ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE MT
Projeto de lei aprovado na ALMT quer garantir programações em Libras na TV
A proposta, que aguarda sanção do governador, prevê que as emissoras de televisão locais e a Secretaria de Comunicação do Estado (TV Paiaguás) exibam as matérias com uso de Libras
Política
Desde 2013, os eventos oficiais realizados pelos poderes públicos de Mato Grosso devem ter a presença de um tradutor e intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras). A obrigatoriedade é estabelecida pela Lei nº 10.015, aprovada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e sancionada pelo governo naquele ano. Recentemente, uma alteração a essa norma foi aprovada pelo Parlamento estadual e aguarda sanção. O acréscimo determina que as emissoras de televisão locais e a Secretaria de Comunicação do Estado (TV Paiaguás) exibam as matérias com uso de Libras.
A emenda oriunda do Projeto de Lei ° 333/2022, de autoria do deputado Thiago Silva (MDB) foi aprovada pelos parlamentares em segunda votação no dia 16 e acrescenta um parágrafo único ao artigo 3º da Lei nº 10.015/2013. De acordo com o parlamentar, a proposta surgiu em função de inúmeras reivindicações feitas por pessoas surdas, que sofrem com a falta de acessibilidade nas propagandas e programas governamentais.
“O objetivo da lei é facilitar a vida desses cidadãos, bem como proteger os direitos humanos das pessoas com deficiência. Sendo assim, a alteração vai assegurar aos surdos amplo acesso às informações institucionais divulgadas pelo estado e municípios, através dos intérpretes de Libras”, disse Silva.
Foto: JLSIQUEIRA / ALMT
A Lei nº 10.015/2013, de autoria do ex-deputado Airton Português, definiu ainda que todas as propagandas veiculadas em TV aberta no estado, contratadas pelo Executivo e Legislativo estaduais, devem exibir a tradução simultânea. A lei também autoriza o Executivo a criar cargos de tradutor e intérprete de Libras com preenchimento através de concurso público.
Em setembro de 2021, a TV Assembleia (TVAL) começou a transmitir as sessões realizadas no Plenário com tradução simultânea em sinais. O trabalho era feito por três intérpretes de Libras. À época, o então presidente Max Russi (PSB) afirmou que o Parlamento “defende tanto a inclusão social e não ter intérprete de Libras é inadmissível”, disse.
Hoje, a TVAL (canal 30.1) transmite as sessões plenárias, reuniões de comissões, audiências públicas, reuniões das câmaras setoriais temáticas e eventos oficiais do Parlamento com profissionais tradutores e intérpretes de Libras. Para isso, a Casa conta com o trabalho de quatro profissionais e cada evento tem à disposição duas intérpretes.
A janela de Libras, adotada para as transmissões oficiais da TV Assembleia, tem o objetivo de a ampliar a conexão com o cidadão, levando ao público as atividades realizadas pelos parlamentares. O superintendente da TVAL, Jaime Neto, afirmou que a acessibilidade das informações às pessoas é um caminho sem volta. Segundo ele, não há como as emissoras públicas não implantarem ferramentas para garantir a participação de todos os cidadãos.
De acordo com Jaime Neto, a TVAL está adaptada com “closed caption” (tecnologia conhecida como legenda oculta), sistema que consiste em transmitir a programação com legendas, garantindo a acessibilidade aos deficientes auditivos. “Além disso, há pelo menos dois anos, a programação ao vivo da TVAL já conta com Libras, mas esse recurso foi estendido aos programas gravados”, disse Jaime Neto.
Além da TVAL intensificar a inclusão da programação em Libras, o canal 30.1 está fechando contrato para a transmissão dos programas em autodescrição (recurso de acessibilidade para pessoas com deficiência visual entenderem o que está sendo exibido ao público). Esse recurso foi utilizado no documentário “Casarões Cuiabanos – Identidade, Amor e História”, veiculado pela TVAL no dia 18 de agosto.
