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Poconé: Líder de grupo de extermínio é atingido por tiro e sobrevive

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Da Redação

Um homem identificado como Vanderlei Marcelo de Lima, 44 anos, foi baleado na região do abdome no momento em que descia do seu veículo para abrir a porteira de sua fazenda na região da Estrada de Cumbaru, em Poconé (101 km de Cuiabá). O fato aconteceu na manhã desta terça-feira (17).

No momento do ataque, a vítima estava sozinha e mesmo ferida conseguiu dirigir o veículo até o Pronto Atendimento Municipal (PAM) de Poconé. Após o atendimento foi identificado que a bala havia ficado alojada na barriga de Vanderlei e o mesmo precisou ser transferido para o Pronto-Socorro de Cuiabá onde passou por cirurgia.

Como de praxe, a Polícia Militar (PM) foi acionada, já que se tratava de um ferimento feito por arma de fogo e compareceu no local onde ouviu a vítima. Aos militares, Vanderlei afirmou que apenas havia escutado o barulho que parecia ser de uma arma de fogo, após o disparo ele teria voltado correndo e entrado no veículo. Vanderlei afirma que somente percebeu que havia sido ferido quando já estava dentro do veículo.

A vítima alega não ter visto de onde o tiro veio e nem sabe apontar quem teria sido o autor do disparo.

Vanderlei é acusado de liderar um grupo de exterminio que atua na região de Poconé, o grupo é apontado como autor de ao menos sete homicídios na região. 

De acordo com a denuncia, Vanderlei fazia uma espécie de “vaquinha” para arrecadar dinheiro e contratar pistoleiros para executar pessoas que de alguma forma iam contra seus interesses. A vítima do disparo chegou a ser preso juntamente com outros envolvidos após a morte do adolescente Gilvan Gilberto Silva da Costa, 15 anos e da prima dele, Luzia Mariângela da Silva, 28 anos. Os dois foram executados por engano após saírem do fórum da cidade.

A Polícia Judiciária Civil (PJC) investiga a participação de Vanderlei com as mortes e também quem teria sido o autor do disparo contra a vítima.

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Procuradora do MPMT media debate sobre mulheres indígenas

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A procuradora de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (CAOVD), Elisamara Sigles Vodonós Portela, mediou o painel “Medidas Protetivas de Urgência e Especificidades em Relação a Mulheres Indígenas”, realizado durante o Ciclo de Diálogos da Lei Maria da Penha, promovido pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), na sexta-feira (14).Ao longo das apresentações, a procuradora conduziu o debate articulando os temas abordados pelas palestrantes e destacando os desafios enfrentados pelas mulheres indígenas no acesso à proteção estatal e à justiça.Na abertura do painel, a procuradora de Justiça contextualizou a discussão com dados recentes sobre a realidade dos povos indígenas no Brasil. Citando relatório divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em 2025 que registrou 258 assassinatos de indígenas no país, sendo 194 homens e 64 mulheres. O levantamento também apontou 25 casos de violência sexual, dos quais 20 foram classificados como estupro de vulnerável, além de 215 suicídios indígenas, sendo 151 homens e 64 mulheres.A procuradora chamou atenção ainda para outro dado considerado alarmante: a morte de 1.024 crianças indígenas com menos de quatro anos de idade, sendo 586 casos por causas evitáveis.”Quem for começar um trabalho com os povos indígenas vai se deparar com outras temáticas além da violência contra a mulher. Tivemos 1.024 mortes de crianças indígenas com menos de quatro anos em 2025. Mato Grosso não teve nenhuma mulher indígena assassinada, mas tivemos dois suicídios”, afirmou.Ao apresentar o tema, a procuradora de Justiça destacou que a violência contra mulheres indígenas está inserida em um contexto mais amplo de vulnerabilidades sociais. “Temos que olhar para as mulheres e para as meninas, mas também para o homem indígena; isso é crucial”, destacou.A primeira palestra foi ministrada por Daniele Moreira Brasileiro, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), que abordou a relação entre proteção territorial e proteção das mulheres indígenas, além dos impactos do racismo institucional no atendimento às vítimas.Após a exposição, a procuradora ressaltou ainda que a Resolução nº 230/2021 do CNMP recomenda que os membros do Ministério Público realizem visitas contínuas aos territórios indígenas para estabelecer diálogo com as lideranças e compreender a realidade local. “Precisamos tirar as mulheres e meninas dessa invisibilidade. Mato Grosso tem 43 etnias e mais de 40 línguas diferentes”, acrescentou.Em seguida, Jaqueline Arandurá, da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga), apresentou dados sobre violência contra mulheres indígenas, dificuldades de acesso às instituições públicas e o conceito de etnofeminicídio. A palestrante relatou, por exemplo, casos em que mulheres precisam percorrer longas distâncias para denunciar agressões e destacou a carência de atendimento em línguas indígenas.Segundo a procuradora, é fundamental que os estados aprimorem seus sistemas de registro para identificar corretamente as vítimas indígenas. Ela defendeu que os boletins de ocorrência contenham informações sobre autodeclaração indígena e idioma falado, além da utilização de tradutores e peritos antropológicos, conforme previsto em resoluções do Conselho Nacional de Justiça.Na terceira exposição do painel, Eliamara Terena e Niaru Patachó, representantes do Ministério dos Povos Indígenas, apresentaram iniciativas voltadas à construção de políticas públicas para mulheres e meninas indígenas, além dos desafios enfrentados pelas comunidades em razão do preconceito e da exclusão social.Ao comentar a apresentação, Elisamara lembrou a necessidade de observância das especificidades culturais dos povos indígenas na atuação do sistema de justiça e das forças de segurança. “Não é demais lembrar a Súmula 140 do STJ, que diz que é competência da Justiça Estadual situações que envolvam vítimas ou agressores indígenas”, ressaltou.A procuradora observou ainda que há resistência de órgãos estatais para atuar em algumas áreas indígenas e destacou a necessidade de respeito às tradições e práticas culturais desses povos. “São barreiras culturais que são estranhas a nós. Como você vai exigir um exame de corpo de delito em uma situação cultural que tem que ser respeitada pela Convenção 169 da OIT?”, questionou.Encerrando o painel, Elisamara Portela destacou perspectivas de avanço na proteção das mulheres indígenas, especialmente diante da tramitação do Projeto de Lei nº 4.381/2023, conhecido como Lei Guerreiras da Ancestralidade, que prevê medidas protetivas específicas para essa população.A procuradora também anunciou que o Ministério Público de Mato Grosso instituiu, em abril deste ano, um procedimento interno para realizar um diagnóstico estadual e construir fluxos de atendimento voltados às mulheres indígenas.

Fonte: Ministério Público MT – MT



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