Política
Várzea Grande entrega 110 mil uniformes para alunos da rede municipal
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Da Redação
A prefeitura municipal de Várzea Grande realizou a aula inaugural da rede pública municipal de ensino do ano letivo de 2020. Além de reafirmar as premissas-base da educação básica que constam no Plano Municipal de Educação (PME 2015-2025) aos seus profissionais, foram entregues mais de 110 mil peças de uniforme escolares que irão beneficiar todos os 28 mil estudantes matriculados na rede neste ano letivo de 2020.
Para aquisição dos uniformes o Município investiu R$ 1 milhão em recursos próprios do Tesouro Municipal, fruto da arrecadação de impostos pagos pelos contribuintes.
A prefeita Lucimar Sacre de Campos acompanhada do vice-prefeito, José Hazama, do senador Jayme Campos e do secretário de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Sílvio Fidelis, fizeram a entrega simbólica aos diretores das 85 unidades municipais, entre creches, escolas urbanas e do campo. As aulas terão início na próxima segunda-feira, dia 10, e toda logística da secretaria de Educação estará voltada para a entrega dos uniformes a cada unidade de hoje até a próxima semana, beneficiando 100% dos alunos.
Os uniformes vão beneficiar estudantes da Educação Infantil ao 9º ano do Ensino Fundamental. Cada conjunto é composto por camiseta e short-saia para meninas e camiseta e bermuda para os meninos, nesse caso para alunos da Educação Infantil até o 6º ano do Ensino Fundamental. Já para alunos do 7º, 8º e 9º anos do Ensino Fundamental, serão camisetas e calças unissex.
Com o aumento da oferta de novas vagas na rede municipal – resultado da entrega de unidades ampliadas/reformadas e prédios novos – o volume de conjuntos foi reajustado em pouco mais de 14% em relação ao ano passado, passando de 28 mil kits para atuais 32.041.
Como explica a prefeita, Lucimar Sacre de Campos, uniforme é sinônimo de segurança e praticidade para os estudantes e suas famílias. “Primeiro porque identifica os alunos como estudantes da rede pública, e isso é um item de segurança, o diferencia das demais pessoas e facilita a rotina doméstica, pois a mãe, e ou os responsáveis por aquele estudante, sabem que de segunda à sexta, precisam se preocupar apenas em deixar o uniforme à disposição do aluno, sem necessidade de separar mudas de roupas para o uso ao longo da semana. O uniforme é fácil de lavar e secar”.
Todos esses estudantes do Ensino Fundamental que estiveram integrando o Programa de Ensino em Tempo Ampliado (E.T.A.), atualmente presente em 22 escolas de ensino básico da rede municipal, terão ainda uma camiseta a mais, exclusiva do E.T.A. Nesse caso, foram confeccionadas outras 4.560 unidades para atender estes alunos do ensino integral.
O secretário de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Sílvio Fidelis, destaca que outras unidades escolares, especialmente creches – Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) – estão em construção e serão entregues no decorrer desse ano em Várzea Grande. “Todas as crianças vão receber uniformes. Os conjuntos que se fizerem necessários serão confeccionados para atender à demanda que surgir. Inclusive, essa remessa atual, para atender ao ano letivo de 2020, já foi feita com certo excedente, justamente pensando nessas unidades novas. Caso haja necessidade, vamos fazer mais conjuntos”.
Sandra Rodrigues, mãe da pequena Guilia Rebeca de dois anos, destaca que vaga em creche e uniforme escolar, são ganhos e sinônimo de tranquilidade para os pais. “Ela está indo para o primeiro ano escolar dela na creche Izabel Pinto. Além de poder trabalhar despreocupada, o uniforme é uma garantia de segurança e praticidade, pois à noite a gente chega, lava a mão rapidinho e no dia seguinte tá seco. Evita o uso de muita roupa e a necessidade de estar lavando no meio da semana. Uniforme é muito prático”.