Outra proposta de inclusão é a Lei n° 12.130/2023, sancionada pelo governador Mauro Mendes (União Brasil), de autoria do ex-deputado Sílvio Fávaro, que garante a acessibilidade das pessoas com deficiência visual aos projetos culturais patrocinados ou fomentados com verba pública estadual. Essa lei determina que todas as obras de cinema, vídeo, séries de TV e congêneres devem conter opção de áudio na forma de audiodescrição.
“A tendência é de a Assembleia Legislativa evoluir nesse sentido. E os deputados querem fazer. É um caminho em evolução. As leis vêm ao encontro da realidade. A Libras e o “closed caption” estão inseridos na nossa programação, o próximo passo é efetivar a audiodescrição”, disse Jaime Neto.
A intérprete de Libras da Assembleia Legislativa, Larúbia Gualberto de Arruda, formada em Letras/Libras pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), afirmou que as leis são fundamentais para os intérpretes garantirem seus direitos e deveres enquanto profissionais de línguas e também levar as informações produzidas pelos poderes às pessoas surdas.
“Antes delas [leis], a nossa profissão não era legalizada. O trabalho era mais informal. Não tínhamos cursos e formação continuada. Com as leis, a nossa profissão acaba tendo mais visibilidade”, disse Larúbia de Gualberto.
Na TVAL, o trabalho prestado pelas quatro profissionais de Libras é de 30 horas semanais. Em cada evento, duas delas participam da tradução da língua portuguesa para a língua de sinais, ficando na janela por 20 minutos. Elas fazem ainda a tradução das informações veiculadas pelas mídias sociais (Instagram). O revezamento, segundo Larúbia Gualberto, é feito para que as intérpretes tenham um descanso físico e mental.
“A mente cansa muito porque passa de uma língua para outra (língua portuguesa para a de sinais – surdo e mudo). Isso cansa bastante porque a estrutura gramatical é diferente. Você ouve em português, pensa e passa para Libras. Trabalhamos em pé, o corpo e o braço cansam, se passarmos do tempo de trabalho podemos contrair a doença de lesão por esforço repetitivo”, explicou Gualberto.
A torcida dela, depois da lei que regulamentou a profissão pelo governo do estado, é para a realização de concurso público para os intérpretes de Libras. “É muito escassa a atuação dos profissionais nas escolas públicas. Muitas vezes, as aulas começam sem a presença dos profissionais em sala de aula. Em muitos casos, elas (as escolas) ficam um mês sem intérpretes em sala de aula. Isso é uma falha muito grande por parte do Estado”, disse Gualberto.
Em outra ação inclusiva, a Assembleia Legislativa aprovou e o Governo do Estado sancionou, em 10 de janeiro de 2023, a Lei nº 11.998. Essa norma, de autoria do presidente Eduardo Botelho (União Brasil), assegura às pessoas com deficiência auditiva o direito de atendimento por tradutor ou intérprete de Libras nas unidades do Ganha Tempo de todo o Estado de Mato Grosso.
Em Mato Grosso, o exercício profissional e as condições de trabalho do tradutor, guia-intérprete e intérprete de Libras estão regulamentados. A garantia está assegurada na Lei nº 12.157, de 19 de junho de 2023, de autoria do deputado Max Rússi (PSB). O texto determina que a duração do trabalho dos profissionais seja de seis horas diárias ou de 30 horas semanais.
De acordo com a Lei, o trabalho de tradução e interpretação superior a uma hora de duração deve ser realizado em regime de revezamento, com, no mínimo, dois profissionais, conforme a Lei Federal nº 12.319/2010. Na AL, durante as atividades parlamentares, o revezamento se dá a cada 20 minutos.
Em nível de Estado, a Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc-MT) criou a Central de Interpretação de Libras. A unidade especializada realiza atendimento ao público com surdez a partir de agendamento, exceto quando se trata de um caso de urgência.
A Central atende pessoas surdas de forma presencial e via Web que moram na capital e em Várzea Grande e também as que residem no interior do Estado, mas, nesse caso, somente via WhatsApp com o acompanhamento online.
