ELEIÇÕES 2024
ELEIÇÃO HISTÓRICA FLÁVIA MORETTI E TIÃO DA ZAELLI SÃO ELEITOS EM VÁRZEA GRANDE
A diferença de 7.755 votos marcou uma derrota surpreendente para o atual prefeito, que contou com o apoio de figuras influentes, como o senador Jayme Campos (União Brasil), e acreditou em uma reeleição tranquila.
Política
Neste domingo (6), Flávia Moretti (PL), advogada e estreante na política, foi eleita prefeita de Várzea Grande. A vitória veio com 50,54% dos votos válidos, totalizando 68.760 votos, e pós fim à tentativa de reeleição de Kalil Baracat (MDB), que obteve 44,84% (61.005 votos). A diferença de 7.755 votos marcou uma derrota surpreendente para o atual prefeito, que contou com o apoio de figuras influentes, como o senador Jayme Campos (União Brasil), e acreditou em uma reeleição tranquila.
Com a totalização das urnas, ficou claro que a eleição de Flávia Moretti representa não apenas a escolha de uma nova liderança, mas também o fim de uma hegemonia política que há décadas domina a cidade. Ao lado do vice-prefeito Tião da Zaelli (PL), ex-prefeito e empresário, Moretti encerra o ciclo de domínio dos irmãos Júlio e Jayme Campos, que por anos controlaram o cenário político de Várzea Grande. A eleição de 2024 foi, sem dúvida, uma virada significativa no cenário político local.
A Virada Eleitoral
Durante toda a campanha, Moretti se manteve em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, atrás de Kalil Baracat, que foi apontado como favorito à reeleição. As pesquisas, que indicaram uma vitória tranquila para o atual prefeito, falharam em prever a virada da última hora. O apoio que Kalil Baracat recebeu de figuras políticas influentes, como o senador Jayme Campos, não foi suficiente para garantir sua reeleição.
Flávia Moretti foi capaz de mobilizar o eleitorado ao pautar sua campanha em questões críticas para a cidade, como a crônica falta de água, que aflige Várzea Grande há anos. Ao longo do pleito, ela denunciou desvios e supostos esquemas de corrupção no Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG), comprometendo-se a privatizar a autarquia para modernizar e melhorar o sistema de abastecimento de água. Sua postura combativa em relação ao DAE-VG encontrou eco entre os participantes insatisfeitos com os serviços públicos oferecidos na cidade.
A professora Leliane Borges (PT) terminou a eleição em terceiro lugar, com 4,15% dos votos (5.646), e Milton Oliveira, conhecido como “Miltão” (PSOL), obteve apenas 0,47% (648), ficando em último lugar.
Apoio Bolsonarista e Aliança com o Conservadorismo
Um dos fatores que impulsionou a candidatura de Flávia Moretti foi seu alinhamento com o bolsonarismo. Durante a campanha, ela trouxe para Várzea Grande nomes de peso ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), incluindo o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o influente parlamentar Nikolas Ferreira (PL). O próprio Bolsonaro também participou de atos de apoio à candidatura. Essa aliança reforçou o apoio de representantes conservadores e foi um trunfo decisivo em uma cidade que tem deixado pistas com o conservadorismo político.
A ligação de Moretti com o ex-presidente e seus aliados reforçou a imagem da advogada como uma candidatura forte, com apoio de figuras nacionais, e ajudou a promover sua campanha em um cenário inicialmente desfavorável.
Quem é Flávia Moretti?
Flávia Moretti, de 49 anos, é natural de Ribeirão Preto, São Paulo, mas mudou-se para Cuiabá em 1985 e vive em Várzea Grande há 21 anos. Casada e mãe de um filho, Moretti construiu uma carreira sólida como advogada, sendo reconhecido por sua atuação em diversas entidades de classe. Foi presidente da OAB-Várzea Grande e atualmente preside o PL Mulher na cidade. Sua trajetória também inclui participação em organizações como BPW (Business Professional Women), IAMAT (Instituto dos Advogados Mato-grossenses) e ABA (Associação Brasileira de Advogados).
