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Neri Geller é citado em áudios que tratavam de supostos pagamentos de propina

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Da Redação

O ex-ministro da Agricultura do governo Dilma Rouseff (PT) e atual deputado federal por Mato Grosso, Neri Geller (PP), teve seu nome citado em interceptações telefônicas nas quais tratavam de supostos pagamentos de propina do grupo J&F, dona da JBS que chegam a R$ 6,5 milhões. Os valores seriam destinados para o Partido dos Trabalhadores, porém ainda está sendo investigado pela Polícia Federal (PF).

O Jornal da Record divulgou trechos de interceptações telefônicas, nas quais foram autorizadas pela Justiça e fazem parte da Operação Capitu, que investiga pagamentos de propinas em troca de favores.

De acordo com a matéria, os diálogos aconteceram um mês depois do segundo turno das eleições de 2014, o nome do deputado mato-grossense é citado em duas gravações. A primeira delas é entre Ricardo Saud, que na época era executivo da J&F e o então coordenador financeiro da campanha da ex-presidente Dilma Rousseff, Edinho Silva. Na gravação, Edinho pede para Ricardo procurar Manoel Sobrinho que é apontado pela PF como sendo o braço direito de Edinho, o assunto tratado seria sobre algumas mudanças.

Edinho: O Manoel vai te passar as orientações, certinho.

Ricardo: Ah, eu já sei então, ele falou que tá tudo certo?

Edinho: Não, mas aquele que o Manoel passou é, tem uma mudança, é …

Ricardo: Eu sei da mudança, então tá bom, eu vou ligar para ele agora.

Edinho: É, é uma mudança e o negócio lá de Mato Grosso, você conversa com o Neri, tá?

Ricardo: Do Mato Grosso? Ah, é? Liga pra ele?

Edinho: É.

A segunda ligação na qual o Geller é citado, é entre Manoel Sobrinho e Ricardo Saud, na ligação, Sobrinho confirma para Ricardo que “meio” continua para Mato Grosso.

Manoel: Na verdade, eu tinha te falado que era uma de Minas, não é. É um e meio.

Ricardo: Ah tá. E o meio do Mato Grosso continua?

Manoel: Isso.

Conforme a reportagem, a Polícia Federal investiga a origem do dinheiro e como e pra que foi utilizado e se foi declarado como doação de campanha eleitoral.

Operação Capitu 

O deputado federal Neri Geller, foi preso pela Polícia Federal no ano passado após a Operação Capitu ser deflagrada.

A operação é um desdobramento da Operação Lava Jato e investiga um susposto esquema de corrupção que funcionava dento do Ministério da Agricultura nos anos de 2014 e 2015. Geller está sendo apontado pelas investigações, como recebedor de R$ 250 mil de propinas em troca de vantagens para o grupo J&f.

Foto: Câmara dos Deputados

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Presidente da Câmara renuncia ao mandato e diz que política é “frustrante”

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O presidente da Câmara Municipal de Ipiranga do Norte (MT), Celso da Conceição (Republicanos), renunciou ao mandato de vereador e encerrou sua passagem pelo Legislativo municipal com um desabafo sobre os desafios da vida política. Em discurso de despedida, ele classificou a atividade como “frustrante” e defendeu a atuação dos políticos do município.

A saída foi oficializada no último dia 6, um dia depois de Celso presidir sua última sessão ordinária. Durante o pronunciamento, o parlamentar não detalhou os motivos da decisão e afirmou que se trata de uma escolha pessoal. Informações divulgadas pela imprensa local apontam que ele teria recebido uma proposta de emprego, mas a motivação não foi confirmada oficialmente pelo vereador.

Ao falar sobre a decisão, Celso ressaltou que cada pessoa precisa avaliar o que considera melhor para a própria vida.

“Às vezes, quem está de fora vê que está muito bom e acha que alguma coisa deveria estar melhor, que, se fosse eu, não fazia assim, fazia assado. Mas cada um é dono da sua vida e acredita naquilo que é melhor para si. E é isso que eu estou fazendo, né? Com fé em Deus, vai estar tudo certo”, declarou.

O vereador também demonstrou insatisfação com a imagem da classe política perante a sociedade. Para ele, o trabalho realizado por representantes públicos nem sempre é reconhecido, e a população tende a generalizar críticas sobre a conduta dos políticos.

“Realmente é frustrante, muito frustrante, porque a gente se dedica tanto e, infelizmente, o nosso país é olhado só como que político nenhum, parece que todos os políticos roubam, que todo político é aquilo”, afirmou.

Na sequência, Celso defendeu os colegas de Ipiranga do Norte e disse acreditar que o cenário nacional seria diferente se a atuação política no país seguisse o exemplo que, segundo ele, existe no município.

“Mas eu volto a dizer: se todos os políticos do nosso país fossem iguais aos políticos de Ipiranga do Norte, o nosso país era outro”, completou.

Eleito em 2024 com 307 votos, Celso esteve à frente da Câmara durante o biênio 2025-2026. Sua renúncia provocou mudanças na composição do Legislativo: o vice-presidente, Cleonaldo Araujo França, assumiu a presidência e permanecerá no cargo até o encerramento do atual período da Mesa Diretora.

Com a saída de Celso, o primeiro suplente do Republicanos, Neto da Farmácia, deverá assumir a cadeira de vereador. Ele recebeu 152 votos nas eleições municipais de 2024.

A renúncia encerra antecipadamente o mandato de Celso, que se despediu dos colegas com agradecimentos pela experiência no Legislativo. Apesar das críticas à percepção pública sobre a política, ele destacou a importância da trajetória vivida na Câmara e deixou a função afirmando ter gratidão pelo período em que exerceu o cargo.



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