Serviço por agendamento
A Central de Interpretação de Libras localiza-se no fundo do Procon, avenida General Valle, Bairro Bandeirantes, em Cuiabá. O atendimento é de segunda-feira a sexta-feira, das 7h às 18h. Para ter acesso ao serviço basta agendar o atendimento nos seguintes contatos: (65) 99237-4282, 99241-3833, 98433-0372, 99237-5143 ou 98462-6876.
Secretaria de Comunicação Social
Política
Expedição Justiça Sem Fronteiras marca recomeços com divórcio e casamento em Palmarito

A 2ª edição da Expedição Justiça Sem Fronteiras transformou histórias e realizou sonhos na comunidade de Palmarito, em Vila Bela da Santíssima Trindade (594 km de Cuiabá).
Enquanto a dona de casa Juscilene Massaré, de 48 anos, conseguiu oficializar o divórcio que aguardava há dois anos, o casal Edalina Tomicha e Cornelho Neto deu entrada no casamento civil após cerca de 30 anos de convivência.
Promovida pelo Poder Judiciário de Mato Grosso (PJMT), por meio da Justiça Comunitária, a Expedição Justiça Sem Fronteiras leva serviços de cidadania, orientação jurídica e acesso à Justiça para comunidades localizadas na faixa de fronteira entre Brasil e Bolívia.
Um novo começo

“Assim que ele saiu de casa eu já queria resolver isso, mas não foi possível. Eu trabalhava muito, tinha meu filho menor para cuidar e não tinha condições de viajar. Eu ficava muito triste com essa situação. Então, conseguir resolver isso hoje é só felicidade”, afirmou.
A assessora de gabinete Juliana de Paula relata que a conciliação permitiu resolver rapidamente uma situação que poderia levar meses para ser concluída. “Ela nos procurou informando que já estava separada de fato há dois anos e que o ex-cônjuge concordava com o divórcio. Como ele não estava presente, realizamos uma audiência por videoconferência com a participação do magistrado e do defensor público. Em menos de uma hora conseguimos resolver uma situação que poderia levar meses para ser concluída”, detalhou.
O sonho do casamento
Se para Juscilene o momento representou o encerramento de um ciclo, para Edalina Tomicha e Cornelho Neto simbolizou a realização de um sonho antigo. Moradores da comunidade, eles aproveitaram a passagem da expedição por Palmarito para dar entrada na habilitação do casamento civil.
“Nós somos moradores daqui e, quando ficamos sabendo dos atendimentos, viemos. Eu me sinto muito feliz. Faz muito tempo que ele fala sobre nos casarmos no civil”, contou Edalina.
“Eu amo minha mulher e quero casar com ela. Essa oficialização tem um valor muito grande para nós”, completou Cornelho.

Próximas etapas
A programação da Expedição Justiça Sem Fronteiras segue para o distrito de Santa Clara de Monte Cristo, em Vila Bela da Santíssima Trindade, nos dias 14 e 15 de junho.
A última etapa será realizada no distrito de Vila Picada, em Porto Esperidião, nos dias 17 e 18 de junho.
Autor: Emily Magalhães
Fotografo: Josi Dias
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
-
Agricultura6 dias atrásClima extremo amplia perdas bilionárias no campo e pressiona sistema de seguros
-
Política5 dias atrásMotta destaca aprovação pela Câmara de acordos internacionais
-
Política6 dias atrásFórum de Feliz Natal abre edital para doação de bens móveis inservíveis
-
Política5 dias atrásPlínio defende autonomia do Banco Central e proteção ao Pix
-
Opinião6 dias atrásPF mira desembargador, deputado e advogado em operação contra venda de sentenças no TJMT
-
Política5 dias atrásCâmara aprova acordo de livre comércio entre Mercosul e o bloco europeu EFTA
-
Polícia6 dias atrásPolícia Civil autua homem em flagrante por homofobia, ameaça e perseguição em Cuiabá
-
Política6 dias atrásComissão aprova proposta que veda propaganda com apelo sexual em eventos esportivos

