Agricultura

Acordo Mercosul-UE domina debates na abertura da safra de cana em SP

Publicado em

Agricultura


O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia está no centro das discussões da Abertura Safra Cana, Açúcar e Etanol, promovido pela Datagro, que começou nesta quarta-feira (11.03) em Ribeirão Preto (313 km da capital, São Paulo) e segue amanhã (12). O encontro reúne representantes da cadeia sucroenergética para discutir as perspectivas da nova temporada e o posicionamento do Brasil no mercado internacional de açúcar e biocombustíveis.

Entre os temas debatidos está o impacto do acordo entre os dois blocos sobre as exportações brasileiras de açúcar e etanol. Pelos termos negociados, o açúcar produzido nos países do Mercosul passará a contar com cota anual de 180 mil toneladas com tarifa zerada para entrada no mercado europeu. Acima desse volume, continuam valendo as tarifas atualmente aplicadas pela União Europeia, que chegam a € 419 por tonelada para açúcar branco e € 339 para o produto bruto.

O acordo também mantém um mecanismo de salvaguarda que permite ao bloco europeu suspender temporariamente importações caso haja aumento expressivo nas compras externas.

No caso do etanol, foi definida cota de 650 mil toneladas por ano, equivalente a cerca de 812,5 milhões de litros. Desse total, 450 mil toneladas poderão entrar com tarifa zero quando destinadas ao uso industrial, enquanto 200 mil toneladas terão tarifa reduzida, em torno de € 0,064 por litro, para outros usos, incluindo combustível.

Exportações acima desses limites continuam sujeitas à tarifa cheia prevista nas regras da Organização Mundial do Comércio, atualmente em torno de € 0,19 por litro, além do cumprimento de exigências ambientais adotadas pelo mercado europeu.

Para o presidente da Datagro Consultoria, Plínio Nastari, o acordo deve gerar ganhos principalmente no médio e longo prazo, com maior integração comercial e tecnológica entre os dois blocos. “As perspectivas são muito animadoras para o futuro, porque cria-se uma avenida livre para intercâmbio, troca de conhecimento e, principalmente, agregação de valor, que pode trazer ganhos importantes para o agro brasileiro”, afirmou.

Apesar do potencial de expansão, o mercado europeu ainda representa parcela limitada das exportações brasileiras do setor sucroenergético.

Em 2025, o Brasil exportou 235,8 milhões de litros de etanol para a União Europeia, volume 55,2% superior ao registrado no ano anterior, mas equivalente a 14,6% das vendas externas do biocombustível.

No caso do açúcar, os embarques ao bloco europeu alcançaram 886,9 mil toneladas no ano passado, avanço de 62,8% na comparação anual. Ainda assim, o volume representou apenas 2,6% das exportações brasileiras do produto.

A avaliação discutida no evento é que o acordo pode ampliar gradualmente a presença brasileira no mercado europeu, mas o principal efeito deverá ocorrer na valorização dos produtos e na abertura de novas oportunidades comerciais para o setor sucroenergético.

Fonte: Pensar Agro



COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Agricultura

Atenção para a declaração de rebanho obrigatória

Publicados

em


A atualização cadastral dos rebanhos, obrigatória para produtores rurais em todo o país, ganha força neste ano com a abertura das primeiras janelas de declaração em diferentes estados. Embora o calendário varie conforme a unidade da Federação, a exigência já se consolidou como um dos principais instrumentos de controle sanitário da pecuária brasileira.

Em Goiás, a primeira etapa de 2026 ocorre entre 1º e 31 de maio, conforme cronograma da Agência Goiana de Defesa Agropecuária. O procedimento é obrigatório e exige que o produtor informe a situação atualizada dos animais na propriedade, incluindo nascimentos, mortes e movimentações.

A exigência, no entanto, não é isolada. Estados como Rio Grande do Sul já realizam a declaração entre abril e junho, enquanto Paraná segue calendário semelhante. No Centro-Oeste, modelos semestrais também são adotados, com etapas distribuídas ao longo do ano, como ocorre em Mato Grosso do Sul. Já em Mato Grosso e Rondônia, a atualização costuma ocorrer no fim do ano, concentrada entre novembro e dezembro.

Apesar das diferenças de prazo, a lógica é a mesma em todo o país: manter um banco de dados atualizado sobre o rebanho nacional, permitindo resposta rápida a eventuais surtos sanitários e maior controle da movimentação animal.

Na prática, o produtor deve declarar todas as espécies existentes na propriedade — de bovinos e suínos a aves, equinos, ovinos, caprinos, abelhas e animais aquáticos — garantindo que o cadastro reflita a realidade atual da produção.

A medida ganhou ainda mais importância com o avanço do Brasil no status sanitário internacional, especialmente após a retirada gradual da vacinação contra febre aftosa em diversas regiões. Com menor margem para erro, a rastreabilidade e o controle do rebanho passaram a ser considerados essenciais para a manutenção de mercados e abertura de novos destinos para a carne brasileira.

Além da sanidade, os dados também são utilizados para orientar políticas públicas e planejamento do setor. Informações atualizadas permitem dimensionar com precisão o tamanho do rebanho, direcionar campanhas de controle de doenças e apoiar decisões comerciais.

O descumprimento da obrigação pode gerar penalidades, incluindo multas e restrições operacionais. Na prática, o produtor fica impedido de emitir a Guia de Trânsito Animal (GTA), documento indispensável para transporte e comercialização, o que pode travar a atividade dentro da porteira.

Com a digitalização dos sistemas, o processo tem migrado para plataformas online, o que amplia o acesso, mas também exige atenção redobrada do produtor quanto a prazos e regularidade cadastral.

Em um cenário de maior exigência sanitária e competitividade internacional, a declaração de rebanho deixou de ser apenas uma obrigação burocrática e passou a integrar a estratégia produtiva da pecuária brasileira — com impacto direto sobre a segurança do sistema e a capacidade de acesso a mercados.

Fonte: Pensar Agro



COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTE

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA