Polícia Federal
Informação ajuda mulheres a reconhecer a violência e buscar proteção em Várzea Grande
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Antes da agressão física, muitas vezes existe o controle. Antes do medo, podem surgir os ciúmes excessivos, as ameaças, as humilhações, as palavras que diminuem, o controle do dinheiro, das roupas, das amizades e até do celular.
Nem toda violência deixa marcas visíveis no corpo. Algumas deixam marcas silenciosas, que podem durar anos.
Em Mato Grosso, somente em 2025, 7.159 mulheres vítimas de violência doméstica foram acompanhadas pela Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar. O número representa uma média de quase 597 mulheres atendidas todos os meses e é 26,3% maior que o registrado em 2024, quando 5.670 mulheres foram assistidas pelo programa.
Em Várzea Grande, a dimensão do problema também aparece nos números do Judiciário. Ao longo de 2025, foram registrados 1.421 novos processos de medidas protetivas de urgência na comarca, uma média de quase 118 pedidos por mês. O dado não representa o total de mulheres vítimas de violência, mas mostra quantas buscaram a proteção da Justiça diante de situações de violência doméstica e familiar.
O cenário pode chegar ao extremo da violência: Mato Grosso registrou 27 feminicídios no primeiro semestre de 2025, segundo dados da Coordenadoria de Enfrentamento à Violência contra a Mulher da Polícia Civil do Estado.
É diante dessa realidade que o Agosto Lilás, mês de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher, reforça uma mensagem que precisa chegar a todas: nenhuma mulher precisa enfrentar uma situação de violência sozinha.
Na manhã desta segunda-feira (17), mulheres atendidas pela Unidade de Saúde da Família do Jardim Eldorado, em Várzea Grande, participaram de uma palestra sobre os direitos das mulheres e os caminhos existentes para buscar proteção e orientação.
A atividade foi conduzida pelas advogadas Patrícia Campos e Adriana Ragnini, da Comissão de Combate à Violência contra a Mulher da OAB de Mato Grosso.
Durante o encontro, as participantes foram orientadas sobre os diferentes tipos de violência previstos na legislação, os mecanismos de proteção e a importância de não naturalizar comportamentos agressivos.
A violência pode ser física, mas também psicológica, moral, sexual e patrimonial. Uma ameaça, uma humilhação constante, o controle financeiro, a perseguição ou a tentativa de impedir que a mulher tenha contato com familiares e amigos também podem fazer parte do ciclo de violência.
A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) estabelece mecanismos para prevenir e combater a violência doméstica e familiar contra a mulher e prevê medidas de proteção para mulheres em situação de violência.
Mais do que falar sobre leis, a palestra buscou fortalecer a autoestima e a coragem para pedir ajuda.
“É importante que a mulher saiba reconhecer os sinais da violência e entenda que ela tem direitos e uma rede que pode acolhê-la. Muitas vezes, a informação é o primeiro passo para que ela consiga romper esse ciclo e buscar proteção”, destacou a responsável técnica da unidade, Thalita Almeida.
A orientação também foi para que as mulheres não esperem a violência chegar à agressão física para procurar ajuda. O medo, a ameaça, a humilhação e o controle também precisam ser levados a sério.
A mensagem deixada durante o encontro foi simples, mas necessária: a mulher não está sozinha. Existe uma legislação que pode protegê-la, serviços que podem orientá-la e uma rede de atendimento preparada para acolher quem decide pedir ajuda.
Em Várzea Grande, o Centro Especializado de Atendimento às Vítimas (CEAV) funciona no Fórum da cidade, de segunda a sexta-feira, das 12h às 19h, oferecendo acolhimento e orientação. O serviço também atende pelo WhatsApp (65) 3688-8404.
Em maio deste ano, a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher e Vulneráveis de Várzea Grande também passou a funcionar em regime de plantão 24 horas, ampliando a proteção e o atendimento às vítimas de violência doméstica e familiar. O telefone de contato é (65) 98173-0670.
Porque romper o silêncio nem sempre é fácil. Mas nenhuma mulher deve ser convencida de que sofrer é normal.
Informação protege. Orientação fortalece. Denunciar pode salvar uma vida.
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Assistência Social divulga calendário de rodas de conversas sobre acolhimento e enfrentamento da violência contra mulher
A Prefeitura de Várzea Grande, por meio da rede de assistência social do Município, promove uma programação especial em alusão ao Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização, prevenção e enfrentamento da violência contra a mulher. Entre as atividades estão rodas de conversa realizadas em diferentes equipamentos públicos, com o objetivo de ampliar o diálogo, fortalecer as mulheres e orientar a população sobre direitos e formas de enfrentamento à violência.
As atividades contam com momentos de acolhimento, diálogo e troca de experiências, além de café da manhã para as participantes. A programação envolve mulheres atendidas pelos serviços de convivência e fortalecimento de vínculos e a comunidade em geral.
A programação terá entre as atividades a roda de conversa realizada no CRAS Jardim Glória e no CRAS Cristo Rei, no dia 19 de agosto, às 9h. O encontro abordou a conscientização sobre a violência contra a mulher, reforçando a importância da informação e da busca por apoio diante de situações de violência.
No dia 21 de agosto, a atividade será realizada no CRAS Santa Maria, também às 9h. O encontro terá a participação da psicóloga da unidade, em uma roda de conversa voltada ao acolhimento e à troca de experiências sobre o enfrentamento à violência e o fortalecimento das mulheres.
Já no dia 24 de agosto, a programação segue no Centro de Convivência Vovô Zeid, às 8h30. O encontro contará com uma roda de conversa com a desembargadora Maria Erotides Kneip, proporcionando um momento de diálogo sobre direitos, proteção e enfrentamento à violência contra a mulher.
A programação também terá uma atividade no dia 27 de agosto, o CRAS São Mateus finaliza as rodas de conversas dando continuidade às ações de conscientização realizadas durante o Agosto Lilás. As rodas de conversa buscam aproximar os serviços públicos das mulheres e ampliar o acesso à informação e às redes de proteção.
“As ações integram a mobilização do Agosto Lilás e reforçam o compromisso do Município com a conscientização, o respeito, a dignidade e a proteção das mulheres, destacando a importância de reconhecer os diferentes tipos de violência e buscar ajuda. Durante os encontros, as participantes também recebem orientações sobre os serviços da rede de proteção e assistência social disponíveis no Município. A proposta é criar espaços seguros de escuta e diálogo, fortalecendo vínculos e contribuindo para que mais mulheres conheçam seus direitos e saibam onde procurar acolhimento”, comenta a secretária de Assistência Social, Cristina Saito.
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