Esporte
Confederações defendem cautela diante de acusações contra Nuzman
Esporte
Crise no COB, com suspeita de compra de votos para o Rio, deixa ‘família olímpica’ refém das investigações
Da Redação
Atletas e confederações estão tentando separar o lado esportivo do político na crise do movimento olímpico brasileiro, após as acusações de que a escolha do Rio como sede dos Jogos de 2016 tenha sido comprada. O momento turbulento gera incertezas óbvias nas preparações dos atletas e a falta de recursos pode até se acirrar caso a imagem do Comitê Olímpico do Brasil (COB) seja arranhada.
A crise iniciou há quase duas semanas, quando a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Unfair Play. Entre os investigados estão o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), que responde a 13 processos na 7.ª Vara Federal Criminal da cidade e já foi condenado a 14 anos e 2 meses de prisão pela Justiça Federal de Curitiba; o empresário Arthur César de Menezes Soares Filho, conhecido como Rei Arthur, considerado foragido; e o presidente do COB e do Comitê Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman. Ele foi apenas convocado para prestar esclarecimentos e negou qualquer ato ilícito no processo.
Por ora, dirigentes esportivos pregam a cautela. Ninguém quer bater. Mesmo os mais críticos à gestão de Nuzman, como Alaor Azevedo, presidente da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa e oposição ao dirigente no último pleito do COB – único a votar contra –, preferem esperar o desenrolar da investigação para uma posição. A Confederação Brasileira de Vela, por exemplo, disse em nota que os projetos estão sendo realizados normalmente.
“O trabalho e o planejamento da CBVela seguem normais neste início de ciclo olímpico, sempre tendo os velejadores como foco principal. Em dezembro, haverá a Copa Brasil de Vela em Ilhabela, reunindo os principais nomes das classes olímpicas no litoral de São Paulo.”
Pedro Cavazzoni, CEO da CBDN (Confederação Brasileira de Desportos na Neve), garante que os atletas de inverno já estão na reta final de preparação. “A escolha das sedes olímpicas é realizada pelo COI e seus membros e, portanto, sem relação com a CBDN, que tem como objetivo a preparação esportiva dos atletas. Estamos na reta final de preparação para os Jogos, sendo esse o primeiro ciclo da entidade sob o novo planejamento de longo prazo que foi lançado em 2015, e que já começa a dar os primeiros resultados, como por exemplo, o recorde de atletas com índice Olímpico para PyeongChang”.
Para os atletas olímpicos, o aprendizado é lidar com a triste realidade de falta de recursos após período de “fartura” antes dos Jogos do Rio. O nadador Bruno Fratus, vice-campeão mundial nos 50m livre e no revezamento 4 x 100m livre neste ano, está tendo ajuda do COB para arcar com os custos de sua preparação nos EUA. Isso foi um pedido da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) que o COB aprovou.
Para o ciclista Henrique Avancini, que conquistou o histórico quarto lugar na semana passada no Mundial da modalidade, é preciso separar o lado político do esportivo. “Aos poucos, algumas confederações, e vejo isso no COB também, fazem uma gestão com caráter executivo, para realizar trabalho a longo prazo e, sinceramente, espero que as próximas notícias não sejam negativas para o esporte. Por enquanto, o legado olímpico não tem sido tão expressivo nas modalidades consideradas pequenas”, lamenta.
Ele conta que sempre foi muito bem atendido no COB e toda ajuda profissional que precisou, conseguiu. “Essa parte esportiva da entidade não vejo como algo ruim. Obviamente que as acusações afetam todos os envolvidos e isso é ruim. Se tiver algo errado, espero que exista punição e que isso gere mudanças”, diz.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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