Política
‘Voltei ao baixo clero. Sou o 081 do Senado’, diz Renan
Política
Derrotado na disputa à presidência da Casa, ‘velho Renan’ retorna com críticas ao governo
Da Redação
Quarenta dias após ser derrotado na disputa pela presidência do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL) voltou a vestir o figurino do “velho Renan” e não deixa dúvidas de que pretende liderar a oposição. Com um discurso crítico ao governo, o senador do MDB afirmou que a gestão de Jair Bolsonaro “parece sem rumo” e vive um momento de “autoflagelação”.
Apesar de classificar Paulo Guedes como “bem intencionado”, Renan argumentou que, sozinho, o ministro da Economia nada poderá fazer e mostrou resistências ao modelo de reforma da Previdência enviado pelo Executivo ao Congresso. Mesmo assim, não deu pistas de como será sua atuação daqui para a frente. “Eu voltei para o baixo clero. Sou o 081 do Senado”, disse Renan ao Estado.
O senador andava apressado no “túnel do tempo”, como é conhecido o corredor que liga o prédio do Congresso a um anexo do Senado, quando parou para cumprimentar uma antiga colega. “Lula mandou um forte abraço para você”, afirmou a deputada Gleisi Hoffmann (PR), presidente do PT. Era terça-feira e Renan combinou com ela que em breve visitaria novamente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba desde abril do ano passado.
Nas conversas com correligionários, a portas fechadas, o senador alagoano não deixa dúvidas de que sua articulação será contra o governo. Na noite desta quarta-feira, 13, por exemplo, ele participou de um jantar no qual muitos se queixaram do estilo do presidente. “Bolsonaro, com todo respeito, ganhou a eleição e eu respeito bastante quem ganha eleição. Mas essa renitência de manter a divisão da sociedade pela rede social, não deixando que ódios sejam superados, é uma coisa muito complicada. Cada vez mais o presidente vira sinônimo da velha prática política”, insistiu o senador.
Ao definir o que chama de “autoflagelação”, Renan disse que o Palácio do Planalto é “insuperável” na produção de fatos negativos. “O ministro da Educação (Ricardo Vélez Rodríguez) é um horror, o das Relações Exteriores (Ernesto Araújo) não fica atrás. Mas não dá para predizer o que vai acontecer com o governo até porque seria uma competição insustentável com o cientista político Olavo de Carvalho”, ironizou.
No dia anterior, em seu gabinete, Renan também ouviu críticas a Bolsonaro ao receber alguns senadores do MDB. “Me ligue com o Gustavo Bebianno”, pediu ele à secretária. Bebianno ocupava a Secretaria-Geral da Presidência, mas foi demitido no mês passado, após ser chamado de “mentiroso” pelo vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ).
Até agora, Bebianno era a “ponte” de Renan com o Planalto. Desafeto do senador, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, fez campanha para Davi Alcolumbre (DEM-AP), que se elegeu presidente do Senado. A eleição foi marcada por suspeita de fraude e, na segunda votação, Renan desistiu, retirando a candidatura ao perceber a derrota iminente.
Guedes. Hoje, o interlocutor do senador no governo é justamente Paulo Guedes, que pretende apresentar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para acabar com os gastos obrigatórios previstos nos orçamentos da União, dos Estados e dos municípios. “Essa reforma do pacto federativo não tem nada de pacto federativo”, protestou Renan. “Em português claro, essa medida significa a autorização para cortar na saúde e na educação. Se o Paulo não acertar a mão no que vai fazer, não chegaremos a lugar algum. Ser bem intencionado não resolve o problema”.
No Salão Azul, o homem que já comandou quatro vezes o Senado sempre conversa com colegas de oposição e não quer falar sobre a eleição que perdeu. Questionado sobre a investigação interna referente ao voto de número 82 depositado na urna, que levou a uma segunda votação – já que são apenas 81 senadores –, ele muda de assunto. “Não estou acompanhando.”
