CÂMARA MUNICIPAL DE CUIABÁ

Chico propõe curso visando preparar servidores para o combate da violência contra a mulher

A vereadora Maysa Leão (Republicanos) falou sobre os riscos de ser simplesmente uma mulher e citou o assassinato da advogada Cristiane Castrillon

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Política

Assessoria Parlamentar
O presidente da Câmara de Cuiabá, Chico 2000 (PL), propôs a realização de um curso de 20 horas para tratar sobre a violência contra a mulher, buscando esclarecer as formas de violência e como combater esse tipo de crime. A proposta foi apresentada durante a Audiência Pública na noite de segunda-feira (21), programação esta que faz parte das ações do Agosto Lilás.
“Estamos realizando cursos para qualificar melhor nossos servidores para bem receber a população que vem em busca de atendimento e soluções para sua comunidade. Podemos propor um curso de algo em torno de 20 horas para que estejamos tratando desse tema. Vamos conversar com as nossas vereadoras se vamos priorizar as inscrições de homens, mulheres ou mistas. Eu, particularmente, entendo que os homens possuem mais necessidade de participar dessas palestras, pois efetivamente nós não sabemos nada”, disse o presidente.
Em seu discurso de abertura, ele lembrou que neste primeiro semestre de 2023, 18 mulheres foram mortas em decorrência da violência de gênero. Mais recentemente, esse número aumentou para 19, com o feminicídio da advogada Cristiane Castrillon, que foi espancada e asfixiada em Cuiabá por um homem que deveria estar cumprindo pena de internação e não solto às ruas.
“A discussão precisa ser feita até encontrarmos um modelo ideal para evitar as atrocidades existentes contra as mulheres. Nós aprovamos, agora está em sanção com o prefeito uma lei onde garante a tramitação em regime de urgência de todos os processos administrativos cuja parte seja uma mulher vítima de violência. A Parada Segura também é outra lei de nossa autoria, aonde autoriza as mulheres, a partir das 20 horas a solicitar ao motorista do ônibus que pare num local seguro. Nós sabemos que os pontos de ônibus são locais escuros e elas acabam sendo uma presa fácil. Então a partir das 20 horas elas podem solicitar ao motorista que pare o ônibus, naturalmente que no itinerário, na porta de uma farmácia, na porta de uma lanchonete, na porta de uma igreja para que elas tenham mais segurança”.
Em um depoimento emocionado, Alenir Gomes falou na audiência sobre o assassinato da filha dela, Aline Gomes de Souza, 20 anos, com 18 facadas dentro do condomínio Chapada dos Bandeirantes, em Cuiabá. A filha nunca contou para a mãe que era ameaçada e agredida do ex-marido.
“Minha filha pediu socorro no condomínio inteiro. Bateu nos apartamentos com seu filho, pediu pra que alguém tomasse conta, que salvasse seu filho, mas ela não conseguiu que ninguém a socorresse. Minha filha morreu praticamente assim, abandonada por todos porque ela não conseguiu socorro”.
A delegada titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM), Jozirlethe Magalhães Criveletto, disse que audiências como essas promovidas pela Câmara trazendo o debate do assunto, dialogando com a sociedade, mostra como as mulheres precisam de proteção especialmente do aparelho estatal.
“Essa discussão que a cada dia nos fortalece para que nós possamos estar, de certa forma, contribuindo com os poderes Executivo e Legislativo para que nós possamos mudar. Quando você analisa que temos uma rede de atendimento a mulher em Cuiabá, mas ainda estamos aí com índices feminicídios altíssimos, alguma coisa ainda não está no ponto certo, alguma coisa está errada. Por isso, é importante a gente discutir para tentar melhorar”.
A vereadora Maysa Leão (Republicanos) falou sobre os riscos de ser simplesmente uma mulher e citou o assassinato da advogada Cristiane Castrillon e o fato do assassino, um ex-policial militar, estar em um presídio para agentes de segurança pública, em Chapada dos Guimarães.
“Todo dia tem um estupro, todo dia tem uma violência, todo dia tem uma violência psicológica que a gente sequer fica sabendo e quando chega até nós isso já é um caso grave. A gente precisa rever os nossos dispositivos de lei, porque o cheiro de impunidade ele impulsiona muitos bandidos no nosso país, infelizmente. A gente tem um teto de prisão de 30 anos, mas temos penas curtas, penas pequenas, eles sabem que com progressão de pena, mesmo quem faz um crime absurdo desses, em 15 anos está na rua”.
O vereador Rogério Varanda (MDB) destacou que debater o assunto em curso ou em audiência pública como realizada pela Câmara é de suma importância, pois no momento que nós estamos vivendo, as mulheres têm sido muito atacadas, algumas perdendo a vida, outras apanhando.
“Nós, como políticos da cidade, mais próximas da população, que somos vereadores, temos que fazer esse trabalho e combater para que isso acabe de uma vez por todas”.
Para a vereadora Michelly Alencar (União Brasil) toda audiência pública é um momento de trazer temas relevantes e o parlamento dar a sua contribuição para a sociedade. Por meio dela é possível colher informações e sugestões das entidades e direcionar políticas públicas.
“Nós já temos uma luta contra a violência contra a mulher, não apenas de uma vereadora, ela é uma luta dessa Casa. Inclusive, parabenizo o presidente pela propositura, pelo engajamento com todos os vereadores, com as entidades, porque o que não dá é a gente continuar lidando com tantos casos de violência e nos sentindo impotentes”.
Também participaram da audiência pública a promotora do Núcleo de Violência Doméstica, Gileade Pereira Souza, a defensora pública Rosana Leite e a secretária municipal da Mulher, Cely Almeida e a secretária adjunta da Secretaria Municipal da Mulher, Elis Regina Prates.
Secom – Câmara Municipal de Cuiabá
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Projeto da Corregedoria vai levar documentação e acesso a direitos a pessoas idosas

