Política
Começa hoje mutirão fiscal em Várzea Grande com 100% de descontos em juros e multas
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CORREGEDORIA GERAL DA JUSTIÇA DE MATO GROSSO E PREFEITURA MUNICIPAL SE UNEM PARA AJUDAR A POPULAÇÃO A NEGOCIAREM SUAS DIVIDAS E TEREM CONDIÇÕES DE PAGAR SEUS COMPROMISSOS.
Da Redação
A Corregedoria Geral da Justiça de Mato Grosso e a Prefeitura de Várzea Grande iniciam hoje, 16 de outubro, até o dia 1o de novembro, o Mutirão Fiscal 2017 que pretende recuperar os impostos, taxas, contribuições que deixaram de ser recolhidas aos cofres do Tesouro Municipal.
Os principais impostos devidos ao município são IPTU – Imposto Predial e Territorial Urbano; ISSQN – Impostos Sobre Serviço de Qualquer Natureza e Alvará.
A novidade é que neste mutirão os AIIM – Auto de Infração de Imposição de Multa que pode incidir em até 100% para os contribuintes em atraso com o fisco municipal poderá ser quitado com desconto de 100%, ou seja, sem a incidência do mesmo.
Neste caso, se o contribuinte deve R$ 500 mil e recebeu um auto de infração, a divida foi elevada para R$ 1 milhão. Com o mutirão e os descontos ele quita o valor original da dívida, R$ 500 mil.
“Enquanto Poder Executivo Municipal temos obrigações de prestar um bom serviços públicos em benefício da população e isto tem custos que são recursos públicos que vem do pagamento de impostos e taxas, mas a nossa principal missão neste Mutirão Fiscal que é avalizado pelo Poder Judiciário através da Corregedoria Geral da Justiça de Mato Grosso, é criar uma relação mais próxima entre o poder público e o contribuinte para que ele sinta confiança de que ao recolher impostos e taxas ele assim como muitos serão beneficiados com uma saúde de qualidade, um ensino de nível, uma segurança presente, ações sociais que resgatem a confiabilidade do cidadão e obras que valorizem e beneficiem a todos”, disse a prefeita Lucimar Sacre de Campos.
Ela assegurou que dentro do montante arrecadado através do Mutirão Fiscal, a quase totalidade, descontadas as transferências obrigatórias, serão destinados para obras e ações voltadas para atender a população e melhorar sua qualidade de vida bem como tornar Várzea Grande mais atrativa.
O secretário de Governo, César Miranda, assinalou que toda uma estrutura foi montada para atender ao cidadão que vier a Prefeitura de Várzea Grande para quitar ou negociar suas dividas administrativa, ou seja, aquelas não inscritas em divida ativa ou na Procuradoria Geral do Município, que fica na Av. Arthur Bernardes, 1.399 – Bairro Planalto Ipiranga, a duas quadras da Prefeitura Municipal, para os créditos já ajuizados e que se encontram nas três Varas da Fazenda Pública e somam mais de R$ 77 milhões.
“A Administração Municipal está abrindo uma grande possibilidade dos contribuintes regularizarem sua situação com o Fisco Municipal, primeiro porque eles podem ter a certeza de que estes recursos serão todos aplicados em saúde, educação, segurança, social e obras, o que representa dizer que irão melhorar a qualidade de vida da população e segundo para não ficarem inadimplentes, pois a administração municipal, até mesmo por recomendação judicial vai negativar o nomes dos devedores e cobrar aquilo que lhe é devido”, frisou César Miranda.
Ele lembrou do muito que a prefeita Lucimar Sacre de Campos já realizou desde maio de 2015 quando chegou a administração municipal em todas as áreas. “Várzea Grande respira outros ares, pois a credibilidade da atual gestão tem sido atrativa para novos investidores o que aquece a economia local”, explicou César Miranda.
A procuradora geral de Várzea Grande, Sadora Xavier, lembrou que os entendimentos das mais altas cortes da Justiça são de que o poder público tem que executar seus devedores, ou seja, cobrá-los evitando o máximo o ingresso na Justiça, pois os processos judiciais são demorados e onerosos para todas as partes, procurando sempre a conciliação, o acordo.
Em média um processo de execução de divida, segundo o CNJ, leva em torno de 8 a 16 anos para terminar de ser cumprido o que eleva em muito o valor da dívida e acaba tornando a mesma praticamente impagável, por isso, da importância da conciliação, do acordo que será feito no Mutirão Fiscal para facilitar a vida para todos os envolvidos no processo.
