Economia
Petrobrás apresenta proposta para vender controle de quatro refinarias
Economia
Nas parcerias Norte e Nordeste, estatal ficaria com participação de 40%; com transferência de controle, participação da companhia no setor de refino cairia de 98% para 75%
Da Redação
A Petrobrás disponibilizou nesta quinta-feira o modelo preliminar de parcerias na área de refino, propondo a a realização de parcerias em dois blocos regionais com dimensão relevante no mercado. No Nordeste, incluiria a Refinaria Abreu e Lima (RNEST) e a Refinaria Landulpho Alves (RLAN), e no Sul, a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (REPAR) e Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP).
Na parceria no Nordeste, a Petrobrás ficaria com participação de 40% e uma outra empresa, com 60%. Os ativos desse negócio seriam, além das duas refinarias (RNEST e RLAN), cinco terminais. A parceria no Sul teria a mesma participação de cada companhia e, além das duas refinarias (REPAR e REFAP), sete terminais. No restante do País, a Petrobras manteria 100% de participação em nove refinarias e 36 terminais.
A busca dos parceiros, segundo a Petrobrás, seria por meio de processo competitivo, com empresas diferentes por bloco.
A estatal propõe essa criação de parcerias em blocos geográficos porque, segundo ela, “garante dinâmica de mercado, reduzindo o risco de competição predatória”. De acordo com a Petrobras, o modelo mais interessante seria o de polos integrados, que permitiriam poder de precificação regional; captura da margem integrada; acesso privilegiado ao mercado regional; logística e refino.
Segundo a Petrobrás, um modelo com transferência do controle, onde a empresa teria participação minoritária, parece mais atrativo para atingir os objetivos estratégicos. Com a participação minoritária, haveria a inclusão de dois novos operadores no sistema, além de um prêmio de controle com captura positiva para o Ebitda.
O modelo foi apresentado durante o seminário técnico “Reposicionamento da Petrobrás em Refino”, que acontece nesta quinta-feira, a partir das 9h, na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. Em comunicado publicado praticamente junto com a apresentação que fará no evento, a estatal esclarece que este modelo ainda não conta com a aprovação formal de seus órgãos de governança (Diretoria Executiva e Conselho de Administração).
Segundo a empresa, a busca de parcerias na área de refino foi aprovada no Planejamento Estratégico e no Plano de Negócios e Gestão de 2017-2021 e reforçada no PNG 2018-2022. A estratégia visa reduzir o risco da Petrobras, agregando valor na atuação em E&P, refino, transporte, logística, distribuição e comercialização por meio de parcerias e desinvestimentos.
Parcerias. O presidente da PetrobrÁs, Pedro Parente, disse hoje que é fundamental mudar a dinâmica do setor de refino do Brasil, pois do jeito que está, “não é boa nem para o País nem para a própria Petrobras”.
Em evento na Fundação Getúlio Vargas para lançar a proposta de reposicionamento da Petrobrás no setor de refino, Parente disse que o objetivo de reduzir a fatia da empresa no segmento para 75% ainda garante à estatal a integração com a cadeia (do poço ao posto). Segundo ele, a queda de participação da estatal no segmento foi o que mais demorou a ser decidido nas discussões internas para preparação do novo modelo.
“O modelo apresentado mantém com a Petrobras 75% do refino nacional, assegurando a posição de empresa integrada. Sob o ponto de vista estratégico, (esse ponto) foi o que levou mais tempo na discussão interna”, disse Parente.
Segundo ele, manter o refino nas mãos de uma única empresa não é saudável, já que se essa companhia vai mal, o setor também vai mal. “Monopólio não é bom para a empresa e nem para o País”, afirmou.
Ele destacou que a gestão de portfólio é fundamental para uma companhia como a Petrobrás e que as parcerias já demonstram no setor de exploração e produção e em outros segmentos que fazem bem para a estatal. “Na área do E&P e na área do refino, essa gestão de portfólio para Petrobras é fundamental, como é feito em empresas do mundo inteiro”, explicou.
Segundo Parente, as parcerias estabelecem indicadores de referência elevados, e que “já entrou no DNA da empresa que as parcerias melhoram a companhia”. O executivo destacou ainda que a entrada de parceiros privados no setor de refino pode ajudar a manter os preços dos combustíveis livres.
A Petrobrás passou a reajustar diariamente o preço dos combustíveis em julho de 2017, após anos de uma política de congelamento de preços para não repassar a oscilação do mercado internacional para o bolso do consumidor brasileiro.
Parente afirmou que quer trazer para o refino a boa experiência de parcerias que a estatal tem na área de exploração e produção, que as “agregam valor para a Petrobrás”.
“Essa discussão parte da premissa que nós somos uma empresa integrada de óleo e gás, mas que também sabemos que parcerias são absolutamente fundamentais para agregar valor à empresa”, disse Parente.
“Não estamos fazendo uma proposta fechada, é um modelo que não está aprovado pela diretoria-executiva e nem pelo Conselho de Administração”, informou Parente, ressaltando que a proposta ainda está aberta ao debate e o evento da FGV funcionaria como uma audiência pública para debater o tema.
Fonte: O Estado de S.Paulo /Denise Luna, Fernanda Nunes, Márcio Rodrigues e Fabiana Holtz
Foto: agencia petrobras | DIV
Economia
Sindicatos realizam ato pelo direito ao descanso e fim da escala 6×1
Trabalhadores, aposentados, estudantes e ativistas foram às ruas em diversas cidades brasileiras nesta sexta-feira, 1º de maio, feriado que celebra o Dia Internacional do Trabalhador. 