Renan também é econômico nos comentários sobre o relacionamento com Alcolumbre. “Normal”, resume. “Ele até assinou a petição que eu encaminhei ao Tribunal de Contas da União, pedindo a sustação do acordo celebrado entre a Petrobrás e representantes do Ministério Público.” Ao mostrar a rubrica em círculo de Alcolumbre, porém, deixa escapar: “É uma assinatura com estilo.”
Alvo da Lava Jato, Renan está no grupo dos parlamentares que defendem o endurecimento da lei de abuso de autoridade. Acha que deputados devem agora encaixar o tema no pacote anticrime apresentado à Câmara pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro. Quando lhe perguntam se a estratégia não seria uma revanche pelo fato de ser investigado, o senador tem uma resposta na ponta da língua. “Diziam isso porque tentavam me amordaçar. Havia uma perseguição contra mim porque eu era presidente do Congresso, uma espécie de chefe da política.” Antes de se despedir, ele reforça: “Hoje, sou apenas o 081.”
Fonte: O Estado de S.Paulo / https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,voltei-ao-baixo-clero-sou-o-081-do-senado-diz-renan,70002754650
Foto: Dida Sampaio/Estadão
Política
Presidente da Câmara renuncia ao mandato e diz que política é “frustrante”
O presidente da Câmara Municipal de Ipiranga do Norte (MT), Celso da Conceição (Republicanos), renunciou ao mandato de vereador e encerrou sua passagem pelo Legislativo municipal com um desabafo sobre os desafios da vida política. Em discurso de despedida, ele classificou a atividade como “frustrante” e defendeu a atuação dos políticos do município.
A saída foi oficializada no último dia 6, um dia depois de Celso presidir sua última sessão ordinária. Durante o pronunciamento, o parlamentar não detalhou os motivos da decisão e afirmou que se trata de uma escolha pessoal. Informações divulgadas pela imprensa local apontam que ele teria recebido uma proposta de emprego, mas a motivação não foi confirmada oficialmente pelo vereador.
Ao falar sobre a decisão, Celso ressaltou que cada pessoa precisa avaliar o que considera melhor para a própria vida.
“Às vezes, quem está de fora vê que está muito bom e acha que alguma coisa deveria estar melhor, que, se fosse eu, não fazia assim, fazia assado. Mas cada um é dono da sua vida e acredita naquilo que é melhor para si. E é isso que eu estou fazendo, né? Com fé em Deus, vai estar tudo certo”, declarou.
O vereador também demonstrou insatisfação com a imagem da classe política perante a sociedade. Para ele, o trabalho realizado por representantes públicos nem sempre é reconhecido, e a população tende a generalizar críticas sobre a conduta dos políticos.
“Realmente é frustrante, muito frustrante, porque a gente se dedica tanto e, infelizmente, o nosso país é olhado só como que político nenhum, parece que todos os políticos roubam, que todo político é aquilo”, afirmou.
Na sequência, Celso defendeu os colegas de Ipiranga do Norte e disse acreditar que o cenário nacional seria diferente se a atuação política no país seguisse o exemplo que, segundo ele, existe no município.
“Mas eu volto a dizer: se todos os políticos do nosso país fossem iguais aos políticos de Ipiranga do Norte, o nosso país era outro”, completou.
Eleito em 2024 com 307 votos, Celso esteve à frente da Câmara durante o biênio 2025-2026. Sua renúncia provocou mudanças na composição do Legislativo: o vice-presidente, Cleonaldo Araujo França, assumiu a presidência e permanecerá no cargo até o encerramento do atual período da Mesa Diretora.
Com a saída de Celso, o primeiro suplente do Republicanos, Neto da Farmácia, deverá assumir a cadeira de vereador. Ele recebeu 152 votos nas eleições municipais de 2024.
A renúncia encerra antecipadamente o mandato de Celso, que se despediu dos colegas com agradecimentos pela experiência no Legislativo. Apesar das críticas à percepção pública sobre a política, ele destacou a importância da trajetória vivida na Câmara e deixou a função afirmando ter gratidão pelo período em que exerceu o cargo.
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