Sua entrada na política foi uma surpresa para muitos, mas rapidamente foi destacada pela capacidade de articulação e pelo apoio que conseguiu reunir entre grupos conservadores e lideranças locais.
Desafios de Governabilidade
Flávia Moretti enfrentará desafios significativos em sua gestão, especialmente em relação à governabilidade. Dos 23 vereadores eleitos para a Câmara Municipal de Várzea Grande, apenas três fazem parte de sua base de apoio. Isso significa que a nova prefeita precisará negociar e construir pontes com uma oposição majoritária, composta em sua maioria por aliados do ex-prefeito Kalil Baracat.
Em suas primeiras declarações após a vitória, Moretti enfatizou a necessidade de diálogo com os vereadores, destacando que espera que todos os eleitos, independentemente de sua filiação partidária, trabalhem juntos pelo bem da cidade. “Se o vereador prometeu saúde, ele vai ter que entender que, se eu fizer um projeto direcionado para a saúde, é para melhorar o sistema de saúde pública. Se ele prometeu melhorias no abastecimento de água, terá que sentar com a prefeitura e acompanhar os projetos que visam resolver esse problema”, afirmou a nova prefeita, mostrando disposição para o diálogo.
A prefeita eleição também destacou que o período de transição será fundamental para alinhar expectativas e estabelecer uma relação de trabalho com os vereadores. Ela espera que essa colaboração seja crucial para a governabilidade e o desenvolvimento de Várzea Grande.
Expectativas para o Futuro
Além dos desafios políticos, Flávia Moretti enfrentará questões complexas na gestão da cidade, como a crise no abastecimento de água, um problema histórico que foi central em sua campanha. A escolha prefeita já se compromete a priorizar a privatização do DAE-VG como uma solução para modernizar o sistema de distribuição de água e resolver as falhas no serviço que afetam a população.
Outros desafios incluem a melhoria dos serviços de saúde e o enfrentamento das dificuldades orçamentárias que Várzea Grande, assim como muitas cidades brasileiras, enfrentam. A nova prefeita já indicou que buscará parcerias com os governos estaduais e federais para garantir recursos e investimentos em áreas prioritárias, como infraestrutura, saúde e saneamento básico.
Um Novo Ciclo Político
A eleição de Flávia Moretti marca o início de um novo ciclo político em Várzea Grande. A cidade, que por anos foi dominada pela influência da família Campos, agora será governada por uma figura que promete mudanças e renovação. A vitória de Moretti reflete o desejo de parte da população por uma nova liderança e por soluções concretas para os problemas que há tempos afligem os moradores.
Nos próximos meses, o foco será na formação da equipe de transição e nas primeiras medidas que serão adotadas pela nova administração. Com desafios à frente, mas também com grande expectativa por parte da população, a gestão de Flávia Moretti será acompanhada de perto por aqueles que esperam ver uma cidade mais moderna, eficiente e com melhores serviços públicos.
Política
Projeto permite que cooperativas de energia ampliem área de atuação
O Projeto de Lei 367/26 permite que cooperativas que atuem como autorizadas na distribuição de energia elétrica solicitem à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a mudança para a categoria de permissionárias de serviço público. A alteração poderá ampliar a área e o tipo de consumidores atendidos por essas cooperativas. A proposta está em análise na Câmara dos Deputados.
Hoje, as cooperativas sob o regime de autorizadas atendem consumidores em áreas rurais e não podem expandir sua atuação para áreas urbanas, mesmo quando essas regiões crescem e passam por mudanças econômicas e populacionais.
O autor do projeto, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), afirma que as restrições atuais de operação “não condizem com a realidade das regiões atendidas”, pois impedem que as cooperativas acompanhem o crescimento de sua área de atuação e comprometem a sustentabilidade do modelo cooperativista.
Segundo o deputado, a mudança também permitirá tratamento regulatório mais equilibrado entre cooperativas que exercem funções semelhantes no setor elétrico, mantendo a competência da Aneel para avaliar cada pedido.
Próximos passos
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Minas e Energia; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.
Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Roberto Seabra
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