Na pauta de reivindicações, as principais bandeiras eram o fim da escala de seis dias de trabalho e um de descanso (escala 6×1), sem redução salarial. Em Brasília, a manifestação foi no Eixão do Lazer, na Asa Sul.
A empregada doméstica Cleide Gomes, de 59 anos, foi ao ato com o neto, de 5 anos, a nora e a mãe, de 80, para cobrarem direitos trabalhistas.
Cleide, que atualmente trabalha com carteira assinada, recorda da época em que foi feirante autônoma e auxiliar de serviços gerais, sem carteira de trabalho. Ela chama a atenção para as ilegalidades cometidas contra suas colegas de profissão.
“Conheço pessoas que, agora, estão no trabalho, pois o patrão fala que hoje não é feriado, mas ponto facultativo. As coitadas não vão receber hora extra porque não sabem de seus direitos.”
O ato unificado 1º de Maio da Classe Trabalhadora foi organizado por setes centrais sindicais do Distrito Federal, com atrações culturais e discursos.
O movimento argumenta que a redução da jornada, ao contrário do que dizem empresas, não prejudica a economia e aumenta a produtividade, sendo uma questão de justiça social e um direito dos trabalhadores.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores no Distrito Federal (CUT-DF), Rodrigo Rodrigues, cita exemplos de sucesso na redução da jornada e critica o que classificou como “terrorismo” feito por algumas empresas.
“O descanso é uma necessidade humana e apenas um dia de descanso coloca os trabalhadores em uma situação de desprezo e de desgaste muito grandes. Portanto, reduzir a jornada é uma [questão de] justiça social, é um direito do trabalhador ao seu tempo e é também uma medida inteligente das empresas que fazem porque elas aumentam a produtividade, ao contrário do que diz o terrorismo que está sendo pregado.”
Lutas
A trabalhadora informal Idelfonsa Dantas participou da manifestação em busca de melhores condições para a população e, especificamente, pela redução da escala de trabalho. A vendedora considera que a luta deve ser diária.
“A gente sempre busca o melhor para a população trabalhadora.”
As bibliotecárias Kelly Lemos e Ellen Rocha passaram no concurso público da Secretaria de Educação do Distrito Federal em 2022 e estão desempregadas.
Enquanto, aguardam a nomeação para as vagas, elas lutam pela valorização das carreiras dos profissionais de educação e por melhores oportunidades.
“As crianças precisam de professores mais valorizados nas escolas”, defendeu Elen Rocha.
Tempo livre
Os cartazes com frases pelo fim da escala de trabalho 6×1 contribuíram para que três mulheres se unissem durante o protesto para defender mais tempo livre e, assim, garantir autocuidado, lazer e convivência em família.
A estagiária de psicopedagogia Ana Beatriz Oliveira, de 21 anos, trabalha com desenvolvimento de crianças neuro divergentes e tem duas folgas semanais.
Ela conta que por um ano trabalhou em grandes centros logísticos, com jornadas exaustivas que invadiam a madrugada e incluíam turnos dobrados. Como consequência, percebeu prejuízos em sua formação educacional e na saúde.
Ao mudar para escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso (5×2), Ana Beatriz percebeu melhorias na qualidade do sono, da alimentação, além de mais disposição no dia a dia.
“Sou extremamente contra a escala 6×1. Essa tem que acabar para ontem. Vejo que a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40, é muito possível. Se fizer tudo direito, com o planejamento das escalas, a gente vai trabalhar mais descansado, com mais qualidade e produzir mais.”
A aposentada Ana Campania chama a escala 6×1 de “escala da escravidão” e foi ao ato exigir o fim da precarização da mão de obra.
“Hoje é o nosso dia de luta por melhores condições. Principalmente, nesse momento que querem acabar com conquistas de muitas décadas. Por exemplo, a estabilidade dos servidores, garantias da CLT [Consolidação das Leis do Trabalho].”
Jornada feminina
Sindicalista com atuação de longa data na defesa dos direitos de operadores de telemarketing, Geraldo Estevão Coan veio ao ato desta sexta-feira e aproveitou para protestar por outra pauta: o fim da jornada dupla e até mesmo tripla que as mulheres trabalhadoras enfrentam no país. Para ele, os homens precisam compartilhar as tarefas de cuidado da casa e filhos
“O fim da escala 6×1 tem que beneficiar muito mais as mulheres. Nós, os maridos, também temos que nos conscientizar de que não é só a mulher que precisa cuidar da casa.”
Confronto
O ato em Brasília registrou um confronto entre manifestantes e apoiadores de Jair Bolsonaro. Tudo aconteceu depois que os simpatizantes levaram um boneco do ex-presidente em tamanha real vestido com uma capa da bandeira da Brasil.
O gesto durante o ato público foi encarado como provocação pelos manifestantes no Eixão Sul. Houver troca de insultos e socos, mas o princípio de tumulto foi contido pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).
“Pessoas com posicionamentos ideológicos divergentes iniciaram provocações e embates verbais entre si. As equipes policiais atuaram de forma rápida restabelecendo a ordem pública sem registro de ocorrências graves”, diz a publicação da PMDF.
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