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Polícia Civil fecha ano com 1.110 inquéritos concluídos de roubo e furto de veículos

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Da Redação

Trabalho investigativo da Polícia Civil resultou neste ano na restituição de 1.082 veículos produtos de furto e roubo e apreensão de outros 929, além da conclusão de 1.110 inquéritos remetidos à justiça em ações conduzidas pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos Automotores (Derrfva). Os números são referentes a ocorrências criminais registradas nas duas maiores cidades do estado, Cuiabá e Várzea Grande.

Os trabalhos investigativos da delegacia especializada, que coordenou 11 operações voltadas ao esclarecimento de crimes de roubos e furtos de veículos, resultaram também na instauração de 639 inquéritos policiais, prisões em flagrante de 92 pessoas e outras 50 presas por mandados; apreensão de 198 armas e 31 quilos de drogas.

Entre as ações desencadeadas pela Derrfva neste ano destacam-se a Operação Cartorium, que realizou diversas fases para efetivar as diligências de inquéritos policiais em trâmite ou finalizados, com foco em crimes de roubos de veículos na região metropolitana. Em uma das fases, ocorrida em outubro, equipes da delegacia cumpriram mandados de prisão contra suspeitos identificados pela prática de roubo majorado. Entre os presos estava um casal investigado pela prática por roubo tendo como alvos motoristas de aplicativos, na região de Várzea Grande. O homem já estava preso na Penitenciária Central do Estado e coordenava as ações com a esposa de dentro da unidade prisional.
 

Apáte

 Deflagrada em agosto, a operação Apáte cumpriu mandados de busca e apreensão contra uma associação criminosa especializada em fraudes contra seguradoras de veículos. A ação resultou na apreensão de quatro veículos, sendo três caminhonetes e uma motocicleta, além de uma pessoa presa em flagrante pelo crime de receptação.

A investigação da delegacia investigou crimes de estelionato, receptação, uso de documento falso, adulteração de sinal identificador de veículo e comunicação falsa de crime. As investigações iniciaram com intuito de coibir crimes efetuados pela organização criminosa, especializada em fraudar seguradoras. Segundo as investigações, o grupo simulava crimes de roubos e furtos, percebendo remuneração ilícita do valor do contrato de seguro, adulterando posteriormente os veículos (dublê).

Fábrica de documentos falsos

Em fevereiro, investigação da Derrfva resultou nas prisões de integrantes de uma organização criminosa que atuava no comércio, adulteração de veículos e documentos públicos. O grupo criminoso agia a mando de presos da Penitenciária Central do Estado e com eles foram encontradas dezenas de cédulas de documentos de veículos, a maioria em branco; placas de veículos, notebooks, cartões de bancos, fotos avulsas 3×4, cédulas de identidades e de carteira de CNH, além de 30 quilos de maconha e ferramentas usadas para falsificação de documentos públicos que eram usados para “esquentar” veículos e na aplicação de golpes diversos.

A quadrilha atuava em roubos de veículos, em especial, caminhonetes, que eram adulteradas e atravessadas para a Bolívia, retornando ao Brasil na forma de entorpecentes, que por sua vez, seguiam para distribuição em pontos de drogas (bocas de fumo) da Grande Cuiabá.

Rentallis

A operação deflagrada em agosto deste ano teve objetivo de combater uma associação criminosa especializada na subtração de veículos de empresas locadoras e no encaminhamento dos automóveis à Bolívia, bem como reprimir a lavagem de dinheiro e valores auferidos com as atividades ilícitas.

Segundo as investigações da Derrfva, os envolvidos firmavam contratos de locações de veículos junto a empresas do ramo, e após subtraírem os automóveis, conduziam os veículos para entrega a criminosos na Bolívia. Em Mato Grosso, a maioria dos veículos  furtados pelos criminosos era camionetes, dos modelos Hilux e Amarok, por exemplo.

Em uma das ações da quadrilha, os envolvidos tentaram furtar um automóvel Mercedez Benz, avaliado em R$ 150 mil reais, que seria levado para a Bolívia, mas foi recuperado a tempo na cidade de Cáceres. As investigações apontam que a associação criminosa atuava nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rondônia.

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Debate aponta problemas enfrentados por pacientes com insuficiência adrenal

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Dificuldade no diagnóstico precoce, limitações ao acesso a exames, escassez de hidrocortisona e de kits de urgência nas redes de atendimento são alguns dos problemas enfrentados por quem sofre de insuficiência adrenal no Brasil. O tema foi debatido em audiência pública conjunta das comissões de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, nesta quinta-feira (13).

