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Eleição da PGR: como funciona e é composta a lista tríplice?

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Presidente não é obrigado a indicar alguém da lista, mas os últimos oito mandatos foram preenchidos por procuradores indicados pela votação da categoria

 

Da Redação

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) divulga nesta terça-feira, 18, os nomes escolhidos para compor a lista tríplice que será encaminhada ao presidente Jair Bolsonaro para a escolha do novo Procurador-Geral da República (PGR), cargo mais alto do Ministério Público Federal (MPF).

Desde 2001, a lista tríplice é escolhida em votação promovida pela ANPR e representa os nomes preferidos da categoria para o cargo. A lista então é apresentada ao presidente, que tradicionalmente escolhe dali o nome a ser sabatinado pelo Senado Federal antes de assumir o mandato de dois anos à frente da Procuradoria-geral da República(PGR). O mandato é dois anos. Até 2001, a escolha do presidente era feita de forma livre, como ocorre, por exemplo, com os membros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Tradição da lista tríplice

O chefe do Executivo não é obrigado a indicar alguém da lista tríplice, mas desde 2003 essa tem sido a tradição. O ato é visto como uma forma de dar legitimidade junto à categoria ao futuro Procurador-chefe da República, segundo o jurista e professor de Direito da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, Tércio Sampaio Ferraz Jr.

“A lista serve para dar legitimidade, principalmente interna. Desde 2003, a lista é seguida pelo presidente. Ele até pode quebrar a tradição, depende da avaliação política dele. Obviamente, isso pode gerar reações da categoria”, afirma. Para concorrer à lista tríplice, um integrante do Ministério Público deve ter ao menos 35 anos de idade e estar na ativa.

Apenas na primeira edição, em 2001, não foi escolhido alguém da lista tríplice para a PGR. Naquela ocasião, o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) reconduziu Geraldo Brindeiro ao segundo mandato à frente PGR mesmo ele não estando entre os nomes da lista da ANPR. Em 2017, Michel Temer quebrou a tradição de escolher o mais votado da lista e indicou Raquel Dodge, a segunda mais votada na ocasião.

Raquel não se inscreveu para concorrer à eleição. Isso, contudo, não a impede de conseguir um novo mandato pela ‘via direta’ do Palácio do Planalto. Internamente, procuradores comentam que a procuradora-geral se movimenta para um segundo mandato sem concorrer pela lista tríplice.

Segundo a ANPR, responsável pela votação da lista, “para os procuradores da República, o prestígio da Lista Tríplice é um passo político importante dentro da instituição por conferir caráter democrático à escolha do Procurador-Geral da República”.

As últimas listas tríplices e os escolhidos para a Procuradoria-Geral da República:

  • 2001

Os subprocuradores-gerais da República Antonio Fernando Barros e Silva de Souza (184 votos), Cláudio Fonteles (123 votos) e Ela Wiecko de Castilho (103 votos) foram os escolhidos. No entanto, neste ano o então presidente Fernando Henrique Cardoso indicou o procurador-geral Geraldo Brindeiro, ausente da lista, para um segundo mandato à frente da PGR.

  • 2003

Foram escolhidos os subprocuradores-gerais da República Cláudio Lemos Fonteles (297 votos), Antonio Fernando Barros e Silva de Souza (212) e Ela Wiecko Volkmer de Castilho (201). Lula indicou Fonteles, o mais votado.

  • 2005

Lula novamente escolhe o mais votado da lista tríplice. Antonio Fernando Barros e Silva de Souza (378 votos), Wagner Gonçalves (237) e Ela Wiecko Volkmer de Castilho (225) foram os integrantes.

  • 2007

Antonio Fernando Barros e Silva de Souza é reconduzido ao cargo após ser novamente o mais votado pela categoria. Wagner Gonçalves e Roberto Monteiro Gurgel foram os outros candidatos.

  • 2009

O subprocurador da República Roberto Monteiro Gurgel Santos (482 votos) é o mais votado e indicado por Lula. Wagner Gonçalves (429) e Ela Wiecko Volkmer de Castilho (261) foram os outros candidatos.

  • 2011

Roberto Monteiro Gurgel Santos é novamente o mais votado (450 votos) e é escolhido para o seu segundo mandato pela presidente Dilma Rousseff. Os outros candidatos foram Rodrigo Janot Monteiro De Barros (347) e Ela Wiecko Volkmer de Castilho (261).

