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Aumenta pedidos de aposentadoria antes da reforma

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As incertezas em relação à reforma da Previdência fizeram com que disparasse o número de concessões por tempo de contribuição no último ano

Da Redação

O medo e a incerteza do brasileiro em relação à reforma da Previdência fizeram com que o número de aposentadorias por tempo de contribuição desse um salto em 2016. No último ano, 405.074 cidadãos se aposentaram por contribuição, um aumento de 38,09% em relação a 2015. Essa modalidade permite que o trabalhador se aposente apenas por tempo de contribuição, sem precisar atingir uma idade mínima, como exigirá a reforma. A trajetória de aumento da concessão desse tipo de benefício se manteve nos três primeiros meses de 2017.

Para Wladimir Novaes Martinez, advogado especialista em direito previdenciário, as notícias sobre a possibilidade de proposta de reforma da Previdência, aliadas a um medo e uma incompreensão do que de fato é a reforma foram determinantes para o aumento de aposentadorias do último ano.

“As pessoas viam as notícias de que a reforma viria, mas elas não compreendem o que é a reforma. O governo deveria ter explicado melhor, faltou transparência. E não só deste governo, todos os governos têm dificuldade em expor. É preciso educação previdenciária.”

O medo e a incerteza são o resultado da falta de clareza, explica Martinez. “O tema é muito complexo. Tinha de ser nomeada uma comissão de especialistas, sem remuneração, para estudar previdência brasileira.”

O economista especializado em contas públicas Raul Velloso acredita que essa “corrida” pela aposentadoria é natural. “Muita gente espera que a situação vá melhorar, mas quando vem uma onda de reformas, todo mundo corre. É uma reação racional.”

De acordo com Velloso, o brasileiro tem a sensação de que o governo vai prejudicá-lo. “Para a população, já está na cabeça que quando o governo entra é para reajustar e reduzir direitos.”

Rombo na Previdência

Gastos previdenciários passaram de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB), em 1997, para 2,3%, em 2016. No ano passado, o déficit do INSS chegou aos R$ 149,2 bilhões. Para este ano, a estimativa do governo federal é de déficit de R$ 181,2 bilhões.

Tanto Martinez como Velloso acreditam que o movimento de alta dos pedidos de aposentadoria deve continuar até que a reforma seja aprovada, na metade do ano. Até lá, o trabalhador que já se enquadra nas regras atuais já pode solicitá-la, de acordo com eles. “Quem se enquadra não tem que ter medo. Quem tem 65 anos, não se preocupe, o Brasil respeita o direito adquirido”, diz Martinez.

Para Velloso, quem pode se aposentar não deve esperar mais. “Quem já pode se aposentar, se aposente. A menos que tenha uma razão muito forte para continuar e esperar.”

À reportagem da VEJA, a Previdência relata que a análise sobre o movimento de alta da concessão de aposentadorias em 2016 só poderá ser feita ao final de 2017. “Em termos de dados, só conseguimos fazer essa análise mais adiante.”

Greve de 2015

Mas o motivo da alta das aposentadorias no último ano não é consenso. Para Manoel Pires, pesquisador da área de Economia Aplicada da FGV/Ibre, “é prematuro concluir que crescimento é resultado da reforma”. Pires acredita que ainda é cedo para relacionar a reforma ao crescimento do número de concessões.

“Parte deste movimento é a mudança dos atendimentos para 2016, motivado pela greve dos servidores do INSS em 2015. Mas ainda é cedo para dizer se é em função da reforma.”

O pesquisador também vê a fórmula 85/95, que aumentou o valor do benefício, é deve acabar com a aprovação da reforma, como outro fator. “A fórmula pode ter gerado uma antecipação da busca pela aposentadoria. O fator previdenciário tem um desconto muito grande do valor. Então eu acredito que as notícias sobre a proposta da reforma, a greve e a existência da fórmula 85/95 podem ter contribuído para esse maior crescimento no último ano.”

De acordo com a Previdência, a greve do INSS, que teve seu início em julho de 2015, fez com que houvesse uma queda brusca nas concessões e com que o benefício fosse represado e só pudesse ser realizado no ano seguinte, 2016.

Fonte: Veja/INSS

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Ministro prevê renegociação de R$ 90 bi em 3ª fase do Desenrola

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As instituições financeiras poderão apresentar até R$ 90 bilhões em dívidas antigas a serem renegociadas na primeira etapa do Desenrola 3.0, disse nesta quarta-feira (21) o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo ele, o edital de chamamento dos bancos e de outras instituições será publicado nesta quinta-feira (21), dando início ao processo de habilitação de bancos e fundos interessados em vender carteiras de crédito à União.

Apesar do volume previsto, o custo máximo estimado para a compra de todo esse montante seria de R$ 9 bilhões, considerando o desconto mínimo de 90% exigido pelo programa.

