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BNDES defende novo Plano Brasil Soberano para ajudar exportadoras

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O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, defendeu, nesta terça-feira (17), que o país tenha um novo Plano Brasil Soberano de ajuda a exportadores prejudicados por tarifas americanas.

A ajuda, na visão de Mercadante, teria espaço também para setores com déficits comerciais (importações maiores que exportações), estratégicos e os afetados por reflexos de guerras.

Lançado em agosto de 2025, o Brasil Soberano foi um pacote de financiamento destinado a empresas exportadoras impactadas pelo tarifaço americano que, na época, impôs tarifas de até 50% para produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos.

No dia 20 de fevereiro, uma decisão da Suprema Corte dos EUA derrubou a decisão do governo Donald Trump, que reagiu impondo tarifa global de 15%.

No entanto, Mercadante chama atenção para o fato de alguns setores ainda estarem sendo alvo de tarifas maiores.

“Quando é para todos, não desequilibra a relação de comércio. O problema é quando você tem uma tarifa superior aos seus concorrentes”, diz.

O presidente do BNDES cita a Seção 232, legislação americana, ainda vigente, que possibilita a imposição de tarifas por razões de segurança nacional.

“Alguns setores estão naquela resolução de 50% para o setor siderúrgico, alumínio, cobre”, lista ele, acrescentando que o setor automotivo e autopeças sofrem taxações de 25%.

“A nossa avaliação é que precisamos de um Brasil Soberano 2”, sustenta.

Recursos no caixa

As declarações de Mercadante foram durante apresentação do balanço financeiro 2025 do banco de fomento vinculado ao governo federal, na sede da instituição, no Rio de Janeiro.

De acordo com o balanço, em 2025, no âmbito do Plano Brasil Soberano, o banco financiou R$ 19,5 bilhões para 676 empresas.

Mercadante informou que os recursos do programa não foram integralmente utilizados, de forma que R$ 6 bilhões ainda estão no caixa do BNDES. Isso indica, segundo ele, que não haveria custo extra para o orçamento público.

“A gente pode devolver ao Tesouro Nacional [caixa do governo], e o Tesouro pode definir um novo programa. A gente não pode usar sem uma definição legal específica, então, precisa que o Congresso Nacional aprove. É um termo urgente e relevante que pode ser feito com Medida Provisória”, assinala.

Mercadante disse que já há conversas com o vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; e com o Ministério da Fazenda, cabendo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva definir.

“Mas já tem um diálogo avançado”.

O presidente do banco federal de fomento defende que setores que costumam ter saldo negativo no comércio internacional e setores estratégicos, como o de fertilizantes, também tenham acesso ao programa de ajuda.

Ele lembrou que as guerras da Ucrânia e Rússia (iniciada em 2022) e no Irã (2026) envolvem países fabricantes de fertilizantes.

“Precisamos ter mais resiliência para poder ter mais capacidade de resposta nesse cenário turbulento geopolítico que estamos atravessando”.

Recuperação Raízen

Aloizio Mercadante voltou a dizer que o BNDES está empenhado em uma solução para a saúde financeira da Raízen, gigante de biocombustíveis e operadora dos postos de bandeira Shell.

Na última semana, a companhia entrou com pedido de recuperação extrajudicial, meio de empresas com dificuldades financeiras negociarem dívidas diretamente com credores de forma ágil, com objetivo de evitar falência.

A proposta de renegociação alcança R$ 65,1 bilhões. Em janeiro de 2025, o BNDES aprovou o financiamento de R$ 1 bilhão para a companhia produzir etanol.

De acordo com Mercadante, a dívida da Raízen com o banco tem garantias reais e não será incluída na renegociação.

Mesmo assim, Mercadante informou que o BNDES busca fazer parte de uma solução, sem adiantar qual iniciativa seria tomada.

“Acreditamos que essa recuperação é possível e estamos trabalhando nessa direção”, disse ele, lembrando que a companhia, uma junção entre a Shell e a Cosan, tem ativos importantes, como cerca de 8 mil postos de gasolina.

“Estamos nos dedicando muito, conversando com os credores, com a Shell, com o grupo Cosan, com todos os parceiros do sistema financeiro, temos todo o interesse em que essa empresa se recupere, porque ela tem resultados muito sólidos, tem ativos muito importantes e tem um peso muito grande no setor de biocombustível”, declarou.

