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Voltar Em audiência pública, Procon-MT aponta má prestação de serviço e cobra melhorias

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Da Redação

A aposentada Dalva Monteiro, 58 anos, moradora da zona rural de Rondonópolis, costumava pagar em torno de R$ 70 de energia elétrica por mês. Em casa, um ventilador, uma geladeira, um freezer e um bebedouro são os eletrodomésticos mais usados, especialmente aos finais de semana, que é quando está em casa – de segunda a sexta-feira ela fica na casa da irmã.

Mas este ano, Dalva viu sua conta de energia saltar dos costumeiros R$ 70 para mais de R$ 400. Depois, outras contas vieram na casa dos R$ 300 e R$ 200. Chegou o momento em que a aposentada acumulava R$ 900 de dívidas com a concessionária de energia. Ou pagava ou ficaria sem o serviço. Reuniu tudo o que tinha e pagou.

O caso de Dalva foi uma dos apresentados durante a audiência pública sobre energia elétrica em Rondonópolis, realizada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso na sexta-feira (01.11). O objetivo foi debater os principais problemas identificados na prestação do serviço no município.

Na ocasião, o Procon de Mato Grosso apresentou dados atualizados das reclamações referentes à energia, bem como as principais medidas que, na avaliação da equipe do órgão de proteção ao consumidor, precisam ser adotadas pela concessionária para mudar a atual situação.

Apenas no mês de outubro deste ano o Procon-MT registrou 1.779 reclamações contra a concessionária de energia pelo Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec). Já pela plataforma consumidor.gov.br foram 301 registros. Somadas, as reclamações chegaram a 2.080 em outubro, quase quatro vezes mais do que a média dos meses anteriores.

Cerca de 80% das reclamações se referem à cobrança indevida/abusiva, resultado da falta de leituras efetivas nas unidades consumidoras. Ou seja, sequências de meses faturados por estimativa que resultam em acúmulo de consumo, que depois é cobrado em uma única fatura. Isso, na avaliação da equipe do Procon-MT, corresponde à má prestação de serviço.  

Conforme pontuou a secretária adjunta do Procon-MT, Gisela Simona, “com o acúmulo em uma única fatura o consumidor acaba pagando mais ICMS, pois a cobrança do imposto é escalonada: quanto mais quilowatts-hora maior a alíquota. O consumidor também acaba pagando mais pela bandeira tarifária – acrescida a cada 100 quilowatts-hora – caso no mês do acúmulo esteja vigorando as bandeiras amarela ou vermelha”.

Assim, a gestora do Procon-MT cobrou mais qualidade na prestação de serviço, especialmente no que se refere a: leitura efetiva de consumo; reabertura de postos de atendimento da concessionária; retomada do serviço de religamento de urgência (quatro horas em área urbana); melhoria no atendimento via telefone; garantia da presença do responsável pela unidade consumidora nos casos de troca de medidor; e respeito ao direito de defesa do consumidor nos casos em que a empresa identifica possível violação de medidores. 

Para o órgão de defesa do consumidor do Estado, é preciso ainda repensar a atual resolução que regula o setor elétrico (nº 414/2010/Aneel), de forma a restringir as possibilidades de leituras por média e os acúmulos de cobrança. 

A audiência em Rondonópolis foi solicitada pelo deputado estadual Thiago Silva, que também é vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura possíveis irregularidades na prestação do serviço de energia elétrica em Mato Grosso. 

Segundo o deputado, a audiência é o momento de ouvir da comunidade local as principais demandas em relação ao serviço. “A partir disso vamos  buscar soluções, vamos fazer nosso trabalho e encaminhar para a Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica ] e demais órgãos competentes para que sejam tomadas as devidas providências”, afirmou o parlamentar.

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Presidente da Câmara renuncia ao mandato e diz que política é “frustrante”

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O presidente da Câmara Municipal de Ipiranga do Norte (MT), Celso da Conceição (Republicanos), renunciou ao mandato de vereador e encerrou sua passagem pelo Legislativo municipal com um desabafo sobre os desafios da vida política. Em discurso de despedida, ele classificou a atividade como “frustrante” e defendeu a atuação dos políticos do município.

A saída foi oficializada no último dia 6, um dia depois de Celso presidir sua última sessão ordinária. Durante o pronunciamento, o parlamentar não detalhou os motivos da decisão e afirmou que se trata de uma escolha pessoal. Informações divulgadas pela imprensa local apontam que ele teria recebido uma proposta de emprego, mas a motivação não foi confirmada oficialmente pelo vereador.

Ao falar sobre a decisão, Celso ressaltou que cada pessoa precisa avaliar o que considera melhor para a própria vida.

“Às vezes, quem está de fora vê que está muito bom e acha que alguma coisa deveria estar melhor, que, se fosse eu, não fazia assim, fazia assado. Mas cada um é dono da sua vida e acredita naquilo que é melhor para si. E é isso que eu estou fazendo, né? Com fé em Deus, vai estar tudo certo”, declarou.

O vereador também demonstrou insatisfação com a imagem da classe política perante a sociedade. Para ele, o trabalho realizado por representantes públicos nem sempre é reconhecido, e a população tende a generalizar críticas sobre a conduta dos políticos.

“Realmente é frustrante, muito frustrante, porque a gente se dedica tanto e, infelizmente, o nosso país é olhado só como que político nenhum, parece que todos os políticos roubam, que todo político é aquilo”, afirmou.

Na sequência, Celso defendeu os colegas de Ipiranga do Norte e disse acreditar que o cenário nacional seria diferente se a atuação política no país seguisse o exemplo que, segundo ele, existe no município.

“Mas eu volto a dizer: se todos os políticos do nosso país fossem iguais aos políticos de Ipiranga do Norte, o nosso país era outro”, completou.

Eleito em 2024 com 307 votos, Celso esteve à frente da Câmara durante o biênio 2025-2026. Sua renúncia provocou mudanças na composição do Legislativo: o vice-presidente, Cleonaldo Araujo França, assumiu a presidência e permanecerá no cargo até o encerramento do atual período da Mesa Diretora.

Com a saída de Celso, o primeiro suplente do Republicanos, Neto da Farmácia, deverá assumir a cadeira de vereador. Ele recebeu 152 votos nas eleições municipais de 2024.

A renúncia encerra antecipadamente o mandato de Celso, que se despediu dos colegas com agradecimentos pela experiência no Legislativo. Apesar das críticas à percepção pública sobre a política, ele destacou a importância da trajetória vivida na Câmara e deixou a função afirmando ter gratidão pelo período em que exerceu o cargo.



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