As instituições terão cinco dias úteis para informar o volume de débitos que pretendem oferecer. A etapa, no entanto, não é uma convocação para que os consumidores renegociem suas dívidas, mas um procedimento para medir o interesse dos credores e o volume de dívidas por faixas de renda.

“Estamos fazendo uma chamada aos bancos para que eles se organizem e apresentem o exato volume pelas diferentes faixas dos credores. Nessa chamada de interesse vamos permitir que várias faixas de renda sejam apresentadas, mas nosso foco são faixas de renda menores”, afirmou Durigan.

Como funcionará

O chamamento público será destinado a bancos, instituições financeiras e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs). Para participar da etapa seguinte, os credores deverão apresentar carteiras de dívidas que atendam aos critérios do programa e aceitar as condições mínimas de desconto.

O procedimento será dividido em etapas:

  • Chamamento: publicação do edital para manifestação de interesse dos credores;
  • Apresentação das carteiras: prazo de cinco dias úteis para informar os débitos elegíveis;
  • Definição do leilão: análise do volume apresentado, com separação por faixas de renda;
  • Compra das dívidas: realização do leilão, previsto para novembro, com possibilidade de adiamento para o início de dezembro.

Segundo o ministro, o governo pretende estruturar a disputa para favorecer devedores de menor renda e microempreendedores individuais (MEIs). No entanto, caso o volume de dívidas de baixa renda seja menor que o previsto, o governo poderá comprar mais dívidas de alta renda.

Quanto custará

A estimativa inicial é que os credores apresentem até R$ 90 bilhões em dívidas. Como o programa exige deságio mínimo de 90%, a União pagaria, no máximo, 10% do valor nominal das carteiras adquiridas.

Na hipótese de compra de todo o montante estimado, o desembolso seria de até R$ 9 bilhões.

“Se, no limite, esses R$ 90 bilhões de dívidas forem ofertados, de partida a gente saberia que no máximo consumiriam R$ 9 bilhões para a gente adquirir tudo”, disse o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron.

O governo, porém, não necessariamente comprará todas as carteiras apresentadas. A intenção é estabelecer um orçamento para o leilão e estimular a concorrência entre os credores, o que pode resultar em descontos superiores ao mínimo exigido.

“A depender do que a gente receber nessas carteiras que os bancos e as instituições financeiras tenham, a gente pode exigir desconto de 93%, 95% no leilão. E aí, no leilão, a depender de como correr o leilão, eu posso conseguir descontos ainda maiores”, disse Durigan.

Quais dívidas entram

O Desenrola 3.0 foi criado por medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro. O programa prevê a compra, pela União, de carteiras de crédito com dívidas antigas para viabilizar a renegociação dos débitos com os consumidores.

Entre as condições previstas estão:

  • Dívidas de até R$ 10 mil, considerando o valor original do débito;
  • Atrasos entre 720 e 1.645 dias, o equivalente a aproximadamente dois anos e quatro anos e meio;
  • Débitos de cartão de crédito, incluindo as modalidades rotativa e parcelada, e de crédito pessoal sem consignação em folha;
  • Possibilidade de inclusão de dívidas elegíveis de pessoas físicas e MEIs, conforme as regras do programa.

No lançamento da iniciativa, o governo estimou que o volume total de dívidas elegíveis poderia chegar a R$ 150 bilhões, com desembolso de aproximadamente R$ 15 bilhões. A previsão de R$ 90 bilhões divulgada agora corresponde à expectativa inicial de dívidas que os credores poderão apresentar na primeira chamada.

Como será a renegociação

Após o leilão, as dívidas adquiridas pelo governo poderão ser renegociadas com os devedores, com repasse dos descontos obtidos na compra das carteiras.

O consumidor poderá quitar o débito à vista ou parcelar o pagamento, conforme as condições a serem estabelecidas. No caso do parcelamento, haverá cobrança de juros.

Os prazos, as taxas e as demais condições operacionais ainda dependem de definições do Conselho Monetário Nacional (CMN) e da regulamentação aplicável.

Neste momento, os consumidores não precisam procurar os bancos para participar da etapa de chamamento. O governo ainda deverá divulgar as regras e os procedimentos para o acesso às renegociações.

Continuidade

Questionado sobre a continuidade do programa independentemente do resultado das eleições presidenciais, Durigan afirmou que a iniciativa tem caráter permanente de política pública.

O ministro também criticou sugestões de congelamento temporário de dívidas de pessoas físicas e empresas, que classificou como “uma espécie de calote generalizado no sistema financeiro”.

Segundo Durigan, o governo pretende manter o Desenrola 3.0 como uma política de Estado para enfrentar o endividamento e facilitar a recuperação do acesso ao crédito.

A próxima etapa será a análise das carteiras apresentadas pelos credores. Somente depois desse levantamento a Fazenda deverá definir o volume de dívidas a ser efetivamente adquirido e as condições do leilão.



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