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Venda de carros novos no país em 2026 atinge maior patamar desde 2013

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O número de veículos novos vendidos no país nos primeiros quatro meses de 2026 totalizou 1.734.599 unidades, a maior quantidade registrada no período desde 2013. O resultado é 16,3% superior às vendas do primeiro quadrimestre de 2025.

Os dados, divulgados nesta terça-feira (5), são da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). A entidade leva em conta as vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motos e implementos rodoviários novos. 

“O crescimento acumulado acima de dois dígitos é expressivo e mostra que 2026 começou em ritmo consistente. No caso de automóveis e comerciais leves, os resultados do Programa Carro Sustentável e as crescentes promoções das marcas demonstram que, quando há redução de impostos e de preços, a demanda acontece”, destacou o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior.

Programa Carro Sustentável

De acordo com a Fenabrave, os veículos incluídos no Programa Carro Sustentável, do governo do Brasil, tiveram aumento nas vendas de 31,9% em relação ao período anterior à implementação do programa. O período avaliado partiu do início do programa, em 11 de julho de 2025, até o fechamento do mês de abril de 2026. A comparação foi feita entre o período de 11 de julho de 2025 a 30 de abril de 2026, ante 11 de julho de 2024 a 30 de abril de 2025.

Híbridos e elétricos

Os segmentos de veículos e comerciais leves híbridos e também de veículos e comerciais leves elétricos puros foram os que apresentaram maiores crescimentos nas vendas no primeiro quadrimestre de 2026, em comparação a igual período de 2025.

Com crescimento de 71,53% nesse comparativo, os automóveis e comerciais leves híbridos já somam 90.485 veículos vendidos em 2026, contra 52.752 unidades comercializadas entre janeiro e abril do ano passado. 

Já os elétricos puros tiveram 48.401 unidades vendidas no acumulado do primeiro quadrimestre de 2026, contra 17.681 comercializadas no mesmo período de 2025, registrando crescimento de 173,75% nos quatro primeiros meses de 2026. A alta chega a 272% se for considerado o comparativo de vendas de abril de 2026 com abril de 2025.

“Esse aumento reflete o maior volume de oferta de modelos com essa tecnologia e mostra que o consumidor brasileiro está aderente a esse mercado”, ressaltou o presidente da Fenabrave.



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Morre a demógrafa Elza Berquó, referência em estudos populacionais 

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Faleceu nesta quinta-feira (16), em São Paulo, aos 100 anos, a demógrafa Elza Salvatori Berquó. Professora e cientista, matemática em sua primeira formação, atuou por décadas na compreensão do Brasil, analisando dados demográficos e censitários.

Elza se destacou na articulação de alguns dos centros de pesquisa mais importantes do continente, fundamentais para entender o Brasil, sua urbanização e as transformações que marcaram nosso país entre as décadas de 1960 e 2000. 

Defendia o acesso aos métodos contraceptivos, ao aborto e aos direitos reprodutivos de forma consciente e esclarecida por toda a população, além de discutir, com persistência e rigor, problemas como a mortalidade infantil.

“Ela trouxe ao mesmo tempo o rigor acadêmico e o compromisso político com os direitos humanos, o que é uma coisa rara”, disse a fundadora da ONG Cepia Cidadania, Jacqueline Pitanguy, em entrevista ao programa Viva Maria, na Rádio Nacional. 

Natural de Guaxupé (MG), Elza estudou Matemática na Universidade Católica de Campinas, concluiu mestrado em Estatística pela Universidade de São Paulo (USP) em 1949 e fez Especialização em Bioestatística na Columbia University, USA, no ano seguinte.

Se destacou em 1965, ao analisar o desenvolvimento da população paulista a partir dos censos de 1940 e 1950. Atuando na Faculdade de Saúde Pública da USP, foi aposentada compulsoriamente em 1968.

No ano seguinte participou da fundação do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), ao lado de Fernando Henrique Cardoso, Octávio Ianni, José Arthur Giannotti e outros intelectuais que a ditadura tentava calar.

“Elza é a história da demografia no Brasil e, particularmente, da Unicamp, que se tornou pioneira nos estudos na área e abriu um flanco importante para o desenvolvimento da pesquisa e do ensino”, disse o ex-coordenador do Nepo-Unicamp José Marcos Cunha. 

Berquó foi uma das fundadoras do Núcleo de Estudos de População da Unicamp (Nepo-Unicamp), que desde 2014 leva seu nome. A instituição também centralizou as comemorações de seu centenário, em outubro do ano passado, em justas homenagens a sua presença e legado. 

“Hoje é um dia triste porque perdemos uma mulher fantástica, uma cientista inspiradora. Mas, ao olhar para a vida de Elza, celebramos suas conquistas, as pessoas que ela formou, as instituições que criou e sua trajetória incrível”, comentou a cientista social, antropóloga e demógrafa Gláucia Marcondes, atual coordenadora do Nepo.

Em 1995, fundou e presidiu a Comissão Nacional de População e Desenvolvimento, órgão do governo federal que assessora a tomada de decisões estratégicas nesse campo.

“Elza Berquó, nossa primeira presidente da CNPD, acreditou profundamente no Brasil, contribui para a ampliação dos direitos humanos de todas as pessoas, viu pessoas atrás dos números e defendeu ao longo de toda sua vida, no marco dos seus 100 anos, a democracia e as políticas públicas baseadas em evidências”, aponta o presidente da CNPD, Richarlls Martins.

“Elza é a mãe da demografia brasileira, teve uma trajetória excepcional no desenvolvimento de instituições relevantes na área, como a criação da ABEP, do NEPO e da Comissão Nacional de População e Desenvolvimento do Governo Federal (CNPD).”, afirmou o Acadêmico Eduardo Rios Neto, que trabalhou junto a Elza na ABEP.



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