  • 2013

Votação elege Rodrigo Janot como o mais votado (511 votos) e o subprocurador-geral é escolhido para o cargo. Ela Wiecko Volkmer de Castilho (457) e Deborah Macedo Duprat de Britto Pereira (445) foram os outros postulantes.

  • 2015

Rodrigo Janot é reconduzido à PGR depois de obter 799 votos. Os outros escolhidos para a lista tríplice foram Mario Luiz Bonsaglia (462) e Raquel Elias Ferreira Dodge (402).

  • 2017

Pela primeira vez o presidente da República, à época Michel Temer, escolhe alguém que não foi o mais votado da lista tríplice. Raquel Dodge obteve 587 votos contra 621 votos de Nicolao Dino de Castro e Costa Neto e 564 de Mario Luiz Bonsaglia e foi a escolhida.

Quem são os candidatos à lista tríplice deste ano?

  • O ex-presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, José Robalinho Cavalcanti;
  • O procurador regional Lauro Cardoso, paraquedista do Exército e secretário-geral do Ministério Público da União;
  • Vladimir Aras, procurador regional;
  • Blal Dalloul, secretário-geral na gestão do ex-procurador-geral Rodrigo Janot;
  • O ex-vice da gestão Janot, José Bonifácio da Andrada;
  • A subprocuradora-geral Luiza Cristina Frischeisen;
  • O subprocurador-geral Mário Luiz Bonsaglia;
  • Paulo Eduardo Bueno
  • Antonio Carlos Fonseca Silva;
  • Nívio de Freitas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,eleicao-da-pgr-como-funciona-e-e-composta-a-lista-triplice,70002878993

Foto: João Américo/Secom/PGR

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Presidente da Câmara renuncia ao mandato e diz que política é “frustrante”

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O presidente da Câmara Municipal de Ipiranga do Norte (MT), Celso da Conceição (Republicanos), renunciou ao mandato de vereador e encerrou sua passagem pelo Legislativo municipal com um desabafo sobre os desafios da vida política. Em discurso de despedida, ele classificou a atividade como “frustrante” e defendeu a atuação dos políticos do município.

A saída foi oficializada no último dia 6, um dia depois de Celso presidir sua última sessão ordinária. Durante o pronunciamento, o parlamentar não detalhou os motivos da decisão e afirmou que se trata de uma escolha pessoal. Informações divulgadas pela imprensa local apontam que ele teria recebido uma proposta de emprego, mas a motivação não foi confirmada oficialmente pelo vereador.

Ao falar sobre a decisão, Celso ressaltou que cada pessoa precisa avaliar o que considera melhor para a própria vida.

“Às vezes, quem está de fora vê que está muito bom e acha que alguma coisa deveria estar melhor, que, se fosse eu, não fazia assim, fazia assado. Mas cada um é dono da sua vida e acredita naquilo que é melhor para si. E é isso que eu estou fazendo, né? Com fé em Deus, vai estar tudo certo”, declarou.

O vereador também demonstrou insatisfação com a imagem da classe política perante a sociedade. Para ele, o trabalho realizado por representantes públicos nem sempre é reconhecido, e a população tende a generalizar críticas sobre a conduta dos políticos.

“Realmente é frustrante, muito frustrante, porque a gente se dedica tanto e, infelizmente, o nosso país é olhado só como que político nenhum, parece que todos os políticos roubam, que todo político é aquilo”, afirmou.

Na sequência, Celso defendeu os colegas de Ipiranga do Norte e disse acreditar que o cenário nacional seria diferente se a atuação política no país seguisse o exemplo que, segundo ele, existe no município.

“Mas eu volto a dizer: se todos os políticos do nosso país fossem iguais aos políticos de Ipiranga do Norte, o nosso país era outro”, completou.

Eleito em 2024 com 307 votos, Celso esteve à frente da Câmara durante o biênio 2025-2026. Sua renúncia provocou mudanças na composição do Legislativo: o vice-presidente, Cleonaldo Araujo França, assumiu a presidência e permanecerá no cargo até o encerramento do atual período da Mesa Diretora.

Com a saída de Celso, o primeiro suplente do Republicanos, Neto da Farmácia, deverá assumir a cadeira de vereador. Ele recebeu 152 votos nas eleições municipais de 2024.

A renúncia encerra antecipadamente o mandato de Celso, que se despediu dos colegas com agradecimentos pela experiência no Legislativo. Apesar das críticas à percepção pública sobre a política, ele destacou a importância da trajetória vivida na Câmara e deixou a função afirmando ter gratidão pelo período em que exerceu o cargo.



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