Economia
Greve dos caminhoneiros muda rotina de floriculturas e buffets de casamento
Economia
Com menos produtores conseguindo chegar, falta diversidade de flores na Ceagesp e floriculturas precisam restringir pedidos; espaços de casamento adiantaram as compras durante a semana
Da Redação
A paralisação dos caminhoneiros atingiu fortemente as floriculturas e buffets neste final de semana. Segundo relatos de comerciantes ao Estado, a oferta e diversidade de flores na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) diminuiu bastante nos últimos dias. Dona de uma floricultura no bairro Itaim Bibi, Júlia Junqueira de Moraes faz compras às segundas-feiras à noite e de madrugada todas as quintas-feiras. Nesta semana, o segundo dia de compra mostrou-se bem diferente. “Muito produtor faltou, especialmente quem é pequeno. Faltou variedade de plantas e alguns preços subiram”, explica.
Em nota, a Ceagesp afirmou que a entrada de caminhões com carga ficou bem abaixo do que normalmente se registra às sextas-feiras, algo em torno de 2 mil veículos. Quem buscava frutas e flores encontrava pouca quantidade de produtos. Na madrugada de sexta-feira, apenas 170 dos 678 permissionários da feira de flores compareceram. Nesta sexta-feira, o caminhoneiro de plantas ornamentais Vicente Pires Batista, por exemplo, precisava vir a São Paulo, mas ficou preso no entreposto da Ceagesp de Sorocaba.
Além da menor oferta de produtos, Júlia também encontrou preços mais altos. A flor astromélia, que normalmente custa entre R$ 8 e R$ 10 estava sendo vendida a R$ 16. Também florista, Kika Levi, que tem uma floricultura no bairro da Vila Madalena, anunciou para os clientes pelo perfil do Instagram de sua loja que poucos pedidos seriam atendidos por conta da greve.
Jhonatan Conceição dos Santos, proprietário de uma floricultura no centro da capital fez adaptações. Em vez de ir ao Ceagesp quatro vezes nesta semana, foi apenas duas vezes, mais no começo da semana e para garantir as entregas, correu para abastecer o carro quando ainda havia combustível nos postos próximos. “Além do tanque cheio, comprei quase cinco galões de combustível extra, mas se a greve se estender pela semana que vem não sei como vou fazer”, conta.
Festas. No mercado de casamentos, a crise no abastecimento também exigiu reorganização das empresas. O espaço de eventos Casa Quintal, na região central da capital, criou planejamento especial para esta semana. O casamento que será realizado no sábado já está com o itens do cardápio começaram a ser comprados ainda na última terça-feira. A decoração também foi adaptada a flores mais resistentes, além do uso de câmaras frias, pelo fornecedor, para a preservação das flores.
O buffet Dell’Orso, na zona sul de São Paulo, também adiantou as compras de alimentos e recebeu antecipadamente itens de decoração e bar de seus fornecedores. As flores ainda estão pendentes, mas o decorador garantiu a entrega no sábado. “As noivas estão bem nervosas, mas estamos conseguindo adiantar todas as entregas”, afirma a proprietária do buffet Fabiana Dell’Orso. Na manhã deste sábado, Fabiana tentava afastar outro medo da noiva que casa nesta noite: o de que os convidados não consigam chegar. / Colaborou Epitácio Pessoa
Fonte: O Estado de S.Paulo
Foto: EPITACIO PESSOA /ESTADAO CONTEUDO
Economia
Sindicatos realizam ato pelo direito ao descanso e fim da escala 6×1
Trabalhadores, aposentados, estudantes e ativistas foram às ruas em diversas cidades brasileiras nesta sexta-feira, 1º de maio, feriado que celebra o Dia Internacional do Trabalhador. 

Na pauta de reivindicações, as principais bandeiras eram o fim da escala de seis dias de trabalho e um de descanso (escala 6×1), sem redução salarial. Em Brasília, a manifestação foi no Eixão do Lazer, na Asa Sul.
A empregada doméstica Cleide Gomes, de 59 anos, foi ao ato com o neto, de 5 anos, a nora e a mãe, de 80, para cobrarem direitos trabalhistas.
Cleide, que atualmente trabalha com carteira assinada, recorda da época em que foi feirante autônoma e auxiliar de serviços gerais, sem carteira de trabalho. Ela chama a atenção para as ilegalidades cometidas contra suas colegas de profissão.