“Todas as possibilidades de entendimento a administração em Várzea Grande vai ofertar para os contribuintes, seja, através de desconto nos juros e multas, parcelamento e até mesmo encontro de contas. Agora se mesmo assim não houver o interesse dos contribuintes em estar quites com a administração municipal, o primeiro passo será a negativação dos seus nomes nos órgãos de controle como SERASA, SPC e posteriormente a inscrição dos valores em dívida ativa e a remessa dos mesmos para a Justiça”, disse a procuradora de Várzea Grande, Sadora Xavier.
A corregedora geral de Justiça de Mato Grosso, desembargadora Maria Aparecida Ribeiro, frisou que após essa fase do entendimento, da conciliação que é uma recomendação do Conselho Nacional de Justiça – CNJ, o Tribunal de Justiça através da Corregedoria Geral da Justiça via as 3 Varas da Fazenda Pública de Várzea Grande vai iniciar um levantamento para acelerar, dentro dos prazos legais, as execuções e cobranças, bem como, outras medidas legais que podem ser penhora de imóveis para pagamento dos impostos devidos.
“O Mutirão Fiscal promove facilidades, pois o contribuinte inclusive vai ser atendido e verá quais as possibilidades de pagamento para que ele se planeje e possa cumprir com suas obrigações. Para o Poder Público Municipal de Várzea Grande fica a possibilidade ainda maior de continuar trabalhando e melhorando a qualidade de vida dos moradores de Várzea Grande com os recursos públicos arrecadados a partir dos esforços da Corregedoria Geral da Justiça de Mato Grosso e da Prefeitura Municipal de Várzea Grande”, disse a desembargadora e corregedora geral de Justiça, Maria Aparecida Ribeiro.
Política
Debate no Plenário aponta gargalos para expansão de energias renováveis
Para os especialistas reunidos em sessão de debate temático no Senado nesta terça-feira (11), o avanço das energias renováveis no Brasil enfrenta entraves operacionais e regulatórios significativos. Embora o país possua uma matriz elétrica majoritariamente de fontes limpas e abundância de recursos, diversos gargalos dificultam a expansão do setor.
Segundo os representantes do governo e do setor produtivo reunidos no Plenário, entre os gargalos estão a necessidade de expansão e modernização da rede de transmissão; a falta de regulamentação de alternativas como a energia eólica offshore e o hidrogênio verde; o desperdício de potencial de produção; e a dificuldade para definir uma tarifa que estimule investimentos sem onerar o consumidor.
Convocada por requerimento da Presidência da Casa e de outros senadores, a audiência sobre o papel do Brasil na transição energética global foi presidida pelo senador Laércio Oliveira (PP-SE). Ele destacou a urgência de alinhar o potencial natural do país às necessidades de infraestrutura, e a importância de assegurar a liderança brasileira no cenário internacional.
— Esse é um tema com o qual o presidente Davi Alcolumbre tem muito compromisso, num momento importante que o Brasil atravessa em termos de infraestrutura. Que a gente consiga convergir para o que, de fato, o Brasil precisa — afirmou Laércio Oliveira.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) alertou para o impacto tarifário na ponta final para o cidadão e o setor produtivo. Citando dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), segundo os quais 83% do setor industrial relata perda de competitividade devido ao custo da energia elétrica, a parlamentar advertiu contra subsídios distorcidos que elevam as tarifas, em comparação com concorrentes como China e Canadá.
— Nossa missão não é apenas gerar energia limpa, mas garantir energia barata, segura e geradora de riquezas para o povo brasileiro — enfatizou a senadora.
Inclusão social
O secretário nacional de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia (MME), João Daniel de Andrade Cascalho, apresentou instrumentos da estratégia do MME para equilibrar a expansão das energias renováveis, a segurança energética e a proteção tarifária ao consumidor. Entre eles estão os programas Luz do Povo e Luz para Todos; leilões de novas linhas de transmissão, ajudando a reduzir os cortes de geração; o incentivo a pequenas centrais hidrelétricas; e o estabelecimento de um teto para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), encargo cobrado na conta de luz para financiar o setor elétrico.
— O que a gente traz é uma transição energética justa e inclusiva, protegendo os mais pobres, garantindo segurança energética e fortalecendo o equilíbrio entre as fontes que nós temos no país — afirmou Cascalho.
