Economia
Dólar sobe 2,53% e fecha em R$ 3,80; Bolsa fecha em queda de 0,97%
Economia
Dólar voltou a subir influenciado pelo cenário externo; Bolsa tem queda e fecha aos 71.421,19
Da Redação
No dia em que o Banco Central fez o maior volume de intervenção no mercado de câmbio dos últimos meses, despejando US$ 5 bilhões para segurar o dólar em três leilões extraordinários, a moeda dos Estados Unidos não cedeu e fechou a quinta-feira perto da máxima do dia, em R$ 3,8095, alta de 2,53%. Já a Bolsa foi refém do estresse visto nos mercados de câmbio e juros, em meio ao movimento de aversão ao risco no Brasil e no exterior. O Índice fechou em queda de 0,97%, aos 71.421,19 pontos.
Segundo especialistas, o movimento do dólar no Brasil reflete seu fortalecimento no exterior, que teve forte alta ante divisas de emergentes como Argentina, Turquia e México, mas também embute a inquietação do mercado com a falta de sinalização mais clara do BC sobre o que pretende fazer no câmbio a partir da semana que vem. O real foi a segunda moeda que mais caiu ante o dólar nesta quinta-feira entre os principais mercados emergentes do mundo, atrás apenas da Argentina.
Nesta sexta-feira, 15, termina o prazo para a colocação de US$ 24,5 bilhões em ofertas extras de swap cambial, volume prometido pelo presidente do BC, Ilan Goldfajn, na semana passada, quando a moeda rondou os R$ 4,00. Desse total, US$ 18,7 bilhões já foram colocados até esta quinta-feira. Ilan disse que o BC não tem preconceito contra nenhum tipo de instrumento, mas não sinalizou até agora qual será o próximo passo de atuação no câmbio. Nesta quinta-feira, foram ofertados 100 mil contratos, superando a oferta do dia 18 de maio de 2017, dia seguinte após a notícia da delação do empresário Joesley Batista, quando foram colocados 80 mil contratos.
O economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, ex-diretor do BC, avalia que a atuação da instituição por meio da oferta de contratos de swap é justificada, pois os dados mostram que não tem havido grande demanda para dólar à vista, o que reduz a necessidade de outros instrumentos de intervenção. Além disso, o fluxo cambial mostra entrada de recursos, o que reduz a pressão no mercado. Com isso, a visão do banco é que o BC atua para evitar uma “dinâmica perversa” ou corrigir “volatilidade excessiva”, mas não para defender um nível de preço para o dólar aqui.
“O debate sobre a intervenção do BC, com economistas, analistas e operadores de mercado está mais ou menos dividido entre aqueles que dizem que o BC está fazendo demais e os que argumentam que está fazendo de menos. O que provavelmente sugere que o Banco Central está fazendo na intensidade correta”, disse Mesquita.
Bolsa. “A Bolsa seguiu o movimento de fuga de ativos de risco, em um dia de alta generalizada do dólar, juros futuros subindo mais de 40 pontos, avanço do CDS brasileiro e o mercado doméstico testando o Banco Central nos leilões de swap”, disse Luiz Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos.
O estrategista da Guide afirma que pesa bastante no mercado de ações a incerteza quanto à atuação futura do Banco Central no câmbio e sobre qual será o novo patamar de equilíbrio do dólar. Mesmo com a oferta de US$ 5 bilhões em contratos de swap cambial feita pelo BC, o dólar subiu mais de 2,5% e terminou acima dos R$ 3,80. Dos US$ 24,5 bilhões que a autoridade monetária prometeu injetar no mercado via leilões extraordinários de swap até amanhã, já foram colocados US$ 18,7 bilhões.
“Lá fora, o movimento é bastante influenciado pela política monetária, que está se invertendo”, disse ele sobre as recentes reuniões do Federal Reserve e do Banco Central Europeu (BCE), que sinalizam para mudanças para os próximos meses. O BCE manteve a taxa de refinanciamento em 0% e a taxa de depósitos em -0,4%. A autoridade monetária manterá as compras de 30 bilhões de euros por mês até setembro, mas reduzirá esse montante para 15 bilhões entre outubro e dezembro.
A queda do Ibovespa foi mais uma vez determinada pelas baixas das ações do segmento financeiro, que foram expressivas. Banco do Brasil ON caiu 4,53%, Itaú Unibanco PN perdeu 3,55% e Bradesco ON cedeu 5,13%. As ações da Petrobras e da Eletrobras chegaram a subir ao longo do dia, motivadas por expectativas positivas próprias, mas terminaram o dia em terreno negativo. Petro ON e PN perderam 0,06% e 0,46%, enquanto Eletrobras PNB recuou 1,80%.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Foto: AP Photo/Jacquelyn Martin
Economia
Sindicatos realizam ato pelo direito ao descanso e fim da escala 6×1
Trabalhadores, aposentados, estudantes e ativistas foram às ruas em diversas cidades brasileiras nesta sexta-feira, 1º de maio, feriado que celebra o Dia Internacional do Trabalhador. 

Na pauta de reivindicações, as principais bandeiras eram o fim da escala de seis dias de trabalho e um de descanso (escala 6×1), sem redução salarial. Em Brasília, a manifestação foi no Eixão do Lazer, na Asa Sul.
A empregada doméstica Cleide Gomes, de 59 anos, foi ao ato com o neto, de 5 anos, a nora e a mãe, de 80, para cobrarem direitos trabalhistas.
Cleide, que atualmente trabalha com carteira assinada, recorda da época em que foi feirante autônoma e auxiliar de serviços gerais, sem carteira de trabalho. Ela chama a atenção para as ilegalidades cometidas contra suas colegas de profissão.
“Conheço pessoas que, agora, estão no trabalho, pois o patrão fala que hoje não é feriado, mas ponto facultativo. As coitadas não vão receber hora extra porque não sabem de seus direitos.”
O ato unificado 1º de Maio da Classe Trabalhadora foi organizado por setes centrais sindicais do Distrito Federal, com atrações culturais e discursos.
O movimento argumenta que a redução da jornada, ao contrário do que dizem empresas, não prejudica a economia e aumenta a produtividade, sendo uma questão de justiça social e um direito dos trabalhadores.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores no Distrito Federal (CUT-DF), Rodrigo Rodrigues, cita exemplos de sucesso na redução da jornada e critica o que classificou como “terrorismo” feito por algumas empresas.
“O descanso é uma necessidade humana e apenas um dia de descanso coloca os trabalhadores em uma situação de desprezo e de desgaste muito grandes. Portanto, reduzir a jornada é uma [questão de] justiça social, é um direito do trabalhador ao seu tempo e é também uma medida inteligente das empresas que fazem porque elas aumentam a produtividade, ao contrário do que diz o terrorismo que está sendo pregado.”
Lutas
A trabalhadora informal Idelfonsa Dantas participou da manifestação em busca de melhores condições para a população e, especificamente, pela redução da escala de trabalho. A vendedora considera que a luta deve ser diária.
“A gente sempre busca o melhor para a população trabalhadora.”
As bibliotecárias Kelly Lemos e Ellen Rocha passaram no concurso público da Secretaria de Educação do Distrito Federal em 2022 e estão desempregadas.
Enquanto, aguardam a nomeação para as vagas, elas lutam pela valorização das carreiras dos profissionais de educação e por melhores oportunidades.
“As crianças precisam de professores mais valorizados nas escolas”, defendeu Elen Rocha.
Tempo livre
Os cartazes com frases pelo fim da escala de trabalho 6×1 contribuíram para que três mulheres se unissem durante o protesto para defender mais tempo livre e, assim, garantir autocuidado, lazer e convivência em família.
A estagiária de psicopedagogia Ana Beatriz Oliveira, de 21 anos, trabalha com desenvolvimento de crianças neuro divergentes e tem duas folgas semanais.
Ela conta que por um ano trabalhou em grandes centros logísticos, com jornadas exaustivas que invadiam a madrugada e incluíam turnos dobrados. Como consequência, percebeu prejuízos em sua formação educacional e na saúde.
Ao mudar para escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso (5×2), Ana Beatriz percebeu melhorias na qualidade do sono, da alimentação, além de mais disposição no dia a dia.
“Sou extremamente contra a escala 6×1. Essa tem que acabar para ontem. Vejo que a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40, é muito possível. Se fizer tudo direito, com o planejamento das escalas, a gente vai trabalhar mais descansado, com mais qualidade e produzir mais.”
A aposentada Ana Campania chama a escala 6×1 de “escala da escravidão” e foi ao ato exigir o fim da precarização da mão de obra.
“Hoje é o nosso dia de luta por melhores condições. Principalmente, nesse momento que querem acabar com conquistas de muitas décadas. Por exemplo, a estabilidade dos servidores, garantias da CLT [Consolidação das Leis do Trabalho].”
Jornada feminina
Sindicalista com atuação de longa data na defesa dos direitos de operadores de telemarketing, Geraldo Estevão Coan veio ao ato desta sexta-feira e aproveitou para protestar por outra pauta: o fim da jornada dupla e até mesmo tripla que as mulheres trabalhadoras enfrentam no país. Para ele, os homens precisam compartilhar as tarefas de cuidado da casa e filhos
“O fim da escala 6×1 tem que beneficiar muito mais as mulheres. Nós, os maridos, também temos que nos conscientizar de que não é só a mulher que precisa cuidar da casa.”
Confronto
O ato em Brasília registrou um confronto entre manifestantes e apoiadores de Jair Bolsonaro. Tudo aconteceu depois que os simpatizantes levaram um boneco do ex-presidente em tamanha real vestido com uma capa da bandeira da Brasil.
O gesto durante o ato público foi encarado como provocação pelos manifestantes no Eixão Sul. Houver troca de insultos e socos, mas o princípio de tumulto foi contido pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).
“Pessoas com posicionamentos ideológicos divergentes iniciaram provocações e embates verbais entre si. As equipes policiais atuaram de forma rápida restabelecendo a ordem pública sem registro de ocorrências graves”, diz a publicação da PMDF.
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