Médicos, pacientes e associações representativas discutiram as políticas públicas do país para essa condição rara, em que as glândulas adrenais — localizadas acima dos rins — não produzem em quantidade suficiente hormônios como o cortisol, que regula o metabolismo, a resposta ao estresse e a pressão arterial. Também foi abordado o câncer adrenocortical, tumor maligno raro que se origina no córtex, camada externa dessas glândulas.

A insuficiência adrenal é potencialmente fatal quando não diagnosticada e tratada de forma adequada. Ela causa, entre outros problemas, fraqueza, cansaço extremo, pressão baixa e perda de peso.

Damares Alves (Republicanos-DF), autora do requerimento para realização da audiência, destacou que, apesar da gravidade dessa condição, os pacientes enfrentam importantes barreiras no Sistema Único de Saúde (SUS). Na abertura dos trabalhos, a senadora e presidente da CDH ressaltou a importância da reunião conjunta para enfrentar os desafios.

— Em doenças raras, os números podem ser pequenos quando observamos cada diagnóstico isoladamente, mas nenhum número é pequeno quando representa uma pessoa aguardando o tratamento — observou.

“Medicamentos órfãos”

O coordenador-geral de Doenças Raras do Ministério da Saúde, Natan Monsores de Sá, apontou os entraves enfrentados pela gestão pública em relação aos “medicamentos órfãos”, drogas essenciais para doenças raras que deixaram de ser produzidas pela indústria farmacêutica.

— Daí a importância de, junto com o Senado, a gente fortalecer, mediante orçamento e iniciativas legislativas, o nosso complexo industrial, para que esses produtos possam ser fabricados aqui no Brasil — afirmou.

Câncer

A médica endocrinologista Maria Cândida Barisson Villares Fragoso, especialista do Instituto do Câncer do Hospital das Clínicas de São Paulo, alertou para a incidência da síndrome de Li-Fraumeni, que gera predisposição a tumores do córtex adrenal.

— No Brasil, há uma situação específica de uma alta incidência de tumor adrenal pediátrico, em que se tem uma mutação ou uma variante patogênica específica desse gene, principalmente nas regiões Sul e Sudeste do país — alertou.

Renata Santarém de Oliveira, endocrinologista pediatra representando a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), falou sobre a desigualdade no acompanhamento dos pacientes infantis. Segundo ela, aqueles com condições financeiras conseguem obter hidrocortisona, principal medicamento para a condição, enquanto os sem recursos acabam usando medicamentos de segunda linha, com efeitos negativos no crescimento, na puberdade e no metabolismo.

— É inaceitável. É uma medicação barata. Se a gente for resolutivo e falar com quem deve falar, consegue resolver. É preciso vontade política, é preciso falar com os gestores certos, porque é muito fácil conseguir essa medicação. Os pacientes não podem esperar mais — advertiu.

A palavra dos pacientes

Em seguida, falaram representantes dos pacientes. Adriana Lúcia Wendt Fadel, presidente da Associação Brasileira Addisoniana (ABA) – o nome vem da Doença de Addison, forma de insuficiência adrenal descrita pelo médico britânico Thomas Addison no século 19 – , compartilhou sua experiência. Cobrou agilidade no diagnóstico e o fornecimento regular das formas oral e injetável da hidrocortisona. 

— Ter acesso à hidrocortisona adequada não é luxo, não é privilégio: é uma questão de vida ou morte — concluiu.

Segundo Adriana Santiago, vice-presidente da ABA, a hidrocortisona não desperta interesse da indústria farmacêutica.

— Tem no mundo inteiro, menos no Brasil. Até a Venezuela, com todo o caos que atravessa, tem a hidrocortisona. E por que o Brasil não tem? Porque é um remédio extremamente barato. Custa R$ 0,36 o comprimido. Qual é o preço de uma vida? — denunciou.

A advogada e sobrevivente de câncer adrenal Cheryl Berno apresentou uma pauta de reivindicações: a compra e distribuição centralizada do medicamento mitotano pela União; a reformulação do Estatuto da Pessoa com Câncer para prever punições a gestores omissos; a ampliação do acesso a testes genéticos e exames no SUS; a criação de uma rede de intercâmbio técnico entre médicos especialistas; e a obrigatoriedade de notificação dos casos para a construção de um banco de dados nacional.

— Eu entendi, na pele, na prática e na minha vida, que a burocracia mata. Porque essas pessoas não estão morrendo só porque tiveram câncer: estão morrendo porque não tiveram a oportunidade do diagnóstico precoce, porque não tiveram informação — lamentou.

Hemoglobinúria

Na mesma audiência pública, também foi discutido o tratamento da hemoglobinúria paroxística noturna (HPN), doença rara do sangue que pode causar anemia, tromboses e fadiga intensa.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado



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