Pedro Lucas de 2,5 anos, assim como a coleguinha Guilia, também recebeu o seu kit de forma simbólica, e mesmo de forma tímida, ‘desfilou’, o novo uniforme. Lucas também vai pela primeira vez integrar uma creche para que a mãe retorne ao mercado de trabalho.
Representando a Câmara de Vereadores, o vereador Pedro Paulo Tolares, destacou que o uniforme é peça fundamental dentro da educação pública, e que ajuda muito os pais. “É um item importante e que agrega na composição do material escolar, sem dúvida. Muitos pais não têm condições de suprir essa necessidade e dispor de uma muda diária de roupa aos filhos, especialmente às crianças que se sujam constante na escola. Os uniformes chegam em uma excelente hora”.
AÇÃO CONCRETA – A rede pública municipal chega a 2020 com 80% de estrutura física recuperada, como destacou o secretário Sílvio. “Temos atualmente 85 unidades que compõe a nossa rede de ensino público municipal, desse total, 80% passaram por reformas estruturantes. Somente 24 escolas e creches terão o ano letivo postergado para março em razão de obras, mas nada que prejudique o calendário escolar, já que cada escola terá um diferencial para atender sua demanda, sem qualquer prejuízo aos alunos”, garantiu o secretário.
Presente à solenidade, o senador Jayme Campos, fez questão de destacar que uniforme escolar não resolve o problema da educação pública brasileira e tão pouco em Mato Grosso ou em Várzea Grande. “Desde 2015, a prefeita Lucimar vem fazendo um grande esforço, juntamente com toda sua equipe para transformar vários setores da cidade. Educação foi e é uma das prioridades. De abandono temos um cenário de transformação, revolução e estamos chegando à excelência. Para estarmos aqui, pelo quarto ano seguindo entregando uniformes, é porque investimos na infraestrutura das unidades, em equipamentos, em valorização e capacitação dos profissionais. Esse conjunto sim faz a diferença e nos permite dizer que estamos melhorando e contribuindo para evolução do ensino-aprendizagem das crianças e jovens de Várzea Grande”.
Foto: Secom-VG
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Sessão destaca avanços e desafios após 20 anos da Lei Maria da Penha
O Senado fez nesta quinta-feira (13) sessão especial para celebrar o Agosto Lilás, campanha de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. A sessão, requerida pela senadora Leila Barros (PDT-DF), marcou também os 20 anos da Lei Maria da Penha (Lei 11.340, de 2006).
Durante a homenagem, autoridades destacaram os avanços alcançados desde a criação da lei e defenderam o fortalecimento das políticas de prevenção, proteção às vítimas e responsabilização dos agressores.
Leila Barros ressaltou que, apesar dos avanços na legislação e na proteção às mulheres, os índices de feminicídio e outras formas de violência ainda exigem o fortalecimento das ações de prevenção. Ela citou medidas como a criminalização do stalking (Lei 14.132, de 2021) e o monitoramento eletrônico de agressores e defendeu políticas de autonomia econômica, além da atuação conjunta de governos, instituições, sociedade civil e homens no enfrentamento à violência.
— O Agosto Lilás não pode ser apenas uma cor iluminando prédios públicos. Não pode ser apenas uma campanha durante 31 dias. Ele precisa representar um compromisso permanente com a prevenção, o acolhimento, a proteção, a responsabilização dos agressores e, principalmente, com a vida das mulheres — afirmou.
Mobilização permanente
Em participação virtual, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia lembrou a trajetória que levou à criação da Lei Maria da Penha. Ela destacou que a falta de resposta adequada do Estado brasileiro à violência sofrida por Maria da Penha Maia Fernandes levou à responsabilização do país no plano internacional.
Cármen Lúcia afirmou que a Lei Maria da Penha se tornou símbolo do combate à violência contra a mulher. A ministra alertou, porém, que a persistência de agressões e assassinatos exige mobilização permanente do poder público e da sociedade:
— Não podemos compactuar nem ser omissos na busca de, rapidamente, urgentemente e exemplarmente superarmos esse estado de coisas inconstitucional que vivemos no Brasil contra todas nós, mulheres.
