Mato Grosso
Número de grêmios estudantis em escola estaduais de Mato Grosso chega a 507 em 2025
Mato Grosso
A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) atingiu a marca de 507 grêmios estudantis criados em um universo de 628 escolas da rede estadual nesse início de ano letivo.
Na avaliação do secretário de Educação, Alan Porto, a atuação dos grêmios é muito mais do que representação estudantil. Na visão dele, são valores que contribuem para uma boa convivência escolar, além de preparar os estudantes para uma vida cidadã ativa.
“Os grêmios são essenciais para o fortalecimento da gestão democrática nas escolas, promovendo o protagonismo juvenil e o desenvolvimento de habilidades fundamentais como liderança, trabalho em equipe e resolução de problemas”.
O coordenador dos Grêmios Estudantis da Seduc, Matheus Oliveira da Silva, destaca a importância de dar voz aos jovens e reforça que essa colaboração é essencial para o fortalecimento do movimento estudantil.
“Os grêmios estudantis não se limitam apenas a promover eventos. Eles são fundamentais para envolver os estudantes nas decisões da escola, sendo um verdadeiro canal de comunicação entre alunos, professores e coordenação”, disse.
Metas para 2025
Uma das expectativas das metas para 2025 é a realização do 2º Encontro dos Grêmios Estudantis. A exemplo do evento anterior, ocorrido em 2023, terá formato de grupo de trabalho, debates e troca de práticas bem-sucedidas.
Além disso, a Coordenação de Grêmios vem trabalhando para estimular a participação ativa dos estudantes na rotina das escolas, para que as demandas da comunidade estudantil sejam atendidas.
Myllena de Oliveira Miranda, de 14 anos, representante do grêmio do Colégio Estadual Integrado (CEI-01) Victorino Monteiro da Silva, em Cuiabá, ressalta a importância de abordar nas escolas questões cruciais relacionadas a saúde mental, propondo atividades como palestras e ações de conscientização.
“Queremos promover o bem-estar dos alunos e, para isso, estamos planejando palestras com psicólogos e também a realização de cartazes com relatos de estudantes sobre suas experiências”, compartilhou Myllena.
O grêmio da Escola Estadual Militar Tiradentes, em Cuiabá, representado pelo estudante Pedro Arthur Nascimento Arruda Santos, de 16 anos, também tem foco claro em promover harmonia e integração entre alunos e professores.
Pedro destaca que a comunicação é a principal ferramenta para alcançar os objetivos do grêmio. “A nossa missão é ser um elo entre os alunos e a gestão escolar, promovendo sempre o diálogo e a participação ativa. Queremos criar um ambiente escolar agradável, onde todos possam expressar suas opiniões e desenvolver seus talentos.
Para isso, ele propõe diversas atividades para fortalecer a relação com os estudantes e suas famílias, como competições esportivas, feiras gastronômicas e eventos culturais.
“Queremos que os alunos, pais e responsáveis participem ativamente da vida escolar. Acreditamos que, por meio dessas atividades, podemos estreitar laços e promover o engajamento da comunidade escolar”, finalizou Pedro.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
TJMT e TVCA promovem fórum “Destinos Roubados: a epidemia do feminicídio”
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), em parceria com a TV Centro América (TVCA), realizou nesta sexta-feira (29), em Cuiabá, o fórum “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio”. O evento ocorreu no auditório da emissora e reuniu representantes do sistema de Justiça, forças de segurança, instituições públicas e especialistas para discutir ações de enfrentamento à violência contra a mulher em Mato Grosso.
O encontro integrou o encerramento do projeto jornalístico especial “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio”, série documental composta por cinco reportagens sobre violência doméstica, feminicídio e os impactos sociais provocados por esse tipo de crime. O trabalho foi dirigido pela jornalista Ariane Locatelli.
Representando o TJMT no fórum, participaram dos debates os magistrados da 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões de Cuiabá, juiz titular Marcos Agostinho Terêncio e a juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa.
Rede de enfrentamento e prevenção
Durante o encontro, foram discutidos os principais desafios da rede de enfrentamento à violência doméstica, o acolhimento às vítimas, medidas de prevenção, atendimento aos órfãos do feminicídio e a integração entre as instituições.
A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa destacou que o fórum reuniu toda a rede de enfrentamento para refletir e, ao final, elaborar uma carta de compromissos com o objetivo de modificar a realidade da violência contra a mulher no estado.