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A Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso (CGJ-MT) iniciou a articulação do projeto “Semana da documentação básica da pessoa idosa”, voltado à emissão e regularização da documentação civil de pessoas idosas acolhidas em instituições de longa permanência, casas-lares e abrigos.

A iniciativa surgiu a partir das demandas identificadas durante as edições regulares da Semana Nacional do Registro Civil – Registre-Se, notadamente quanto à locomoção dessas pessoas abrigadas até os locais onde eram realizados os mutirões.

Desse modo, a proposta dessa semana é dar prioridade a essa população mais vulnerável, levando o projeto até as casas lares ou pontos próximos e acessíveis a elas.

Os preparativos começaram terça-feira (23), durante reunião coordenada pela Juíza Auxiliar da Corregedoria, Myrian Pavan Schenkel.

Participaram representantes da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais de Mato Grosso (Arpen-MT), da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), das Secretarias Municipais de Assistência Social de Cuiabá e Várzea Grande, além do juiz Gerardo Humberto Alves da Silva Junior, integrante da Comissão de Atenção à Pessoa Idosa do Poder Judiciário de Mato Grosso.

Entre os serviços previstos estão a emissão de segundas vias de certidões, regularização de CPF, emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN) e encaminhamento para benefícios assistenciais e previdenciários.

A edição inaugural está prevista para ocorrer entre os dias 14 e 18 de setembro de 2026, inicialmente em Cuiabá e Várzea Grande, com possibilidade de ampliação para outras regiões do Estado.

Segundo a Juíza Auxiliar Myrian Pavan Schenkel, a iniciativa busca ampliar o acesso da população idosa aos serviços públicos e garantir o exercício da cidadania. “Durante as ações do Registre-Se identificamos diversos entraves a locomoção de idosos até os locais de mutirão a população vulnerável em geral, de modo que esse projeto terá uma atenção voltada aos idosos em situação de vulnerabilidade social institucionalizados. A proposta é reunir instituições parceiras para levar cidadania, dignidade e inclusão a essa população, aproximando os serviços de quem mais precisa.”

Para o juiz Gerardo Humberto Alves da Silva Junior, a documentação civil é um instrumento fundamental para assegurar direitos. “A documentação é a porta de entrada para o exercício da cidadania. Quando a pessoa idosa consegue regularizar seus documentos, amplia suas possibilidades de acesso a benefícios, serviços públicos e mecanismos de proteção social.”

Autor: Alcione dos Anjos

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT



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