Ao abordar as ações atuais de enfrentamento à violência, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, também apontou a Lei Maria da Penha como um marco na proteção da população feminina e defendeu ações articuladas entre os Poderes, estados, municípios e sociedade. Ela destacou medidas do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, como a agilização das medidas protetivas, a responsabilização dos agressores e a ampliação da rede de atendimento.
Márcia Lopes ressaltou ainda a importância da educação para modificar padrões culturais que naturalizam a violência e defendeu políticas de autonomia econômica e de cuidados. Para a ministra, os homens também precisam ser envolvidos nas ações de conscientização e mudança de comportamento.
— Nós queremos ter o direito à vida, à liberdade, às nossas escolhas. […] Venham juntos, venha a sociedade brasileira, porque nós temos o direito de viver, o direito de sonhar, o direito de ter uma vida plena — disse.
Luiza Helena Trajano, presidente do Grupo Mulheres do Brasil, destacou a Lei Maria da Penha como uma das principais conquistas das mulheres brasileiras e ressaltou que o enfrentamento à violência é responsabilidade de toda a sociedade. Ela defendeu a atuação conjunta do poder público, da sociedade civil e das empresas e afirmou que a legislação sozinha não basta para que a proteção chegue efetivamente às mulheres.
— As leis são essenciais, mas elas precisam caminhar junto com a informação, o acolhimento e a oportunidade. Porque ter a lei e não informar e não cobrar não adianta nada — afirmou.
A necessidade de transformar os avanços legais em proteção efetiva também foi ressaltada pela diretora-geral do Senado, Ilana Trombka, que participou do evento de forma virtual. Ela destacou que a Lei Maria da Penha ampliou a visibilidade da violência doméstica e fortaleceu a proteção às mulheres. Segundo Ilana, o desafio agora é fazer com que esses mecanismos cheguem a quem mais precisa e reduzir os ainda elevados índices de feminicídio.
Os dados do Instituto DataSenado ajudam a dimensionar a evolução desse cenário. A coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência, Maria Teresa Firmino Prado Mauro, lembrou que, em 2005, antes mesmo da sanção da Lei Maria da Penha, 95% das brasileiras entrevistadas afirmaram que o país precisava de uma legislação específica de proteção às mulheres. Segundo ela, a pesquisa, realizada a cada dois anos, permite acompanhar as mudanças na realidade da violência contra a mulher desde o período anterior à criação da lei.
Proteção às mulheres
A conselheira do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) Fabiana Costa Oliveira Barreto destacou que, ao longo dos 20 anos da lei, houve avanços no sistema de Justiça, nas forças de segurança e nas políticas públicas. Ela ressaltou a importância da atuação integrada das instituições e defendeu que as políticas considerem as diferentes realidades das mulheres, especialmente negras e indígenas.
— Não se pode olhar para todas as mulheres como se fossem uma só. Temos que saber que nosso país é constituído de várias etnias e que as políticas públicas, as leis e todo o sistema de Justiça têm que estar atentos a isso — afirmou.
Também em participação virtual, o promotor de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) Thiago Pierobom apontou, entre os principais avanços da lei, a incorporação das perspectivas de gênero e de interseccionalidade, as medidas protetivas de urgência e a criação de uma rede de atendimento às mulheres. Segundo ele, a legislação também resistiu a tentativas de alterar seus fundamentos ao longo das últimas duas décadas.
— Muitos projetos de lei foram propostos ao longo desses 20 anos para tentar desnaturar aquilo que é a Lei Maria da Penha. A lei sobreviveu a esses projetos, se fortaleceu e sedimentou esse campo, fortalecendo essa pauta para avançarmos ainda mais — afirmou.