Fim da escala 6 x 1

O presidente do BNDES foi questionado por jornalistas se o banco poderia prestar algum tipo de apoio financeiro a empresas que tiverem dificuldade na eventual aprovação do fim da escala de seis dias de trabalho e apenas um de folga (6×1).

O fim da escala 6×1 é tido como uma das prioridades do governo. Mas o setor produtivo calcula que haverá custos pesados para os negócios. 

A mudança está previsto na Proposta de Emenda Constitucional nº 8/2025, apresentada à Câmara dos Deputados em fevereiro do ano passado.

“Estamos estudando, mas ainda não temos nenhuma informação a respeito. Vamos aguardar a decisão do governo”, disse.



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Dólar cai para R$ 5,08, e bolsa recua pela quarta vez consecutiva

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O dólar voltou a cair e fechou abaixo de R$ 5,09, com o real favorecido pelos juros altos e pela valorização do petróleo. A bolsa de valores registrou a quarta queda seguida, pressionada por perdas de mineradoras.

No início do dia, o mercado reagiu a sinais de uma possível redução das tensões no Oriente Médio, mas novas declarações do presidente americano, Donald Trump, mantiveram a cautela dos investidores.

Principais números:

  • Dólar à vista: -0,42%, a R$ 5,089;
  • Ibovespa: -0,20%, aos 173.371,35 pontos;
  • Petróleo Brent: +1,27%, a US$ 89,22 o barril;
  • Petróleo WTI: +0,85%, a US$ 82,48 o barril.

Câmbio

O dólar comercial caiu 0,42%, encerrando o pregão cotado a R$ 5,089. No acumulado de julho, a moeda cai 1,42% em relação ao real. Em 2026, a desvalorização chega a 7,28%.

O movimento acompanhou a desvalorização da moeda estadunidense em relação a divisas de países emergentes, mesmo com o dólar subindo perante moedas de economias avançadas.

A moeda chegou a operar acima de R$ 5,11 na abertura, mas passou a recuar após a confirmação de que mediadores internacionais apresentaram propostas para reduzir as tensões entre Estados Unidos e Irã, diminuindo a procura global por ativos considerados mais seguros.

No cenário doméstico, a elevada diferença de juros entre o Brasil e os Estados Unidos continuou sustentando operações de carry trade, estratégia em que investidores captam recursos em países de juros baixos para aplicar em mercados com taxas mais elevadas.

Outro fator de apoio ao real foi a valorização do petróleo, que melhora a perspectiva para a entrada de dólares no país por meio das exportações. A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 526,3 milhões na terceira semana de julho, com as exportações crescendo 6,7% no acumulado do mês, impulsionadas pela indústria extrativa.

Bolsa

O Ibovespa encerrou o pregão em baixa de 0,20%, aos 173.371,35 pontos, acumulando a quarta sessão consecutiva de perdas.

O índice chegou a superar os 174 mil pontos pela manhã, impulsionado pela expectativa de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã. No entanto, perdeu força ao longo da tarde após Trump endurecer o discurso contra Teerã, aumentando novamente a cautela nos mercados.

A alta das ações da Petrobras, favorecida pelo avanço do petróleo, não foi suficiente para compensar a queda de ações de mineradoras.

Petróleo

Os contratos internacionais de petróleo fecharam em alta após oscilações ao longo do dia, refletindo as dúvidas sobre a evolução do conflito no Oriente Médio.

O Brent, referência para a Petrobras, avançou 1,27%, para US$ 89,22 o barril, depois de superar brevemente os US$ 91 durante a sessão. O barril WTI, do Texas, subiu 0,85%, encerrando o dia a US$ 82,48 por barril.

Os preços perderam parte dos ganhos após o governo iraniano confirmar que recebeu propostas de mediadores para reduzir as tensões com Washington. No entanto, a commodity voltou a subir depois que Donald Trump prometeu responder com mais intensidade a novos ataques contra militares americanos.

Também permaneceram no radar do mercado as restrições ao tráfego marítimo na região do Estreito de Ormuz e as novas ameaças dos houthis de bloquear rotas no Mar Vermelho, fatores que continuam alimentando preocupações com a oferta global de petróleo.

*Com informações da Reuters



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