problema da violência doméstica. Hoje, dos 142 municípios de Mato Grosso, 123 já possuem redes de enfrentamento instaladas. Esse é um espaço para fortalecer vínculos, promover maior engajamento e qualificar o atendimento prestado às mulheres”, ressaltou.
A magistrada também enfatizou a importância de ações preventivas e do trabalho voltado aos autores de violência doméstica. “Não adianta tratar apenas das mulheres. É preciso trabalhar também com o autor da violência. O homem que participa dos grupos reflexivos dificilmente volta a delinquir”, explicou.
Ana Graziela destacou ainda iniciativas desenvolvidas pelo Poder Judiciário e parceiros, como o projeto “A Escola Ensina, a Mulher Agradece”, palestras sobre a Lei Maria da Penha nas escolas e capacitações realizadas com professores da rede pública. “Precisamos trabalhar desde cedo com as crianças e adolescentes para construir relações pautadas no respeito e impedir que novos casos de violência cheguem ao sistema”, concluiu.
Responsabilização e conscientização
O juiz Marcos Terêncio destacou que o enfrentamento à violência doméstica passa pela responsabilização dos agressores, mas também por ações de conscientização e transformação de comportamento.
O debate conduzido por ele no fórum abordou “a responsabilidade penal dos agressores, tanto pela punição propriamente dita, quanto pelos sistemas de autorresponsabilização”. Ele citou os Grupos Reflexivos para homens, desenvolvidos pelo Judiciário.
“A intenção é diminuir a reincidência, demonstrando, de um lado, que a punição é certa e célere e, de outro, fazer com que esses homens reflitam sobre a violência, o machismo enraizado e os impactos causados às vítimas e às próprias famílias”, afirmou.
O magistrado também ressaltou a importância da abordagem adotada durante a série exibida pela emissora. “As narrativas são dramáticas, mas não sensacionalistas. O protagonismo é da mulher. O agressor não deve ser o protagonista da história, mas precisa reconhecer o seu papel e compreender o que a violência causa para todos ao seu redor”, completou.
Parceria institucional
Para o diretor de Conteúdo da TVCA, Marcello Rosa, o enfrentamento à violência contra a mulher exige mobilização permanente da sociedade e atuação conjunta das instituições.
De acordo com ele, a parceria com o TJMT fortalece o debate e amplia a capacidade de mobilização social. “A Justiça é fundamental nesse processo. A melhor parceria possível é ter o TJ encabeçando a organização desse evento e trazendo outros players para essa discussão. É assim que vamos transformando a sociedade, mudando pensamentos e garantindo mais segurança para as mulheres, principalmente por meio da educação”, destacou.
Do luto à luta
Alenir Gomes da Silva, mãe de uma vítima de feminicídio, participou da série documental. Aline tinha 20 anos e um filho de quatro anos quando foi morta pelo marido, em 2020.
“Ela tentava sair da relação, mas não conseguia. Muitas coisas ela não contava porque tinha medo dele. Eu tentei registrar boletim de ocorrência, mas naquela época diziam que quem precisava denunciar era a vítima”, relembrou.
Ao defender a importância de dar visibilidade aos casos de violência doméstica, Alenir explicou que decidiu participar da série para conscientizar outras mulheres e famílias. “Enquanto eu continuar falando, divulgando, alguém vai cair na real e perceber os sinais. É importante que ninguém esqueça.”
Ela também ressaltou a necessidade de investir em educação e prevenção desde a infância. “Tem que começar cedo, na escola, conscientizando meninos e meninas sobre respeito e sobre como a violência começa”, disse.
Carta de Compromisso Institucional
Ao final do fórum, as instituições participantes construíram uma Carta de Compromisso Institucional com propostas voltadas ao fortalecimento das políticas públicas de prevenção e combate ao feminicídio no estado, que somente neste ano já registrou 18 feminicídios, deixando órfãs 22 crianças e adolescentes, além de 79 tentativas de feminicídio.
Série disponível no Globoplay
Os episódios da série “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio” estão disponíveis no aplicativo Globoplay, com as edições exibidas entre os dias 25 e 29 de maio no telejornal Bom Dia MT.
Autor: Marcia Marafon
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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