“Conheço pessoas que, agora, estão no trabalho, pois o patrão fala que hoje não é feriado, mas ponto facultativo. As coitadas não vão receber hora extra porque não sabem de seus direitos.”
O ato unificado 1º de Maio da Classe Trabalhadora foi organizado por setes centrais sindicais do Distrito Federal, com atrações culturais e discursos.
O movimento argumenta que a redução da jornada, ao contrário do que dizem empresas, não prejudica a economia e aumenta a produtividade, sendo uma questão de justiça social e um direito dos trabalhadores.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores no Distrito Federal (CUT-DF), Rodrigo Rodrigues, cita exemplos de sucesso na redução da jornada e critica o que classificou como “terrorismo” feito por algumas empresas.
“O descanso é uma necessidade humana e apenas um dia de descanso coloca os trabalhadores em uma situação de desprezo e de desgaste muito grandes. Portanto, reduzir a jornada é uma [questão de] justiça social, é um direito do trabalhador ao seu tempo e é também uma medida inteligente das empresas que fazem porque elas aumentam a produtividade, ao contrário do que diz o terrorismo que está sendo pregado.”
Lutas
A trabalhadora informal Idelfonsa Dantas participou da manifestação em busca de melhores condições para a população e, especificamente, pela redução da escala de trabalho. A vendedora considera que a luta deve ser diária.
“A gente sempre busca o melhor para a população trabalhadora.”
As bibliotecárias Kelly Lemos e Ellen Rocha passaram no concurso público da Secretaria de Educação do Distrito Federal em 2022 e estão desempregadas.
Enquanto, aguardam a nomeação para as vagas, elas lutam pela valorização das carreiras dos profissionais de educação e por melhores oportunidades.
“As crianças precisam de professores mais valorizados nas escolas”, defendeu Elen Rocha.
Tempo livre
Os cartazes com frases pelo fim da escala de trabalho 6×1 contribuíram para que três mulheres se unissem durante o protesto para defender mais tempo livre e, assim, garantir autocuidado, lazer e convivência em família.
A estagiária de psicopedagogia Ana Beatriz Oliveira, de 21 anos, trabalha com desenvolvimento de crianças neuro divergentes e tem duas folgas semanais.
Ela conta que por um ano trabalhou em grandes centros logísticos, com jornadas exaustivas que invadiam a madrugada e incluíam turnos dobrados. Como consequência, percebeu prejuízos em sua formação educacional e na saúde.
Ao mudar para escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso (5×2), Ana Beatriz percebeu melhorias na qualidade do sono, da alimentação, além de mais disposição no dia a dia.
“Sou extremamente contra a escala 6×1. Essa tem que acabar para ontem. Vejo que a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40, é muito possível. Se fizer tudo direito, com o planejamento das escalas, a gente vai trabalhar mais descansado, com mais qualidade e produzir mais.”
A aposentada Ana Campania chama a escala 6×1 de “escala da escravidão” e foi ao ato exigir o fim da precarização da mão de obra.
“Hoje é o nosso dia de luta por melhores condições. Principalmente, nesse momento que querem acabar com conquistas de muitas décadas. Por exemplo, a estabilidade dos servidores, garantias da CLT [Consolidação das Leis do Trabalho].”
Jornada feminina
Sindicalista com atuação de longa data na defesa dos direitos de operadores de telemarketing, Geraldo Estevão Coan veio ao ato desta sexta-feira e aproveitou para protestar por outra pauta: o fim da jornada dupla e até mesmo tripla que as mulheres trabalhadoras enfrentam no país. Para ele, os homens precisam compartilhar as tarefas de cuidado da casa e filhos
“O fim da escala 6×1 tem que beneficiar muito mais as mulheres. Nós, os maridos, também temos que nos conscientizar de que não é só a mulher que precisa cuidar da casa.”
Confronto
O ato em Brasília registrou um confronto entre manifestantes e apoiadores de Jair Bolsonaro. Tudo aconteceu depois que os simpatizantes levaram um boneco do ex-presidente em tamanha real vestido com uma capa da bandeira da Brasil.
O gesto durante o ato público foi encarado como provocação pelos manifestantes no Eixão Sul. Houver troca de insultos e socos, mas o princípio de tumulto foi contido pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).
“Pessoas com posicionamentos ideológicos divergentes iniciaram provocações e embates verbais entre si. As equipes policiais atuaram de forma rápida restabelecendo a ordem pública sem registro de ocorrências graves”, diz a publicação da PMDF.
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