Na área da segurança pública, a tenente-coronel Renata Cardoso, da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), falou sobre a importância da capacitação dos policiais para avaliar riscos, acolher as vítimas e prevenir novas agressões. Ela citou o Policiamento de Prevenção Orientada à Violência Doméstica (Provid), que acompanha 715 mulheres, das quais 320 têm medidas protetivas e estão classificadas em situação de risco extremo. O serviço está presente em todos os batalhões operacionais e também na área rural do Distrito Federal.
— Mais do que falar para as mulheres, a gente precisa trabalhar isso com toda a sociedade, inclusive com os homens da segurança pública, que atendem a maior parte dessas demandas, principalmente nos momentos de emergência — observou.
O que falta avançar
Apesar dos avanços, o promotor Pierobom afirmou que a persistência dos feminicídios e de outras formas de violência coloca em discussão a efetividade das ações adotadas pelo Estado. Entre os desafios, apontou a necessidade de ampliar as políticas de prevenção e considerar fatores como raça, idade, território e condições socioeconômicas na formulação das ações de enfrentamento à violência.
O promotor também defendeu o aperfeiçoamento da atuação do sistema de Justiça, com maior transparência sobre medidas protetivas, denúncias e condenações; o fortalecimento dos mecanismos de avaliação de risco; e a ampliação e interiorização da rede de atendimento às mulheres. Ele chamou a atenção para novas manifestações de violência, especialmente no ambiente digital, como discursos de ódio e ataques misóginos.
— O desafio mais grave é a persistência da violência contra as mulheres nas suas diversas formas: a violência doméstica e familiar, a violência sexual e os feminicídios. […] Esses números nos colocam diante de uma reflexão sobre a efetividade das ações do Estado para concretizar as diretrizes da Lei Maria da Penha — alertou.
Para Cynthia Rocha Mendonça, do Tribunal de Justiça do Amazonas, o desafio é fazer com que a proteção prevista na legislação alcance efetivamente todas as mulheres, especialmente as que vivem em comunidades do interior da Amazônia.
Cynthia apontou barreiras geográficas, sociais e institucionais de acesso à Justiça e defendeu soluções adaptadas às particularidades da região, citando iniciativas como o aplicativo Ronda Maria da Penha e a proposta da Casa Flutuante da Mulher Brasileira. Para ela, a efetividade das políticas de enfrentamento à violência depende não apenas de leis, mas também de estrutura, profissionais, orçamento e investimento permanente do Estado.
Mulheres negras
Iyà Sandrali Campos, integrante do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, falou em nome da Coalizão Negra por Direitos e defendeu a criminalização da misoginia, mas alertou para que mudanças no chamado projeto de lei da Misoginia (PL 896/2023) não enfraqueçam a legislação de combate ao racismo. Segundo ela, as duas formas de discriminação devem ser enfrentadas conjuntamente, com atenção especial à proteção das mulheres negras.
— A Coalizão Negra por Direitos afirma que criminalizar a misoginia é necessário e que preservar integralmente a legislação antirracista é inegociável. As duas responsabilidades não são incompatíveis — afirmou.
Na mesma linha, a diretora-geral da Escola Superior do Ministério Público da União (MPU), Raquel Branquinho, classificou a Lei 7.716, de 1989 (que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor) como um patrimônio da sociedade brasileira e ressaltou sua importância como instrumento de prevenção e punição do racismo.
— A Lei 7.716 foi uma determinação do constituinte brasileiro, é um patrimônio da nossa sociedade e não permite nenhum retrocesso, apenas avanço — afirmou.
Participação política
Raquel Branquinho, diretora-geral da Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU), destacou avanços no combate à violência de gênero, mas defendeu maior participação das mulheres na política e atenção à relação entre violência de gênero e racial.
Ela também citou pesquisas da ESMPU sobre feminicídio, violência doméstica e candidaturas femininas, incluindo a análise de mais de 40 mil processos com ferramentas de inteligência artificial.
— Nós avançamos muito, mas ainda temos muito a fazer. Precisamos de mais mulheres na política. A violência de gênero e a violência racial se entrelaçam — afirmou.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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