O embaixador do Chile no Brasil, Issa Farid Kort Garriga, apresentou a situação da transição energética em seu país. Citou a comissão permanente conjunta entre Chile e Brasil para hidrogênio de baixas emissões, precificação de carbono e combustível sustentável de aviação, e defendeu a atuação conjunta dos dois países no Sistema de Integração Energética do Sul (Siesur).
— A transição energética não é apenas uma política ambiental. É uma política de desenvolvimento em termos de investimento, competitividade, integração e autonomia regional — concluiu o embaixador.
Thiago Ivanoski Teixeira, diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), instituição pública ligada diretamente ao Ministério de Minas e Energia e responsável por estudos de planejamento energético do país, apresentou dados históricos e projeções da matriz energética brasileira, com um aumento das fontes renováveis. Citou investimentos previstos de cerca de R$ 600 bilhões em transmissão e os desafios do planejamento diante de novas cargas previstas, como a criação de data centers.
— Se a gente estava falando em 90% de renovabilidade da matriz elétrica, o que a gente vê no planejamento oficial do governo para daqui a 30 anos é algo ainda maior, chegando muito próximo aos 99% — previu.
A líder regional para a América Latina da Global Renewables Alliance, Natalia Oliveira, destacou a meta global da aliança de triplicar a capacidade de geração de energia por meio de fontes renováveis, lembrando que 67% da energia gerada na América Latina advém de fontes renováveis. A Global Renewables Alliance reúne entidades internacionais do setor de energias renováveis.
— Nós temos um grande potencial de geração de eólica offshore a destravar. Temos um potencial imenso para produzir hidrogênio verde e adensar a nossa cadeia de valor para a indústria. Tudo isso depende apenas de regulamentação para se tornar realidade — argumentou.
Representantes dos produtores elogiaram a atuação do Congresso Nacional e cobraram avanços legislativos. A presidente-executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica) e vice-presidente do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC), Elbia da Silva Aparecida Gannoum, enfatizou o papel decisivo do Congresso Nacional na aprovação de legislações estruturantes, como o marco das eólicas offshore, sancionado em janeiro de 2025 (Lei 15.097, de 2025). Roberta Cox, diretora de políticas do GWEC para o Brasil cobrou a regulamentação da Lei 15.097. Camilla Fernandes, diretora da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), citou a Lei 15.269, de 2025, que modernizou o marco regulatório do setor elétrico, como um divisor de águas.
Desperdício
O chamado curtailment, quando uma usina de energia eólica ou solar é forçada a reduzir sua produção mesmo tendo capacidade para gerar energia, foi abordado por diversos debatedores. Heber Galarce, presidente do Instituto Nacional de Energia Limpa (Inel), citou perdas de até 40% da energia eólica/solar antes mesmo de ela ser transportada. O deputado federal Danilo Forte (PP-CE) relacionou os cortes recentes à falência de empresas no Nordeste. Rosana Santos, diretora-executiva do Instituto E+ Transição Energética, argumentou que o curtailment não é causado só pela falta de transmissão, mas por falhas de planejamento.
Glauco de Paula Freitas, presidente no Brasil da Hitachi, fabricante de equipamentos, manifestou preocupação com o dilema entre a intenção de proteger o consumidor com tarifas acessíveis e a necessidade de modernização das linhas de transmissão, bancada por essas mesmas tarifas; e com a qualidade de certos fornecedores de equipamentos, escolhidos, segundo ele, muitas vezes apenas por oferecerem prazo e custo mais baixos, sem histórico comprovado.
A vulnerabilidade do país foi um dos temas dominantes da sessão. Lieven Cooreman, CEO da Atlas Agro Brasil, alertou para a dependência brasileira de fertilizantes importados, evidenciada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, durante a guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel. Angela Livino, líder regional para o Brasil da Associação Internacional de Hidroeletricidade, defendeu o armazenamento hidráulico reversível como solução de segurança elétrica, citando os exemplos de China, Índia, Reino Unido e Portugal. A diretora-executiva da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), Fernanda Delgado de Jesus, sustentou que o país combina condições geopolíticas e energéticas privilegiadas para liderar a produção de hidrogênio verde, amônia, metanol e fertilizantes sustentáveis, sem dependência de rotas de navegação instáveis.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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