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Petrobras fecha acordo para exploração de petróleo no Golfo do México

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A Petrobras firmou, nesta terça-feira (23), um memorando de entendimento com a empresa estatal de petróleo do México, a Pemex, para exploração na parte mexicana do Golfo do México.

A parceria estabelece uma cooperação estratégica e técnica para avaliação, desenvolvimento e execução conjunta de projetos na indústria de petróleo. As duas companhias avaliarão iniciativas voltadas à revitalização de campos maduros e à exploração em águas profundas e ultraprofundas.

A assinatura do memorando de entendimento (MOU, na sigla em inglês) aconteceu na sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, com a presença da presidente da estatal brasileira, Magda Chambriard, e do diretor-geral da Pemex, Juan Carlos Carpio Fragoso.

O acordo é válido por dois anos, podendo ser renovado, e não constitui compromisso vinculante de investimento ou criação de sociedade, consórcio ou joint venture (empreendimento conjunto).

Experiência brasileira

Magda Chambriard comunicou que a ideia de procurar o México para parceria foi concretizada em uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Eu dizia assim para o presidente: ‘somos uma empresa de petróleo, não podemos nos envergonhar de produzir, explorar petróleo’. Não existe futuro para uma empresa de petróleo sem exploração”, relatou.

Chambriard ressaltou que a Petrobras tem posição de vanguarda na exploração de águas ultraprofundas.

“O Golfo do México, na sua porção mexicana, está praticamente virgem em termos de exploração em águas ultraprofundas”, afirmou.

Golfo do México

O Golfo do México fica entre Estados Unidos, Cuba e México. Grande parte da produção americana de óleo é extraída na porção de mar. O México tem cinco estados banhados pela parte mais ao sul e oeste do golfo.

“Será que todo óleo do Golfo do México apareceu apenas na porção americana? Na porção mexicana não tem nada? É o mesmo ambiente, não é?”, questionou ela, dizendo que é preciso olhar para a região “com novos olhos”.

Magda Chambriard explicou que a parceria com a Pemex se estende também para processos industriais do setor de petróleo.

“Exploração, produção, águas profundas, águas rasas, campos maduros, refino, gás natural, petroquímica e bioproduto. Tudo isso interessa ao Brasil e ao México e, por óbvio, interessa à Petrobras e à Pemex”, declarou.

Para o diretor-geral da Pemex, o entendimento trata de uma nova etapa de aproximação entre duas empresas que compartilham responsabilidade histórica.

“Contribuir para o bem-estar de seus países e para o fortalecimento de sua soberania energética. Hoje damos um passo importante, mas o mais relevante é o que está por vir”, disse Juan Carlos Carpio Fragoso.

Petrobras no mundo

Nos últimos anos, a Petrobras tem direcionado as atenções da empresa para a exploração e produção de petróleo também fora do Brasil. A empresa já anunciou aquisições de áreas de exploração na Namíbia, em São Tomé e Príncipe e na África do Sul.

Há operação também nos Estados Unidos, na Colômbia, na Argentina e na Bolívia.



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Fazenda lança painel que detalha R$ 340 bi em benefícios fiscais

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A partir desta terça-feira (23), o cidadão pode monitorar as desonerações tributárias, consultando quem recebe benefícios fiscais e a distribuição desses recursos entre setores, regiões e programas.

O Ministério da Fazenda lançou o chamado Painel de Caracterização das Desonerações Tributárias, que consolida informações da Receita Federal e permite análises sobre o perfil econômico dos beneficiários.

A ferramenta foi apresentada como um instrumento de transparência e apoio à avaliação das políticas públicas, em meio ao debate sobre o custo dos incentivos tributários para as contas públicas.

Dados dos benefícios

Segundo a Fazenda, as desonerações tributárias somaram quase R$ 340 bilhões em 2024, envolvendo dezenas de programas e mais de 85 mil empresas beneficiárias.

Entre os principais dados apresentados estão:

  • R$ 339,86 bilhões em benefícios tributários registrados em 2024;
  • 87 programas analisados pela plataforma;
  • cerca de 86 mil empresas beneficiadas;
  • 46% dos recursos destinados a setores de baixa intensidade tecnológica;
  • 59,1% dos benefícios destinados a municípios de baixa vulnerabilidade.

A plataforma permite cruzamentos por setor econômico, localização, programa de incentivo e empresa beneficiária. A Fazenda destaca que o sistema não calcula o impacto dos benefícios, mas faz uma caracterização socioeconômica dos incentivos.

Perfil econômico

A ferramenta foi desenvolvida pela Secretaria de Política Econômica (SPE) da Fazenda, com base nos dados da Declaração de Incentivos, Renúncias, Benefícios e Imunidades Tributárias (Dirbi), enviada pelas empresas à Receita Federal.

O painel apresenta informações em diferentes categorias, como produtiva, ambiental, social e regional.

De acordo com os dados divulgados, parte significativa dos recursos está concentrada em setores considerados de menor complexidade econômica. Na dimensão social, a Fazenda apontou que uma parcela pequena dos benefícios está vinculada a municípios de alta vulnerabilidade.

Diferenças nos valores

A nova ferramenta também permitiu comparar estimativas anteriores do governo com os valores efetivamente declarados pelas empresas em alguns programas.

No agronegócio, por exemplo, os dados registrados chegaram a cerca de R$ 158 bilhões, acima das projeções iniciais.

Outros programas também apresentaram diferenças:

  • Perse: valores declarados de R$ 17,81 bilhões, acima do teto de R$ 15 bilhões fixado até 2026 e estimativas iniciais apontavam impacto de R$ 4 bilhões a R$ 6 bilhões;
  • Desoneração da folha: R$ 19,08 bilhões registrados em 2024, um pouco abaixo dos R$ 20 bilhões divulgada pelo ex-ministro Fernando Haddad no fim daquele ano

Revisão de regras

Durante o lançamento, integrantes da equipe econômica destacaram que a transparência é uma etapa para aprimorar o acompanhamento dos benefícios fiscais. A legislação passou a exigir metas e critérios para concessão e renovação de incentivos, mas a regulamentação ainda está em desenvolvimento.

A secretária de Política Econômica, Débora Freire, informou que foi criado um grupo de trabalho entre os ministérios da Fazenda e do Planejamento, com duração de até 120 dias. Até o fim do ano, ressaltou, o governo pretende apresentar uma proposta para regulamentar o acompanhamento dos benefícios fiscais.

A expectativa é que o painel seja atualizado continuamente conforme novos dados forem processados pela Receita Federal, permitindo acompanhar a evolução dos incentivos e seus efeitos sobre a economia.

A Fazenda avalia que a ferramenta poderá apoiar gestores públicos, pesquisadores e o Congresso Nacional na análise dos benefícios fiscais e na formulação de políticas tributárias mais eficientes.

Análise qualificada

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que a ferramenta representa um avanço no debate sobre gastos tributários e permite uma análise mais qualificada das renúncias fiscais.

“O Estado precisa olhar, independente dos ciclos de governo, com cuidado, revisar e aprimorar algo que consome pontos relevantes do Produto Interno Bruto (PIB) em gastos e que, muitas vezes, provavelmente por décadas, ninguém ousou discutir”, declarou.

Ceron também destacou que o lançamento amplia a transparência sobre uma área que historicamente teve pouca visibilidade.

“É mais um passo importante na transparência em uma matéria fundamental para a política econômica. Por razões diversas, em poucos momentos foi dada a devida transparência e feito um debate mais sério, técnico e transparente sobre a natureza desses gastos tributários e quem são seus beneficiários”, afirmou.



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