Polícia Federal
Pirataria aumenta informalidade e custos para a indústria, dizem especialistas em debate na Câmara
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Em debate realizado na Câmara dos Deputados sobre os impactos do crime organizado na economia brasileira, o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, Fernando Pimentel, afirmou que a informalidade já representa entre 12% e 15% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Segundo ele, nos países escandinavos esse índice não passa de 4%.
Pimentel afirmou ainda que 34% das camisas esportivas vendidas no Brasil em 2025 eram falsificadas.
“Foram 225 milhões de peças, aproximadamente. Estamos com um terço da economia ligado à informalidade. Isso está relacionado à informalidade da mão de obra, que é de quase 40%, e a outros indicadores. Quando falamos de segurança pública, não tratamos apenas de um tema policial. Há impacto econômico da insegurança: os seguros ficam mais caros e há menos geração de empregos formais. O negócio informal prejudica a sociedade brasileira”, disse.
O debate foi realizado pela comissão externa da Câmara sobre atos de pirataria, a pedido do coordenador do colegiado, deputado Julio Lopes (PP-RJ).
O diretor de Pesquisa da Nexus, André Jácomo, afirmou que 73% dos industriais entrevistados em levantamento realizado pelo instituto disseram que os investimentos em segurança aumentam o custo dos produtos brasileiros.
Segundo Jácomo, a pesquisa também mostrou que 17% das indústrias nacionais sofreram ataques cibernéticos, 20% tiveram roubo de carga e 16% foram roubadas dentro das próprias instalações.
Ele afirmou ainda que os gastos com segurança digital e seguros representam cerca de 1% do faturamento líquido da indústria.
Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Pimentel: 34% das camisas esportivas vendidas no Brasil em 2025 eram falsificadas
Ação coordenada
Os participantes da audiência pública defenderam de forma unânime uma atuação coordenada para combater o crime organizado. Segundo eles, essa articulação deve envolver a União, os estados e os municípios, além dos diversos órgãos de segurança pública.
O coordenador da Comissão de Crimes Econômicos e Investigações Financeiras do Ministério Público Federal, Henrique de Sá Valadão Lopes, afirmou que alguns estados criaram comitês de recuperação de ativos que reúnem órgãos como o Ministério Público estadual, as polícias e as secretarias de Fazenda.
Segundo ele, a União também criou um comitê semelhante no início do ano passado.
Projeto de lei
Henrique Lopes afirmou que esses comitês costumam ser criados por acordos informais entre os órgãos participantes. Por isso, sugeriu a apresentação de um projeto de lei para regulamentar a cooperação.
“Algum projeto de lei que reconheça formalmente essa forma de atuação. Há previsão legal de atuação coordenada entre agências públicas de fiscalização e aplicação da lei, mas algumas normas limitam essa atuação a situações específicas, como milícias, dominação territorial ou uso de violência e grave ameaça. Na criminalidade econômica, normalmente não é esse o meio de execução”, afirmou.
O deputado Julio Lopes pediu que Henrique Lopes apresente uma sugestão de projeto de lei à comissão externa. O parlamentar afirmou que dará encaminhamento à proposta.
Reportagem – Maria Neves
Edição – Geórgia Moraes
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Projeto Lírios orienta alunos da rede municipal sobre violência e segurança
Os alunos da Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) Alino Ferreira da Silva participaram, nesta segunda-feira (21), de uma palestra do Projeto Lírios, iniciativa que leva às escolas municipais informações e orientações de forma lúdica e acessível para crianças e adolescentes. A ação abordou a prevenção à violência doméstica contra o público infantojuvenil e reforçou a importância de reconhecer situações de risco e buscar ajuda.
Com o tema “Violência doméstica contra crianças e adolescentes: toda criança merece viver sem medo”, a palestra apresentou exemplos de situações que podem caracterizar violência, os diferentes tipos de violência e exploração, além de crimes que podem ser praticados contra crianças e adolescentes.
A abordagem também chamou a atenção dos estudantes para os riscos relacionados ao uso da tecnologia, incluindo o excesso de tempo diante de celulares, computadores e outras telas digitais, além dos cuidados necessários no ambiente virtual.
A proposta do Projeto Lírios é trabalhar os temas de maneira próxima à realidade das crianças, utilizando vídeos, exemplos e momentos de interação para estimular a participação dos alunos. A metodologia também cria um ambiente para que eles possam falar sobre situações que vivenciam, tirar dúvidas e compreender onde e como buscar ajuda.
Para a diretora da unidade, Queila Feitosa, o trabalho desenvolvido pelo projeto apresenta resultados significativos justamente por incentivar as crianças a se expressarem e procurarem atendimento quando necessário.
“O Projeto Lírios eu já recebi em outra oportunidade, em outra unidade, e eles trabalham colocando vídeos e motivando as crianças para que falem e tenham resposta. É um trabalho muito rico. A gente vê respostas imediatas, porque as crianças vão até a unidade e querem realmente ser atendidas e ouvidas”, destacou.
Segundo a diretora, a abordagem também contribui para que a escola identifique demandas que muitas vezes não aparecem de forma evidente no cotidiano escolar.
“Não sabemos muito o que acontece no particular da criança e das famílias, mas percebemos que existem resultados. Quando eles começam a aprender, em outro dia a escola começa a ‘ferver’, porque as crianças passam a falar de vários temas e começam a se abrir”, relatou Queila.
Além das informações apresentadas durante a palestra, os estudantes são orientados sobre a importância de contar a um adulto de confiança quando algo lhes causar medo, desconforto ou insegurança. A ação também apresenta caminhos para que crianças, adolescentes e suas famílias possam buscar apoio e atendimento.
A diretora explica que o Projeto Lírios atua em parceria com as escolas e leva os temas conforme as necessidades identificadas junto às comunidades. Para Queila, iniciativas como essa fortalecem o trabalho realizado diariamente pelos profissionais da educação.
“É um trabalho que soma muito. A resposta é quase imediata. A gente vê que eles realmente querem e têm soluções. As crianças acabam se envolvendo e começam a falar sobre vários assuntos”, afirmou.
A iniciativa reforça o papel da escola não apenas na aprendizagem acadêmica, mas também na formação, proteção e orientação de crianças e adolescentes, criando espaços seguros de diálogo e informação.
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