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Câmara cria Comenda Padre Cícero para reconhecer quem contribui com desenvolvimento do Nordeste

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A Câmara dos Deputados aprovou projeto de resolução que cria a Comenda Padre Cícero Romão Batista de Desenvolvimento Regional, a ser concedida aos que contribuem para o desenvolvimento do Nordeste. A proposta já foi promulgada.

O autor da proposta (PRC 34/26), deputado Luiz Gastão (PSD-CE), afirmou que a Câmara faz justiça a um “grande nordestino, desenvolvimentista para toda a região”. Segundo ele, a valorização do Nordeste é essencial para o cumprimento dos objetivos da República, entre eles a redução de desigualdades internas do país.

A relatora do projeto, deputada Fernanda Pessoa (PSD-CE), afirmou que é importante ressaltar ações e trabalhos realizados para o desenvolvimento social, econômico e cultural do Nordeste. “Padre Cícero foi responsável por tornar Juazeiro do Norte um município autônomo e contribuiu para o seu crescimento. O seu cuidado pastoral com os mais pobres, desvalidos e desamparados revelou também uma visão de empreendedor”, disse.

Diploma e solenidade
A homenagem será concedida pela Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia e pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados a pessoas ou instituições que tenham contribuído para o desenvolvimento social, econômico e cultural do Nordeste.

Uma sessão solene será realizada para a entrega da comenda anualmente no dia 24 de março, data de nascimento de Padre Cícero Romão Batista (1844-1934).

Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Luiz Gastão, autor do projeto

A comenda consistirá em um diploma de menção honrosa a até cinco contemplados dentre indicados por qualquer deputado federal ou senador. A indicação deverá conter relato sintetizado e informações comprobatórias da ação desenvolvida pelo candidato.

Fernanda Pessoa excluiu um trecho do projeto para permitir que a comenda seja entregue a pessoas que estejam no exercício de mandato político e a seus respectivos parentes até o 2º grau.

Homenagem
O deputado Inácio Arruda (PCdoB-CE) ressaltou a luta de padre Cícero pelo desenvolvimento da cidade de Juazeiro.

O deputado Eduardo Bismarck (PV-CE) afirmou que a comenda com nome de padre Cícero eterniza a figura do religioso e suas ações sociais.

Reportagem – Eduardo Piovesan e Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli



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Especialistas alertam para impacto das mudanças climáticas no patrimônio cultural

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Especialistas que participaram de audiência pública na Comissão de Cultura da Câmara nesta terça-feira (7) alertaram para a importância da relação entre preservação do patrimônio cultural e mudanças climáticas. De acordo com eles, há riscos de destruição de paisagens culturais no Pantanal, deslizamentos na Mata Atlântica e de desertificação na Caatinga, o que evidencia a necessidade de abordagens que salvaguardem os territórios.

Os debatedores ressaltaram a importância da criação da Carta Brasileira do Patrimônio Cultural e Mudanças Climáticas. O documento destaca que o patrimônio não é apenas um bem a ser protegido, mas uma fonte dinâmica de conhecimento e de tecnologia social para formular soluções contemporâneas baseadas no território.

Luana Campos, representante do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios – Brasil, comemora que, apesar dos desafios, a elaboração da Carta teve a contribuição de mais de 300 instituições. Luana lamenta que a relação entre patrimônio e clima não seja clara para a sociedade.

“Nossa cultura nos ajuda a compreender que é possível, a partir do conhecimento tradicional, a partir do conhecimento que vem desses grupos que estão na base, que nos representam, que fazem parte da nossa história, pensar o futuro melhor”, pontuou.

O deputado Tarcísio Motta (PSOL-RJ), que solicitou a realização do debate, reforçou que eventos climáticos extremos colocam em risco não apenas o patrimônio material e sítios arqueológicos, mas também a existência de acervos de saberes e conhecimentos essenciais para a forma de viver de comunidades locais.

Segundo ele, cabe à Comissão de Cultura entender que as sociedades vulneráveis são as que mais sofrem com as mudanças do clima e pensar em mecanismos de prevenção e mitigação.

“O colapso ecológico planetário é uma realidade. Nós estamos diante de mudanças climáticas cada vez mais intensas, cada vez mais frequentes e nada indica que o cenário melhorará nos próximos anos ou nas próximas décadas. Temos urgência em encarar esse desafio, mas não podemos ignorar o fato de que o processo da questão do colapso ecológico já é uma realidade entre nós, no Brasil e no planeta Terra”, afirmou Tarcísio Motta.

Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Tarcísio Motta: “Colapso ecológico planetário é uma realidade”

O presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Deyvesson Gusmão, explica que, além da atuação internacional junto a instâncias que discutem patrimônio material, imaterial e arqueológico, o Brasil, através do Iphan, busca medidas internas de preservação desse patrimônio.

“A gente conseguiu inserir e discutir, junto com a Defesa Civil, a inclusão do patrimônio cultural no Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil. A gente tem ações de preservação, de mitigação e de adaptação, mas também ações formativas, de capacitação e orientação previstas no Plano”, explicou.

A representante do Ministério do Meio Ambiente, Inamara Melo, destacou que a integração de um conjunto grande de políticas é absolutamente necessário.

“Não dá para desenhar nenhuma política pública que não leve em conta este contexto da emergência climática que já enfrentamos no país. Já temos basicamente 84,5% dos municípios brasileiros afetados por desastres climáticos na última década, com muitos danos e prejuízos à sociedade brasileira”, salientou.

Todos os participantes destacaram a necessidade não apenas de financiamento formal de ações de preservação ambiental, mas também de adaptações para garantir a mitigação dos efeitos climáticos e a sustentabilidade.

Reportagem – Mônica Thaty
Edição – Ana Chalub



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