Para ela, o fortalecimento das redes é fundamental para ampliar a proteção às vítimas. “Sozinho ninguém consegue resolver o problema da violência doméstica. Hoje, dos 142 municípios de Mato Grosso, 123 já possuem redes de enfrentamento instaladas. Esse é um espaço para fortalecer vínculos, promover maior engajamento e qualificar o atendimento prestado às mulheres”, ressaltou.
A magistrada também enfatizou a importância de ações preventivas e do trabalho voltado aos autores de violência doméstica. “Não adianta tratar apenas das mulheres. É preciso trabalhar também com o autor da violência. O homem que participa dos grupos reflexivos dificilmente volta a delinquir”, explicou.
Ana Graziela destacou ainda iniciativas desenvolvidas pelo Poder Judiciário e parceiros, como o projeto “A Escola Ensina, a Mulher Agradece”, palestras sobre a Lei Maria da Penha nas escolas e capacitações realizadas com professores da rede pública. “Precisamos trabalhar desde cedo com as crianças e adolescentes para construir relações pautadas no respeito e impedir que novos casos de violência cheguem ao sistema”, concluiu.
Responsabilização e conscientização
O juiz Marcos Terêncio destacou que o enfrentamento à violência doméstica passa pela responsabilização dos agressores, mas também por ações de conscientização e transformação de comportamento.
O debate conduzido por ele no fórum abordou “a responsabilidade penal dos agressores, tanto pela punição propriamente dita, quanto pelos sistemas de autorresponsabilização”. Ele citou os Grupos Reflexivos para homens, desenvolvidos pelo Judiciário.
“A intenção é diminuir a reincidência, demonstrando, de um lado, que a punição é certa e célere e, de outro, fazer com que esses homens reflitam sobre a violência, o machismo enraizado e os impactos causados às vítimas e às próprias famílias”, afirmou.
O magistrado também ressaltou a importância da abordagem adotada durante a série exibida pela emissora. “As narrativas são dramáticas, mas não sensacionalistas. O protagonismo é da mulher. O agressor não deve ser o protagonista da história, mas precisa reconhecer o seu papel e compreender o que a violência causa para todos ao seu redor”, completou.
Parceria institucional
Para o diretor de Conteúdo da TVCA, Marcello Rosa, o enfrentamento à violência contra a mulher exige mobilização permanente da sociedade e atuação conjunta das instituições.
De acordo com ele, a parceria com o TJMT fortalece o debate e amplia a capacidade de mobilização social. “A Justiça é fundamental nesse processo. A melhor parceria possível é ter o TJ encabeçando a organização desse evento e trazendo outros players para essa discussão. É assim que vamos transformando a sociedade, mudando pensamentos e garantindo mais segurança para as mulheres, principalmente por meio da educação”, destacou.
Do luto à luta
Alenir Gomes da Silva, mãe de uma vítima de feminicídio, participou da série documental. Aline tinha 20 anos e um filho de quatro anos quando foi morta pelo marido, em 2020.
“Ela tentava sair da relação, mas não conseguia. Muitas coisas ela não contava porque tinha medo dele. Eu tentei registrar boletim de ocorrência, mas naquela época diziam que quem precisava denunciar era a vítima”, relembrou.
Ao defender a importância de dar visibilidade aos casos de violência doméstica, Alenir explicou que decidiu participar da série para conscientizar outras mulheres e famílias. “Enquanto eu continuar falando, divulgando, alguém vai cair na real e perceber os sinais. É importante que ninguém esqueça.”
Ela também ressaltou a necessidade de investir em educação e prevenção desde a infância. “Tem que começar cedo, na escola, conscientizando meninos e meninas sobre respeito e sobre como a violência começa”, disse.
Carta de Compromisso Institucional
Ao final do fórum, as instituições participantes construíram uma Carta de Compromisso Institucional com propostas voltadas ao fortalecimento das políticas públicas de prevenção e combate ao feminicídio no estado, que somente neste ano já registrou 18 feminicídios, deixando órfãs 22 crianças e adolescentes, além de 79 tentativas de feminicídio.
Série disponível no Globoplay
Os episódios da série “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio” estão disponíveis no aplicativo Globoplay, com as edições exibidas entre os dias 25 e 29 de maio no telejornal Bom Dia MT.
Autor: Marcia Marafon
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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